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‘Estamos diante da maior má alocação de capital da história da humanidade’

Especialista em criptoativos Fernando Ulrich lembrou que mesmo empresas de tecnologias recentes, como Uber, Tesla e Netflix, estão sendo incentivados a recorrerem a modelos de financiamento insustentáveis

- Publicado no dia
Foto: Reprodução/YouTube

Um dos palestrantes da VI Conferência de Escola Austríaca realizada entre os dias 9 e 11 de maio em São Paulo, o economista Fernando Ulrich previu em entrevista ao Boletim da Liberdade que o mundo enfrenta “o fim de um ciclo nas instituições financeiras”.

Especialista em criptoativos como o Bitcoin, o acadêmico afirmou ainda que essa fase poderia representar o fim da era de liberdade plena dos bancos centrais na estabilização de crises, via injeções de liquidez e moeda.

Segundo o economista, essa modalidade de política econômica levou a economia internacional a juros negativos e à “maior má alocação de capital” da história da humanidade, bem como ampliou o risco de colapso sistêmico.

“As injeções de liquidez realizadas pelos bancos centrais europeu e americano desde a crise global de 2008 podem levar, em um primeiro momento, a evitar a falência de empresas, mas esta política previne o saneamento de dividas, intensifica e emite sinais errados aos empresários sobre o funcionamento da atividade econômica, caso houvesse livre preferência dos consumidores”, afirmou.


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Contração é uma fase necessária do ciclo econômico

Banco Central Americano, mais conhecido como Federal Reserve ou FED (Foto: Fortune)

Para Ulrich, estas medidas de estabilização provocam efeitos não intencionados. Citando o filósofo e escritor Nassim Taleb, os danos e perdas são formas de aprendizado e aperfeiçoamento no longo prazo para agentes tomarem decisões melhores.

“Um pouco de dano na economia expurga as empresas ineficientes. Contrações econômicas são necessárias para que empreendedores fracassem e recomecem, evitando o dano de longo prazo no sistema”, afirmou.

O especialista citou que as novas empresas de tecnologia digitais criadas recentemente (Uber, Netflix e Lyft) estão seguindo modelos de negócios insustentáveis com a política de empréstimos abundantes e juros negativos.

“Uber, criada em meados de 2010, cresce muito, mas com prejuízo, precisando se capitalizar. Não há perspectivas de manter rentabilidade. A Lyft ocorre o mesmo, e a Netflix segue um modelo de financiamento que não se sustenta, recorrendo a empréstimos. Tratam-se de modelos de negócios baseados em emissão de dívidas, que se prolonga a um futuro incerto. A Tesla é também uma empresa que recorrer à emissão de dívidas para pagar suas operações. São empresas de tecnologias que não são viáveis, que só se sustentam na era de juros baratos e de juros zero”, avaliou.

O economista afirmou ainda que muitas outras empresas digitais “não existiriam e não teriam a dimensão que tiveram se não fosse a política de afrouxamento monetário”.

“Em momentos de pico, agentes brigam por liquidez e vêem que a festa acabou. Na fase de contração, há cortes, incentivos a poupar mais e a recapitalizar. A única maneira de bancos centrais é permitir que as fase de contração ocorra”, concluiu.

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