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‘A gente ajudou na mudança de mentalidade do brasileiro’, diz CEO do Instituto Millenium ao Boletim

Em entrevista exclusiva concedida ao Boletim da Liberdade, Priscila Pereira Pinto fala sobre nomeações de quadros ligados ao IMIL para o novo governo, projetos pela frente e novo momento do país

- Publicado no dia
Priscila Pereira Pinto, diretora-executiva do Instituto Millenium (Foto: Divulgação)

Das muitas organizações que atuam na defesa da economia de mercado no país, o Instituto Millenium está entre aquelas cujo ano de 2018 foi mais especial. Com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República, muitos especialistas ligados ao think tank com sede no Rio de Janeiro foram escolhidos para compor o futuro governo, especialmente na área econômica, que terá um forte viés liberal.

À frente do desafio de comandar o superpoderoso Ministério da Economia e anunciado desde a pré-campanha como avalista de Bolsonaro no tema, está o economista Paulo Guedes, um dos nomes da Câmara de Fundadores do IMIL e muito respeitado no mercado. Além dele, para citar alguns, destacam-se quadros como Salim Mattar (futuro secretário de privatizações), Marcos Troyjo (futuro secretário de comércio exterior) e Paulo Uebel (membro da comissão de transição).

Paulo Guedes defende o regime de capitalização na Previdência Social para as novas gerações em evento promovido pelo Instituto Millenium com formuladores dos planos econômicos dos principais candidatos à presidência da república. (Foto: Boletim da Liberdade)

Fundado em 2005, em pleno governo Lula e em ambiente inóspito a valores liberais, o Instituto Millenium é um dos think tanks precursores do novo movimento de difusão de ideias pró-liberdade no país, que começou a tomar forma no final da última década.

Apartidária, a organização já lançou livros, eventos, vídeos e podcasts, além de já ter contado com a participação ativa de nomes como Henrique Meirelles (na Câmara de Fundadores), Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central e atual presidente da Fundação Novo), Paulo Gontijo (atual diretor-executivo do movimento Livres), Helio Beltrão (atual presidente do Instituto Mises Brasil) e Rodrigo Constantino (economista e atual presidente do conselho deliberativo do Instituto Liberal).

Para conversar sobre o Instituto Millenium, a nomeação de diversos quadros da organização ao governo e sobre projetos para o futuro, o Boletim da Liberdade entrevistou com exclusividade a diretora executiva do IMIL, Priscila Pereira Pinto. Segundo ela, trata-se de um “orgulho enorme” essas nomeações e é “empolgante” ver que muitas das ideias defendidas pelo IMIL finalmente chegaram ao governo. Confira:

Boletim da Liberdade: Diversos nomes ligados ao Instituto Millenium foram escolhidos para participar do governo do novo presidente, Jair Bolsonaro. Entre eles, Paulo Guedes, Paulo Uebel, Salim Mattar e Marcos Cintra. Como o IMIL enxerga essas nomeações?

Priscila Pinto: A gente está sentindo um orgulho enorme. O Instituto Millenium contribui há mais de dez anos com conteúdo para um público bem amplo. Ao longo desses dez anos, essas pessoas fizeram parte da nossa rede de articulistas, rede de entrevistados, rede de conselheiros.

Foi muito empolgante para o instituto ver que esse conteúdo, isto é, as ideias que eles compartilhavam no nosso site, nas nossas redes sociais, nos nossos eventos e no “IMIL na sala de aula”, chegaram ao governo. Por essas pessoas serem muito técnicas e preparadas, acabam sendo convidadas a executar propostas específicas com todo esse conhecimento que têm.

É um conhecimento que eles já estavam compartilhando com a sociedade há mais de dez anos. Por isso, há o orgulho enorme de terem sido escolhidos, convidados, abdicando um pouco de suas vidas privadas para servir ao Brasil. Isso é um espetáculo.


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Boletim da Liberdade: O Instituto Millenium completa, em 2019, 14 anos de existência, tendo sido criado em pleno governo Lula. Agora, ideias liberais estarão mais próximas do governo. Qual será o papel do IMIL neste novo momento?

Priscila Pinto: O Instituto Millenium, desde a sua fundação, foi um think tank. Ou seja: um centro de conhecimento. Nossa missão desde o início é refletir sobre quatro temas: democracia, Estado de Direito, economia de mercado e liberdade de expressão.

