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Não foi? Veja os principais destaques da VI Conferência de Escola Austríaca

Evento, ocorrido em São Paulo, é um dos principais encontros de liberais e libertários, ocorre a cada dois anos e foi organizado pelo Instituto Mises Brasil, importante centro de difusão de ideias liberais do país

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Auditório Ruy Barbosa, do Mackenzie São Paulo, ficou lotado na VI Conferência da Escola Austríaca de Economia (Foto: Boletim da Liberdade)

O Instituto Ludwig von Mises Brasil organizou entre os dias 9 e 11 de maio em São Paulo sua VI Conferência de Escola Austríaca de Economia. O Boletim da Liberdade conferiu in loco o encontro, que é um dos mais importantes eventos sobre liberdade, liberalismo e libertarianismo do país, e resume nesta reportagem os principais destaques dos painéis.

Quinta-Feira – 9 de maio

O primeiro dia da conferência priorizou temas acadêmicos, com especial destaque para a apresentação dos artigos, no início da tarde, dos finalistas do I Prêmio Gabriel Oliva. O resultado só seria anunciado no sábado (11), e cuja premiação de primeiro lugar ficou para o jovem estudante Marcelo Lourenço Filho.

Chamada de “Quinta Acadêmica”, os painéis ocorreram no Auditório Escola Americana do Mackenzie de São Paulo. Outro painel que se destacou foi sobre o Centro de Liberdade Econômica do Mackenzie, com a participação dos professores Vladimir Maciel, Roberta Maramatsu e Paulo Scarano.

Entre os estudos apresentados pelo trio, estavam o Índice Estadual de Liberdade Econômica e um estudo inédito sobre os incentivos privados ao financiamento empresarial de campanha à luz dos pressupostos da teoria da escolha pública.

Ainda na tarde do primeiro dia, foi lançada a 13ª edição da Revista Mises, apresentada pelo editor-chefe da publicação, Adriano Paranaíba, que lançou também no evento o seu livro “Transporte é preciso: uma proposta liberal para os transportes no Brasil” (LVM Editora).

Adriano Paranaíba é o editor-chefe da revista Mises (Foto: Boletim da Liberdade)

Sexta-Feira – 10 de maio

Na sexta-feira e no sábado, a conferência aconteceu no imponente auditório Ruy Barbosa, com capacidade para mais de 1.000 pessoas. Se apresentaram nomes como Helio Beltrão, Ubiratan Iorio, Yago Martins, Raphael Lima, Antony Mueller, Fabio Barbieri e Jeffrey Tucker..

Na sexta e no sábado, conferência ocorreu no imponente Auditório Ruy Barbosa da Mackenzie de São Paulo. Do lado de fora, stand com a venda de livros da LVM Editora e do Instituto Mises Brasil (Foto: Boletim da Liberdade)

Em sua exposição, Beltrão – que é o presidente do Instituto Mises Brasil – tratou da Previdência Social, destacando a trajetória de despesas cada vez maiores diante de uma população cada vez mais envelhecida.

Segundo o fundador do IMB, a previdência brasileira, por apresentar o caráter de regime de repartição, representa um “grande esquema Ponzi”, uma vez que se trata de um regime financiado por recursos de impostos no presente, às custas de promessas “irrealizáveis” de aposentadorias futuras. Ao fim, Beltrão fez uma provocação sobre a necessidade de o país ter uma Previdência Social.

“É o nosso dever falar sobre o regime das contas individuais, é o nosso dever propor que quem esteja dentro da pirâmide [a Previdência Social no regime de repartição] resolva os próprios problemas, bem como [questionar] se deveria existir um regime que tira o seu dinheiro e não te dá acesso a ele. Essa palestra é uma primeira proposta de colocar essas questões à mesa”, concluiu.

Na sequência, os acadêmicos Mariana Piaia Abreu e de Felipe Rosa comentaram sobre as diferenças e semelhanças entre a Escola Austríaca de Economia e outras escolas liberais.

