Favorito para se tornar o próximo Ministro de Relações Exteriores do Chile defende aliança estratégica com o Brasil – Colunas – Boletim da Liberdade

Favorito para se tornar o próximo Ministro de Relações Exteriores do Chile defende aliança estratégica com o Brasil

20.11.2021 11:00

O primeiro turno das eleições chilenas ocorrerá nesse domingo, 19 de novembro de 2021. E as perspectivas são de uma vitória da direita que diretamente impacta o Brasil.

Enquanto a esquerda chilena patina e se autodestrói em meio a acusações de assédio sexual por parte do candidato presidencial de extrema esquerda Gabriel Boric (Coligação Apruebo Dignidad) e a tradicional centro-direita (que hoje mais se aparenta ser só de centro) amargura estar com apenas 6% de intenções de voto, a direita conservadora se consolida com José Antonio Kast (da coligação Frente Social Cristã) se isolando com 38% de intenções de voto.

O cenário, desastroso tanto para a esquerda quanto para a velha elite política de centro no Chile, apresenta um forte potencial de impactar as relações diplomáticas Brasil-Chile. Kast, o candidato presidencial conservador, é conhecido por sua proximidade com o Presidente Jair Bolsonaro e esteve no Brasil em mais de uma ocasião junto ao presidente e seus filhos, inclusive palestrando na CPAC e visitando o presidente em sua casa no Rio de Janeiro.

Somente essa proximidade entre Kast e Bolsonaro já bastaria para indicar uma futura aproximação ente Brasil e Chile, porém o assunto tem sido debatido abertamente pelo provável próximo Ministro de Relações Exteriores do Chile.

O chileno de Osorno, Sven Von Storch é o nome mais cotado para assumir a chancelaria chilena em um eventual governo Kast, tem sistematicamente participado de entrevistas na imprensa chilena e meios políticos da direita onde recorrentemente afirma que Brasil e Chile devem compor uma “aliança estratégica” e “uma relação especial, nos moldes da relação entre Estados Unidos e Inglaterra durante os governos Thatcher e Reagan” bem como apresentando um programa de objetivos e metas para a diplomacia chilena que flerta com o bolsonarismo.

A guinada, caso ocorra, será sentida em um Brasil que amargou relações frias com um governo Piñera instável e que mais se assemelha com o projeto de poder do PSDB no Brasil do que com o bolsonarismo; e pode significar uma importante mudança no cenário diplomático latino-americano.

A “Carta de Osorno”, como alguns tem chamado o manifesto “Uma política externa para o Chile dentro de uma luta pela supremacia global e a ordem mundial” de Storch, ostensivamente menciona uma “nova guerra fria” entre “globalistas e patriotas”, um conflito latente entre China e Estados Unidos pelo controle da política monetária internacional, a necessidade de uma aliança para enfrentar o terrorismo – mencionando Venezuela e Cuba como fatores de desestabilização na América Latina, e aponta o controle de discurso por parte das Big Techs como sendo uma ameaça à liberdade de expressão a nível mundial.

O texto, traduzido em português, segue abaixo na integra:

Uma política externa para o Chile dentro de uma luta pela supremacia global e a ordem mundial
Por Sven Von Storch

A política e a economia mundial perante à agitação histórica

O mundo se enfrenta em dois campos cruciais. O primeiro, é a luta por uma possível nova ordem mundial. A supremacia global dos Estados Unidos foi substituída por uma disputa entre os Estados Unidos e a China pela supremacia mundial. E, em segundo lugar, o sistema monetário e financeiro internacional está à beira de um colapso sem precedentes.

Estes dois fatores colocam a ordem, a estabilidade e a segurança do mundo, do Chile e de seus cidadãos em uma situação perigosa, porque em particular a América Latina corre o risco de converter-se em um peão entre as potências mundiais, como foi durante a Guerra Fria. O Chile pode ser fragmentado nesse conflito.

Os patriotas: Os preservadores dos estados nacionais soberanos

Essa luta de poder entre as duas potencias mundiais é também a luta por duas visões: qual deve ser a ordem mundial e como se deve governar este mundo no futuro. Estas duas visões diferentes são a dos patriotas e a dos globalistas. Toda a luta política que vemos nos Estados Unidos se baseia nesse conflito entre patriotas e globalistas. Os patriotas querem preservar a ordem internacional existente, historicamente estabelecida, de estados nacionais soberanos, que se fundou na Europa com a Paz de Vestefália em 1648, e que garantiu a estabilidade interna e a ordem das nações em todo o mundo inclusive em tempos da Guerra Fria. Os patriotas querem proteger as fronteiras nacionais, a economia nacional, a democracia, a separação de poderes, a constituição, o estado de direto, os parlamentos, o governo, a liberdade de expressão, a própria identidade cultural, e a família como núcleo da sociedade, entre outras coisas.

