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Policial e ativista do MBL, Gabriel Monteiro fala sobre o processo administrativo: ‘Não falhei minimamente’

Mais popular ativista do MBL do Rio de Janeiro, o youtuber, influenciador e policial militar Gabriel Monteiro conversou com o Boletim da Liberdade sobre o processo que quase resultou em sua suspensão da PMERJ

- Publicado no dia
Foto: Reprodução/YouTube

O policial Gabriel Monteiro voltou às manchetes do Boletim da Liberdade no final de agosto após ter sido alvo de um processo administrativo disciplinar dentro da Polícia Militar do Estado de Janeiro. Os motivos questionáveis logo foram vistos por suas centenas de milhares de seguidores como uma espécie de perseguição política contra sua atuação como ativista político e influenciador nas redes sociais. Seu nome tornou-se hashtag nas redes e, horas após o ofício, o comandante da PMERJ interveio e anulou o processo.

Monteiro faz sucesso com seu canal do YouTube que já acumula 605 mil inscritos. Ali, entre outros temas, aparece questionando militantes, estudantes e outros ativistas sobre suas opiniões políticas, em estilo que lembra o que deu sucesso a Arthur do Val, do canal “Mamãe Falei”. Com a farda, aborda nas redes sociais o orgulho da atividade policial, bem como os desafios da atividade.

Não demorou para o estilo de Gabriel Monteiro fazer sucesso. Suas atividades nas redes tiveram início no final de 2018 e, hoje, tornou-se uma das estrelas do Movimento Brasil Livre, entidade que se filiou para logo se tornar uma das principais lideranças do Rio de Janeiro. A primeira conversa que Monteiro teve com o Boletim foi em abril, quando palestrou na I Conferência Estadual do MBL do Rio de Janeiro. Conversamos novamente com o ativista para compreender sua visão sobre os episódios mais recentes em sua carreira.

Boletim da Liberdade: Na sua opinião, por que o Secretário de Polícia Militar, General Figueiredo, decidiu anular o ato que te submeteu ao Conselho de Revisão Disciplinar?

Gabriel Monteiro: Existem alguns requisitos para você abrir um PAD [Processo Administrativo Disciplinar] contra um policial e eu acredito que não tenha os preenchido. Como não tem um fato constatado de ilegalidade, uma falta do pudor militar e como eu não transgredi a disciplina, o ato publicado pela Polícia Militar contra mim veio com inúmeros erros e equívocos.

Ao todo, foram 38 DRDs, que são documentos de razão e defesa, e eu os respondi, mostrando que eram equívocos e poderiam até ter sido emitidos com o intuito de perseguição. Eu demonstrei que não cometi as falhas que ali estavam se conjecturando formalmente contra mim, o que foi comprovado. Consegui demonstrar dentro do próprio procedimento que eu não falhei minimamente, que não houve nenhum erro dentre os apontados pelas 38 acusações disciplinares feitas [contra mim].

Então eu não falhei. Muitas [acusações] vieram até com erros banais, como eu ter faltado um determinado dia, sendo que naquele dia eu estava servindo à sociedade, conforme o programado. Então realmente foram muitos erros, todos eles esclarecidos pelo Coronel que assim julgou.

Eu demonstrei que não cometi as falhas que ali estavam se conjecturando formalmente contra mim, o que foi comprovado. Consegui demonstrar dentro do próprio procedimento que eu não falhei minimamente, que não houve nenhum erro dentre as 38 acusações disciplinares feitas.


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Além dessa análise, o General [de Polícia Militar Rogério Figueiredo] também percebeu que havia um forte clamor social e que eu não desonrava a classe da Polícia Militar. Uma das alegações nas acusações, inclusive, era que eu poderia causar problemas à imagem da Polícia Militar. [Essa acusação] é algo totalmente contraditório, uma vez que foi visto que eu subi aos trends [topics] do Twitter [expressões mais usadas], obtive o alcance de milhões de pessoas no Facebook às minhas publicações e houve um forte pedido da própria sociedade em massa para a anulação do meu afastamento [da Polícia].

Então, tudo o que ali foi publicado, o primeiro ato contra mim, veio recheado de vícios, falhas, equívocos que o próprio General, a maior autoridade da Polícia Militar, não teve outra visão a não ser enxergar que realmente estava errado, equivocado, e eu realmente estava sofrendo uma injustiça. Por isso, eu acredito que ele tenha feito a revisão.

Gabriel Monteiro, policial militar e ativista do MBL, em foto durante operação na Rocinha (Foto: Reprodução/Facebook)

Boletim da Liberdade: Você acreditava, ou te surpreendeu, que o ato que te enviou ao Conselho poderia ser anulado no alto escalão?