Desde que viramos Oscip, em 2009, passamos a ter um site bem organizado e conseguimos trabalhar essas mensagens. Olhando para trás, o que a gente percebeu é que o nosso papel foi essencial nesses últimos tempos para passar esse conteúdo para a sociedade civil, para instituições parceiras, para a mídia tradicional, para jovens e para empreendedores.

As pessoas começaram a ter uma mudança de mentalidade. É uma abordagem diferente quando elas percebem que são responsáveis pela própria vida, próprias conquistas, dificuldades e vitórias. E, principalmente, que existem outras opções para um país onde um Estado domina tudo, controla tudo, controla a vida. Há uma alternativa a isso. A gente ajudou essa mudança de mentalidade, de percepção do mundo do brasileiro nos últimos dez anos.

Nossa missão, contudo, continua exatamente igual. É lógico que vai ser um prazer poder ouvir pessoas no governo falando de propostas e projetos que a gente já vem defendendo há muito tempo. O nosso momento só cresce, só melhora, porque a gente já está no ouvido da sociedade, no coração dos jovens e empreendedores.

As pessoas começaram a ter uma mudança de mentalidade. A gente ajudou essa mudança, de percepção do mundo do brasileiro nos últimos dez anos.. Nossa missão, contudo, continua exatamente igual. 

Acreditamos que vamos ajudar esses grupos a se comunicar com nossos representantes que, agora, possuem uma visão mais liberal de economia. Isso é muito importante para a evolução, para o desenvolvimento real do Brasil no longo-prazo.

Boletim da Liberdade: Um dos principais projetos do Instituto Millenium é o “IMIL na sala de aula”, que leva palestras para universidades do Brasil. Como a senhora avalia os resultados desse projeto?

Priscila Pinto: O IMIL na sala de aula é o meu “bebê”. É um projeto que eu criei em 2011 para o Instituto Millenium. Antes de virar CEO do Instituto, dava palestras para universidades, lidava diretamente com jovens, e percebia que faltava conteúdo em sala de aula, até nas apresentações dos professores, para que pudessem debater qualquer assunto. Por exemplo, direitos humanos, microeconomia.

Havia um déficit de conteúdo tanto material quanto oral. Os professores só tinham uma visão já estabelecida. Entravam em sala de aula, só passavam essa visão e os alunos compravam a ideia, mas no fundo ficavam em dúvida se só tinha isso mesmo funcionando no Brasil.

Como tínhamos uma rede de 120 especialistas no Instituto Millenium, nos perguntamos sobre o por que não convidar essas pessoas para palestrar nas salas de aula. Muitos não são professores, sequer palestrantes, mas são especialistas, técnicos nas áreas que atuam. Essas pessoas podiam entrar em sala de aula e conversar, por exemplo, sobre o que é o tripé econômico, o que é a liberdade de expressão, o que são as fake news.

O alvo inicial eram as universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Mas o projeto ficou de tal tamanho que até as particulares começaram a convidar o Instituto Millenium a entrar. O nosso relacionamento é diretamente com os alunos: a gente não passa pela burocracia de reitoria, de conversas com mil departamentos entre universidades. Não é essa a proposta.

CEO do Instituto Millenium, Priscila Pereira Pinto ao lado de Patrícia Blanco, que ministrou a 100ª aula do projeto “Imil na Sala de Aula” (Foto: Reprodução/Facebook)

Os alunos que estão interessados em ouvir o outro lado sobre economia, o outro lado sobre direito, o outro lado sobre liberdade de expressão, entram em contato com o Millenium. A gente manda cinco biografias de especialistas que a gente tem, o aluno escolhe qual pessoa ele quer ouvir e o instituto paga para essa pessoa viajar. Seja para Pernambuco, seja para o Rio Grande do Sul [n.e.: a sede do Instituto Millenium está localizada no Rio de Janeiro]. Com isso, formamos quase um intercâmbio. O aluno pode estar em Belo Horizonte e pedir alguém de outro lado do Brasil, por exemplo, para ocorrer essa aula.

