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Qual é o imposto justo para o brasileiro?

Imposto

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Por Germano Laube*

Eles estão em tudo que consumimos, estão nos nossos salários, estão nos bens que possuímos. Nos acostumamos a eles e em algum momento, como sociedade, normalizamos. Nós nos acostumamos com impostos, pagá-los se tornou tão rotineiro que somos vistos com estranhamento quando fazemos perguntas simples como: Por qual motivo eu pago imposto? 

Na literatura alguns pensadores nos trazem a resposta: John Locke argumentava que o pagamento de impostos era necessário para que o governo assegurasse a segurança da propriedade privada, e partia de uma relação consensual, ou seja, não era, ironicamente, imposto. Murray Rothbard responde de forma simples e direta: imposto é roubo, visto que o cidadão é coagido a pagá-lo e, caso não o faça, o Estado agirá com violência. Após a segunda guerra mundial quando ocorreu o florescer dos partidos social democratas com uma visão que já aceita o capitalismo porém abraça a ideia de um estado mais interventor, a visão de Jean Jacques Rousseau passa a ser mais aceita, o autor aborda uma visão mais coletivista, em que existe um contrato social (nome de sua obra) implícito, em que acordamos o pagamento de impostos em troca do bem comum. 

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Vamos fazer um exercício de considerar que pagamos impostos não porque somos obrigados, mas porque queremos contrapartidas do Estado, assim como pagamos por uma assinatura da Netflix para ter acesso a plataforma, uma relação normal de mercado. O IVA projetado para o Brasil com a reforma tributária chegará a um patamar entre 26,5% e 28%. A média da OCDE, entidade cuja maior parte dos membros são países de alta renda, é de 19%. 

No Brasil, estamos cobrando acima da média dos países desenvolvidos. É comum ouvirmos no debate público e nas redes sociais que o Brasil deveria cobrar justamente mais impostos por ser um país mais pobre e precisar de mais recursos. Para fins de comparação, podemos analisar o caso de países similares ao Brasil utilizando como critério o PIB Per Capita, como México e Turquia. O IVA do México é de 16%, o IVA da Turquia é de 20%. Se a tese econômica de que o país mais pobre deveria tributar mais estiver correta, aparentemente só o Brasil está correto (contém ironia). Acrescento ao raciocínio o fato de que seria uma distorção da realidade supor que o Estado que menos oferece estrutura seja ainda o mais caro, concluir isso é negar uma lógica de mercado. 

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Outro argumento que escuto é que o Brasil precisa tributar mais pois tem população e região maiores, consequentemente o gasto do Estado precisa ser maior. Vejamos os casos de China e Índia, a China apresenta uma alíquota de até 17%, a Índia em aproximadamente 18%. É importante ressaltar que os países citados possuem tributação de renda que podem ultrapassar a tributação brasileira, mas o foco do artigo está em buscar o denominador comum no IVA ou sistemas similares. 

O imposto, independente do melhor ou pior uso do recurso pelo Estado, é um custo adicional. Esse dinheiro sairá das mãos do contribuinte e será usado pela máquina política. Quando vejo casos de países subdesenvolvidos, com problemas de governança pública, corrupção, centralização de poder, me impressiona alguém ter a conclusão de que entregando ainda mais recursos para esse sistema, teremos soluções práticas para os nossos problemas. 

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O Estado brasileiro é uma máquina de ineficiência que além de não gerar os benefícios proporcionais ao que arrecada, acaba desincentivando a produção e renda da população devido ao seu alto custo. O mesmo empresário no México, na Turquia, na China, terá mais incentivo econômico para investir, produzir e lucrar. 

Uma frase de Dom Pedro II precisa ser lembrada: “Enquanto se puder reduzir a despesa, não há direito de criar novos impostos.” O Estado brasileiro está gastando e quem produz está pagando a conta sem contrapartida. No caso do Brasil, eu não tenho dúvidas de que o imposto é realmente roubo. 

*Germano Laube é Especialista em mercado financeiro, consultor de investimentos e sócio cofundador da LDC Capital.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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