Uma representação criminal protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a abertura de investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto envolvimento em um esquema de favorecimento político e influência ligado ao Banco Master. A peça cita possíveis crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e crime de responsabilidade.
O documento foi apresentado pela ativista política e pré-candidata a deputada estadual Luciana Lippi e utiliza como base informações reveladas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um rombo estimado em até R$ 50 bilhões na instituição financeira.
Segundo a representação, Lula teria participado de uma reunião fora da agenda oficial, realizada em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e posteriormente preso no âmbito das investigações.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal, de acordo com o documento, indicariam que o presidente aconselhou Vorcaro a não vender o banco e sinalizou que a futura gestão do Banco Central adotaria postura mais favorável à instituição.
Os autores da representação afirmam que, após o encontro, houve um aumento expressivo da interlocução entre o Banco Master e o Banco Central. O documento aponta que o número de reuniões saltou de 24 encontros ao longo de seis anos da gestão anterior para 41 reuniões apenas nos onze primeiros meses de 2025.
A denúncia também menciona repasses milionários feitos pelo grupo financeiro a ex-ministros e aliados do governo federal, além da assinatura de contratos de R$ 303,65 milhões entre o Ministério da Saúde e a empresa Biomm S.A., cujo principal acionista era o Banco Master.
No pedido encaminhado à PGR, os autores solicitam que o órgão requeira ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito criminal, peça o compartilhamento das provas já obtidas pela Polícia Federal e envie representação formal à Câmara dos Deputados para análise de eventual processo de impeachment contra Lula.
O caso surge em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e amplia a pressão política sobre o governo federal em um momento de desgaste na relação entre o Palácio do Planalto e setores do mercado financeiro.
Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da representação.