O alvo inicial [do IMIL na sala de aula] eram as universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Mas o projeto ficou de tal tamanho que até as particulares começaram a convidar o Instituto Millenium a entra

Ao fim, o Instituto Millenium solicita que a aula seja gravada ou então que seja dado um depoimento sobre o que foi entendido. A proposta era essa: realmente aproveitar o talento dos nossos articulistas para ajudar o aluno a debater na sala de aula. Ou seja: uma experiência universitária diferenciada. Acabou virando um fenômeno.

Agora, a demanda são duzentas edições por ano. E como o Millenium é uma ONG, não temos verba para entregar tantas edições. Colocamos umas metas, tentamos bater, mas temos poucos recursos. Por isso, estamos buscando novos colaboradores, sejam empresas ou gente generosa que acredita na importância desse debate. E para poder financiar esse deslocamento, esse intercâmbio de ideias entre universidades e o IMIL.


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Boletim da Liberdade: Desde que o “IMIL na sala de aula” começou até os dias atuais, é possível perceber alguma diferença na recepção dos alunos? 

Exemplo de cartaz de aula “Imil na sala de aula”, organizado pelo Instituto Millenium com alunos da UERJ, em 2014 (Foto: Reprodução/Facebook)

Priscila Pinto: Cem porcento. Vou te falar que, na nossa primeira edição, chegamos a ficar um pouco amedrontados. Foi na UnB, com o Demétrio [Magnoli] e sobre direitos humanos. O Demétrio é uma pessoa muito corajosa e absolutamente empenhado em falar o que acredita. Brilhante. Mas tínhamos esse medo sobre qual seria a reação. Ainda que metade da turma entendesse a proposta, porque foram eles que nos procuraram, havia outra metade que não sabia o que estava acontecendo.

O fato é que foi uma recepção fantástica e o próprio professor foi sensacional. Todos ouviram, na paz; conversaram e debateram. O Demétrio saiu muito feliz, satisfeito com a liberdade de falar, ser ouvido, mas também por ter ouvido e entendido.

Tem sido assim. Incrivelmente mais fácil do que a gente imaginava. Apesar de a imprensa falar o tempo inteiro que as universidades estão sendo tomadas por uma certa ideologia, tem muita gente que quer ouvir e quer debater com liberdade. A gente tem sido recebido com muita facilidade, calor humano, salas lotadas. Começa com a turma de 50 e, quando vai ver, uma turma conta pra outra e nos deparamos com uma sala com 200 alunos. Tem sido fantástico. É um projeto que me dá muito orgulho. Realmente dá certo.

A gente tem sido recebido com muita facilidade, calor humano, salas lotadas. Começa com a turma de 50 e, quando vai ver, uma turma conta pra outra e nos deparamos com sala de 200 alunos. Tem sido fantástico. É um projeto que me dá muito orgulho. Realmente dá certo.

Seminário ‘Liberdade em Debate’, ocorrido em 2011, organizado pelo Instituto Millenium. (Foto: Reprodução/Facebook)

Boletim da Liberdade: O economista Rodrigo Constantino alertou nas redes sociais preocupação de que, com a chegada das ideias liberais ao governo, as organizações e think tanks como o Instituto Liberal e o Instituto Millenium percam força por eventual acomodação dos mantenedores. Esse e um risco real? Caso sim, como combatê-lo?

Priscila Pinto: Concordo plenamente. O Rodrigo é um dos fundadores do Instituto Millenium, uma pessoa brilhante, e esse sentimento eu compartilho com ele. Já cheguei a ter esses momentos, nesse ano, de mantenedores darem os parabéns e falarem: “agora que a gente chegou lá, fui”. Algumas pessoas deixam as organizações para trás. Isso é muito cultural dos brasileiros, mas a gente vem tentando ensinar que não é assim. Afinal de contas, é justamente quando o time está ganhando que se deve investir mais nele, em vez de enfraquecê-lo.

Não acredito, porém, que a gente feche, ou que os think tanks venham a acabar, ou que os liberais percam força no terceiro setor apenas porque, no governo, temos um grupo de pessoas que pensam como a gente. O Instituto Millenium, que tem um bom relacionamento com alguns desses especialistas que vão para o governo, ainda será um espaço de conteúdo para que se possa ouvir qual é a pauta. Essas pessoas vão querer entender o que está sendo conversado aqui com a sociedade justamente para não perderem o foco. E, embora essas pessoas não possam passar informações de dentro [do governo], acredito que poderão participar de eventos, panoramas e outras iniciativas.