Doutora em economia pela UFF, Piaia relatou sua trajetória acadêmica, apontando para a importância do diálogo das ideias austríacas com a economia mainstream, keynesianos e marxistas. Ambos os acadêmicos ressaltaram o papel de abertura da Escola Austríaca com outras visões de pensamento, e os riscos do encerramento de escolas econômicas que ficam presos no dogmatismo.

Presidente do Instituto Mises, Helio Beltrão palestra sobre Previdência Social (Foto: Boletim da Liberdade)

Outro destaque da tarde da sexta-feira, segundo dia da conferência, foi o painel que contou com os youtubers Raphael Lima e Yago Martins, que debateram a importância da internet na defesa da liberdade.

Dono do canal “Ideias Radicais”, Lima fez uma exposição das estratégias de ação libertária e ressaltou a importância de criar grupos de pressão pela internet.

“Hoje, a gente sabe uma série de escândalos de corrupção para todo lado. Isso acontece porque a informação está amplamente disponível. Nós podemos criar grupos de pressão diretamente de casa, sem precisar estar em Brasília, na sede do governo, como faziam e seguem fazendo os grupos de pressão tradicionais. Foi assim que criamos o nosso canal. Não tinha dinheiro para ter uma rádio, nem influência para ter artigos publicados em jornais, mas podia, por exemplo, criar um canal”, disse.

Yago, do canal “Dois Dedos de Teologia”, provocou o público para uma saída da “bolha liberal” e por um diálogo tolerante com os críticos e adversários. O influenciador digital também alertou para os perigos dos “vieses de confirmação” do ambiente de redes sociais e de internet, que são diferentes do relacionamento da vida em comum, levando a ativistas se fecharem em um ambiente social restrito.

Pastor da Igreja Batista, Yago criticou a “interação com o adversário com base na humilhação”, que chamou de “olavismo cultural”, em referência ao “espírito do movimento político que surgiu a partir de Olavo de Carvalho”.

“A esculhambação metodológica é o método da violência. Não devemos usá-lo se nós estamos interessados no poder das ideias e acreditamos que apenas ideias iluminam a escuridão. Precisamos que as ideias cheguem em pessoas que não concordam hoje com a gente. Precisamos sair da nossa bolha. A gente não consegue capilaridade para discutir na esfera pública se não estivermos dispostos a sair da bolha liberal. Sentar com quem pensa de forma distinta, tomar um café com quem pensa diferente de você”, observou.

Raphael Lima fala em sua participação em painel sobre a internet na VI Conferência de Escola Austríaca de Economia. Ao meio, o mediador Raduan Melo e, à direita, Yago Martins (Foto: Boletim da Liberdade)

Ainda na sexta, destaque para apresentação do professor Ubiratan Iorio, que fez em sua exposição um breve histórico da evolução do pensamento austríaco no Brasil. Comparando as diversas fases de crescimento da popularidade da Escola Austríaca a veículos de transporte, Iorio afirmou que jamais poderia imaginar, no passado, a popularidade que as ideias austríacas alcançou hoje. Iorio celebrou também a quantidade de jovens na conferência.

Na sequência, vieram as exposições do presidente do Instituto Mises norte-americano, Jeff Deist, do professor de economia Antony Mueller e do escritor anarcocapitalista Jeffrey Tucker.

Em sua fala, Mueller apresentou os principais argumentos e fatos sobre o capitalismo, relacionando-os com sociedades mais livres, prósperas e menos desiguais. Para ele, o maior desafio aos liberais no mundo contemporâneo é a ascensão da nova onda de “socialismo democrático” nos países desenvolvidos, que detém uma série de demandas populares que “ganham muita ressonância na imprensa”.

Ubiratan Iório (à esq.) responde perguntas da plateia mediadas pelo professor Adriano Paranaiba (à dir.) (Foto: Boletim da Liberdade)

Sábado – 11 de maio

O último dia da VI Conferência de Escola Austríaca de Economia teve início com o painel do economista Fernando Ulrich com a exposição “O fim do ciclo ou o ciclo do fim”. Na palestra, Ulrich tratou sobre os riscos das políticas de liquidez praticadas pelos bancos centrais, que estariam conduzindo a economia internacional a uma das “piores má alocações de capital da história da humanidade”.