Gabriel Monteiro: Eu sabia que havia a possibilidade administrativa [de anulação] diante do regulamento, isto é, de que poderia se sustar um ato. Isso está dentro do programado e já ocorreu outras vezes, não comigo, mas com outros policiais.

Ou seja: sempre houve essa possibilidade, não foi criado qualquer instituto para mim. Eu não exatamente esperava que isso iria ocorrer, mas tinha a esperança, que seria a melhor palavra para definir. Eu tinha a esperança que isso ocorresse uma vez que eu estava sendo vítima de uma injustiça.

Boletim da Liberdade: Você escreveu nas redes sociais que já esperava que um dia esse tipo de situação poderia ocorrer. Você enxerga perseguição política no que você sofreu? Consegue identificar quem se incomoda com a sua atuação?

Gabriel Monteiro: Olha, eu tinha certeza que um dia iria ser instaurado um PAD [Processo Administrativo Disciplinar] contra mim. Porque, infelizmente, a nossa atuação desagrada muitas pessoas que estão acomodadas a um sistema retrógrado e ineficaz para a sociedade e para elas próprias. Então, sim, eu já esperava [que esse tipo de situação poderia ocorrer] porque um ato administrativo não precisa ser muito bem fundamentado, um PAD é muito mais para se estudar o caso – ainda que isso atrapalhe e muito a vida do policial.

Gabriel Monteiro entre Kim Kataguiri (esquerda) e Arthur do Val (direita), ambas lideranças do MBL (Foto: Reprodução/Facebook)

Nem sempre as autoridades utilizam de suas prerrogativas legais como um modo de se fazer justiça ou como um modo de operacionalizar as ações administrativas de forma correta. Então eu já esperava vendo o exemplo de outros policiais que já sofreram e até sanções piores do que a que eu sofreria justamente por falar o correto e também exercer os seus direitos constitucionais. Eu estava mexendo com pessoas que estavam muito acomodadas a um sistema que precisa de reforma.

Um ato administrativo não precisa ser muito bem fundamentado, um PAD é muito mais para se estudar o caso – ainda que isso atrapalhe e muito a vida do policial. Nem sempre as autoridades utilizam de suas prerrogativas legais como um modo de se fazer justiça ou como um modo de operacionalizar as ações administrativas de forma correta.

Boletim da Liberdade: Diversos seguidores e fãs levantaram a hashtag “Somos Todos Gabriel Monteiro” nas redes sociais. Como você enxerga essa manifestação? 

Gabriel Monteiro: Eu fico estarrecido positivamente, uma vez que a Polícia Militar, historicamente, tem problemas de entendimento social. A sociedade, muitas vezes, não compreende a natureza do serviço policial e acha que a atuação dela é exagerada, sendo que muitas vezes é apenas um remédio que é necessário por causa de uma doença, isto é, um outro problema. Muitas vezes, as pessoas não conseguem observar que a Polícia Militar é comparável ao que a quimioterapia faz com o câncer. A gente não pode culpar a quimioterapia pelos seus efeitos colaterais: o problema é o câncer, não o tratamento.


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Então, me gera um sentimento muito bom por saber que a sociedade está acordando e vendo que o nosso trabalho é importante. Importante, sobretudo, para a sociedade mais pobre, que carece de proteção maior do Estado, uma vez que ela não consegue se armar, não consegue comprar carro blindado, não consegue ter uma mansão com muro de três ou quatro metros, cerca elétrica. Isso me gera uma satisfação muito grande e eu fiquei lisonjeado.

[O trabalho policial é importante sobretudo] para a sociedade mais pobre, que carece de proteção maior do Estado, uma vez que ela não consegue se armar, não consegue comprar carro blindado, não consegue ter uma mansão com muro de três ou quatro metros, cerca elétrica. Isso me gera uma satisfação muito grande e eu fiquei lisonjeado.

Boletim da Liberdade: Ficou surpreendido com as reações?

Gabriel Monteiro: Não fiquei surpreendido porque não é de hoje que a sociedade brasileira me abraça. E não me refiro apenas à sociedade carioca, ou niteroiense [N.E.: Gabriel Monteiro é do município de Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro].

Não é de hoje que eu saio às ruas e sou parado para tirar foto, conversar com as pessoas, que as famílias cariocas vão até o meu batalhão. Não é de hoje que eu não consigo parar numa farmácia para comprar um remédio sem ter duas, três, quatro pessoas querendo conversar comigo, querendo fortalecer o meu ânimo, fortalecer a minha atuação política.

Não fiquei surpreendido, portanto, ou um fato que eu possa ter falado que “nunca esperava isso”. Mas [o apoio da sociedade] eu amei, gostei, surpreso no sentido de felicidade, não no sentido de não ter a capacidade de fazer um prognóstico e ter visto que isso um dia poderia ocorrer.

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