Já cheguei a ter momentos, nesse ano, de mantenedores darem os parabéns e falarem: “agora que a gente chegou lá, fui”. Algumas pessoas deixam as organizações para trás. Isso é muito cultural dos brasileiros, mas a gente vem tentando ensinar que não é assim. Afinal de contas, é justamente quando o time está ganhando que se deve investir mais nele, em vez de enfraquecê-lo.

Por isso, os liberais, as diferentes organizações, think tanks, poderão ganhar mais força se continuarem com a missão de ter uma mensagem unificada. Afinal, esse grupo que vai para o governo precisa de conteúdo mais do que nunca. Precisam manter o pé no chão, precisam saber o que está sendo discutido com os jovens, com os empreendedores. Isso fará a ligação ficar mais forte.

Não tem, por isso, o risco de que vamos fechar tudo, que a missão está cumprida. Ainda que a gente ouça eventualmente isso de empresas grandes, que achavam que não tinham luz no fim do túnel e hoje vejam e reajam assim, tem muitas empresas e empresários de médio-porte que fazem questão de estarem juntos com think tanks como o Millenium porque sabem que há quatro anos pela frente. No mínimo. Querem ajudar a manter os liberais no governo para botar o Brasil nos trilhos.

Então, nesse ponto, eu discordo com o Rodrigo. Apesar de eventualmente dar desânimo e ser frustrante, após um trabalho de tantos anos, lidar com parceiros que querem deixar de apoiar, é possível conversar e explicar. Repetindo que a nossa missão continua forte, vamos ficar vivos e atuando por ainda muito mais tempo.

Instituto Millenium organizou o “Dia da Liberdade de Impostos” no Rio de Janeiro em 2013, para conscientizar cariocas sobre a alta carga tributária (Foto: Reprodução/Facebook)

Boletim da Liberdade: Obrigado pela entrevista. Aproveito para perguntar, por fim, se existem novidades e projetos que podemos esperar no Instituto Millenium para os próximos anos.

Priscila Pinto: Claro! No ano que vem, a gente vai investir pesado no projeto “Millenium Fiscaliza”, que chegamos a fazer um teste esse ano. É um botão em nossa homepage, no site www.institumillenium.org.br, que leva para uma página especial com artigos sobre gastos públicos. A ideia é levar os nossos seguidores e leitores para uma viagem de, primeiramente, questionamento e, depois, de ação. É você entrar no “Millenium Fiscaliza”, ler um artigo que vai mostrar, por exemplo, que alguém gastou dinheiro público com jatinho em vez de educação. Dali, você poderá comparar coisas boas que estão acontecendo no Brasil, de empresas privadas e públicas que estão investindo dinheiro em programas certos e lugares certos. E, depois, você volta ao assunto do escândalo de quem não está usando o dinheiro corretamente e diz: ‘para você influenciar essa pessoa, entre em um site como o Poder do Voto, Ranking dos Políticos, e outros parceiros mais ativistas no mercado’.

Ou seja, vamos abordar primeiro um problema, mostrar que existem alternativas boas acontecendo no país para contornar esse problema e, ao fim, mostrar ao leitor que é preciso cobrar daquelas pessoas uma atitude diferenciada. Em resumo, a pessoa vai ler, entender o que está acontecendo e, se quiser, tomar uma atitude. Queremos que nossos leitores fiquem atentos, analisem o que está ocorrendo e, ao fim, tenham acesso a dicas de como atuar.

Queremos que nossos leitores fiquem atentos, analisem o que está ocorrendo e, ao fim, tenham acesso a dicas de como atuar.

A gente também está trabalhando no aprimoramento do aplicativo do Instituto Millenium, hoje disponível tanto para o iPhone quanto para o Android. Agora, vai ter uma parte também para conteúdos especiais para nossos assinantes, mas isso está sendo estruturado. Haverá um convidado especial que estará dando conteúdo bem exclusivo no nosso aplicativo.

Também avançaremos no “IMIL na sala de aula”, agora com parceria com a Gol. Conseguimos fechar esse ano uma parceria com a empresa aérea e, por causa disso, acreditamos que será possível aumentar o número de edições no ano que vem por causa da colaboração nas passagens aéreas.

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