Em sua exposição, o professor Adriano Paranaíba ressaltou o papel dos bens mantidos na posse privada de indivíduos. Já o advogado Rodrigo Saraiva Marinho, conselheiro do IMB, relembrou na palestra “Burocracia no Legislativo e Executivo” a trajetória política dos liberais nos últimos cinco anos, culminando na vitória de Jair Bolsonaro na eleição de 2018 com uma agenda parcialmente liberal.

Marinho mencionou ainda a importância da política em transformar e avanças as ideias da liberdade, mencionando por fim que os liberais vivem um momento decisivo para implementação de reformas e que o desafio é pressionar lideranças políticas e intensificar o ativismo.

Outro painel relevante do último dia de conferência foi sobre como o Brasil deixaria de ser uma social-democracia. O tema contou com exposições do economista Leandro Roque e do advogado Gianluca Lorenzon, também diretor de privatizações do governo Jair Bolsonaro.

Defendendo que a social-democracia destrói a racionalidade e a ética, Lorenzon defendeu três passos para o país liberalizar: “O primeiro é voltar a ser uma federação de fato. Federalizar. O segundo desafio é criar um ambiente jurídico onde o Estado, o juiz, não seja parte de toda relação privada. Acabar, portanto, com a ‘tradição de social-democracia-juridica’. Já o terceiro desafio, o mais difícil, é mudar a mentalidade das pessoas”, opinou.

Já no painel “Relações Internacionais entre ciência e ideologia”, Adriano Gianturco fez uma breve exposição de autores e teóricos do campo das relações internacionais. Coordenador do Ibmec/MG, o professor buscou diferenciar o que é ciência e ideologia na diplomacia, apresentando como científica a visão estruturada no indivídualismo metodológico.

Adriano, que é autor do livro “O empreendedorismo de Israel Kirzner”, publicado pelo Instituto Mises Brasil, defendeu ainda que entes abstratos como interesses nacionais não existem, mas sim somente a ação de indivíduos concretos, e lamentou também os rumos tomados pela política externa brasileira, influenciada pelo chanceler olavista Ernesto Araujo.

Painel discutiu as saídas do Brasil da social-democracia na VI Conferência de Escola Austriaca (Foto: Boletim da Liberdade)

Outros destaques do sábado foram as exposições do professor de economia da George Mason University, Lawrence White, e do ex-presidente da Atlas Foundation, Alejandro Chaufen.

White expôs uma comparação entre os sistemas monetários de padrão ouro e o free banking. Na palestra, mencionou as vantagens da estabilidade de preços do sistema padrão ouro, que gera inflação baixa, sendo ainda um meio de pagamento superior às moedas digitais como conservação do poder de compra. White também fez uma breve apresentação sobre o programa de cursos do Mercatus Center, do George Mason University, ao final.

Chaufen, por sua vez, apresentou um breve histórico do pensamento dos autores católicos conhecido como Escolásticos, da Universidade de Salamanca, relacionando as origens desse pensamento com a moderna teoria econômica liberal. Entre as visões defendidas por esses acadêmicos antigos estavam o livre comércio e a competição, determinada por preços acertados livremente entre as partes e sem interferência estatal.

Alex Catharino (à esq.) mediou perguntas ao palestrante Alejandro Chafuen (à dir.) (Foto: Boletim da Liberdade)

Os Escolásticos de Salamanca serviram como base do pensamento do direito e econômico de Hugo Grotius, John Locke e Adam Smith, fundamentando os principais argumentos hoje disseminados no meio liberal.

A conferência encerrou com a entrega de prêmios aos finalistas do concurso de artigos, que foi batizado de Prêmio Gabriel Oliva. Tratou-se de uma homenagem prestada por professores e integrantes do IMB ao economista Gabriel Oliva, que fazia seu doutorado pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e faleceu precocemente em abril de complicações de um câncer.. O finalista e vencedor do prêmio foi o estudante de economia Marcelo Lourenço Filho.

Vencedores da primeira edição do Prêmio Gabriel Oliva (Foto: Boletim da Liberdade)
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