O CORPORATIVISMO na prática (Em parceria com Zaíra Azeredo) – Colunas – Boletim da Liberdade
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O CORPORATIVISMO na prática (Em parceria com Zaíra Azeredo)

10.02.2022 07:54

Em nosso primeiro artigo da série sobre corporativismo, mostramos como esse mal sequestrou a cultura política de nosso país. Nesse artigo falaremos de como ele se apresenta na prática e quais possíveis caminhos para nos libertarmos dele.

– Quem são os corporativistas?

São grupos de pessoas ou empresas que representam agrupamentos econômicos e tornam-se “sócios invisíveis” dos políticos eleitos, tanto do executivo quanto do legislativo. Os “sócios invisíveis” mais fortes no Brasil são aqueles que representam os setores: construtoras, agropecuária, mineradoras, igrejas evangélicas, grandes oligopólios, sindicatos, funcionários públicos do alto escalão, planos de saúde e empresários do futebol.

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Dependendo do nível do ente federativo que o mandatário for atuar, certos grupos econômicos apresentam maior ou menor protagonismo. O que determina onde o corporativismo vai “investir” é a capacidade do político eleito garantir, por meio do seu mandato, benefícios previamente combinados.

– Como o corporativismo opera?

A cada eleição, parlamentares, prefeitos, governadores e presidente são eleitos, para atenderem, principalmente, interesses do corporativismo. Nesta “parceria invisível” entre o corporativismo e o político, o primeiro oferece alguma vantagem para o segundo e ele retribui com o uso das atribuições de seu mandato, como servidor público, para servir o “sócio corporativista”.

No quadro a seguir apresentamos os tipos de vantagens oferecidas aos políticos:

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Embora esses políticos eleitos devessem ser representantes do povo, eles acabam usando seus mandatos para proporem e/ou alterarem leis, com a finalidade de beneficiar ou impedir a perda de privilégios destes grupos de interesse. Ou seja, para atenderem seus “sócios invisíveis”.

– Consequências dessa parceria entre o político e o corporativismo:

Como os mandatários precisam atuar, na maioria das vezes, contra o interesse público, para se elegerem precisam explorar as vulnerabilidades do povo. Em suas campanhas, abusam da polarização, do populismo e do assistencialismo.

Sendo assim, observamos que o fazer político se reduz a um grande teatro de cartas marcadas, onde a população é manipulada das formas mais cruéis possíveis. A política do debate de ideias existe para o eleitor, mas o candidato está ali para atender interesses já definidos. A política foi arrebatada pelo corporativismo.

– Como se libertar?

Libertar nossa política deste sequestro não será fácil, mas não é impossível.

São três pilares principais de atuação que poderão promover forças contra o corporativismo. São eles:

1. Educação: Só um eleitor mais educado e crítico, capaz de desenvolver sua cidadania, caminhando com as próprias pernas, poderá se libertar do assistencialismo e do populismo, principais armas dos políticos acoplados pelo corporativismo.

2. Fortalecimento das instituições democráticas: O corporativismo tem uma tendência de favorecer regimes autoritários, que atacam ou aparelham as instituições democráticas. Isso porque, quanto mais fortes forem as instituições que regulamentam, ou organizam, a vivência social, política e econômica de uma sociedade, mais dificuldade eles encontram para impor suas vontades.

3. Fortalecimento das ideias liberais: o liberalismo, por essência, defende que a atuação do Estado deva ser simples e essencial para o ordenamento, desenvolvimento e segurança da vida em sociedade. Por outro lado, o corporativismo para atuar em seu benefício precisa de um Estado poderoso e capaz transferir esse grande poder a grupos de privilegiados. Portanto, a promoção da igualdade de oportunidades passa, necessariamente, pela redução do tamanho do Estado e, consequentemente, pela redução da capacidade de manipulação do poder do corporativismo.

Nas próximas eleições os corporativistas estarão mais uma vez em ação. No caso das eleições presidenciais, Lula e Bolsonaro já mostraram terem sido acoplados pelos corporativistas. Mas, caso eles percebam o desgaste destes dois, investirão e promoverão um terceiro, uma tri-polarização, e, assim, garantirão a sua manutenção no poder. No caso do legislativo, os personagens das bancadas temáticas estão fechando seus acordos neste período pré-eleitoral. Embora sempre tenhamos renovação de alguns nomes de mandatários, os corporativistas garantem uma rede segura de candidatos apoiados por eles para que sempre elejam seus representantes.

Portanto, ao votar para executivo ou para o legislativo, temos que ter muita atenção aos apoios, financiamentos e às campanhas milionárias. Participem de grupos de debate, saiam da bolha, ouçam opiniões divergentes, avaliem críticas que são feitas aos candidatos de sua preferência. E o mais importante, observem suas vidas pregressas. Um mandatário é um servidor público, ele precisa se identificar com essa missão.

A “parceria invisível” sai muito caro para o cidadão brasileiro, pois é uma minoria organizada e poderosa que se impõe sobre o interesse público, para o atendimento de interesses personalíssimos e antirrepublicanos. Essa “sociedade” tão prejudicial para o Brasil precisa ser desfeita. Desvendar esse teatro não é fácil, mas é mais fácil, hoje, do que há 10 anos, e isso já é uma boa notícia.