Os globalistas: a aliança de grandes multinacionais e a esquerda internacional

Do outro lado do conflito estão os globalistas. Se trata de uma aliança entre grandes empresas multinacionais e a esquerda internacional. Este grupo quer abolir gradualmente o estado-nação e substitui-lo por uma governança global. Através do processo que denominam globalização, os mecanismos de proteção com os que o estado-nação garante os seus cidadãos seus direitos civis e sua liberdade frente aos interesses globais, sendo tais mecanismos como as fronteiras nacionais, a economia nacional, os direitos civis, a liberdade de expressão, a democracia, a identidade cultural, entre outros. Estes mecanismos de proteção, sob a ótica globalistas, são dissolvidos, para assim induzir a sociedade a um novo formato de ordem global. Os interesses d os globalistas não são locais nem nacionais: são globais. E seus interesses são impostos em todo o mundo por instituições supranacionais, como a ONU, a União Europeia, o FMI, ONG’s autofinanciadas, o Fórum Econômico Mundial, a OMS, o Fórum de São Paulo, o Grupo de Puebla e por Big Techs, que juntos conformam a nova burocracia da governança global, bem como os think tanks internacionais das Big Business e do Big Money que sustentam essa estrutura.

O neomarxismo é a ideologia de salvação dos globalistas

A aliança das duas correntes globalistas está unida por uma ideologia comum: o neomarxismo. O filósofo e investigador do totalitarismo Eric Voegelin vê nele uma ideologia gnóstica. Esta ideologia promete al homem uma liberação de todos seus medos e penúrias na Terra, um paraíso terrenal. Porém, o preço disso é a destruição dos estados nacionais soberanos com suas ordens estabelecidas, costumes e símbolos. O estrategista militar russo Gerasimov descreve detalhadamente em sua doutrina como se alcança a destruição do estado-nação em três passos: 1. Desestabilização do estado-nação, 2. Revolução ou destruição da ordem, 3. Anexação e transferência a nova ordem. a promessa de um paraíso, por suposto, nunca se cumprirá; só a destruição do ordem dado.

La luta monetária entre patriotas e globalistas

No centro da luta ou guerra internacional destes atores globais para os próximos 10 a 20 anos está a disputa por qual é e será a moeda de reserva do mundo: a moeda de reserva internacional atual (o dólar dos EUA) ou o yuan chinês. Os patriotas dos EUA querem que o dólar seja mantido como a moeda de reserva mundial e a principal moeda internacional, ademais de preservar o estado-nação. Para os globalistas, não importa se o yuan ou o dólar são a moeda de reserva mundial a médio ou longo prazo. Para eles é mais importante que o estado-nação seja abolido e substituído por uma governança global. A moeda de reserva mundial apenas deve servir ao modelo de governança global e não é decisivo se o sistema financeiro mundial é controlado desde Pequim ou Washington. O importante para os globalistas é que seus interesses estejam assegurados.

O perigo da hiperinflação mundial

O controlador do Twitter, Jack Dorsey, adverte dos perigos de uma hiperinflação mundial. Os
bancos centrais do mundo já não estão à serviço da estabilidade monetária, mas sim do financiamento da dívida. Uma gestão orçamentária sóbria e um estado pequeno são os requisitos para uma moeda estável. Ao invés disso, entretanto, os grandes atores da política mundial, como Estados Unidos, China e a União Europeia, gastam acima de suas possibilidades e ameaçam assim a estabilidade do sistema financeiro internacional. O total da dívida mundial é atualmente de algo em torno dos 300 bilhões de dólares. Isto corresponde a 3,5 vezes a produção económica mundial. O balanço total do Banco Central Europeu (BCE) era de 8,37 bilhões de euros em outubro de 2021, frente a os 5,06 bilhões do ano anterior. Desde a introdução do euro, o balanço total se multiplicou por dez. O BCE está imprimindo atualmente 30.000 milhões de euros cada semana. A Federal Reserve dos Estados Unidos está imprimindo atualmente 40.000 milhões de dólares por semana. O total de seu balanço cresce al mesmo ritmo que o do BCE. A moeda chinesa, o yuan, não é uma alternativa: desde a crise financeira a massa monetária da moeda china cresceu inclusive mais rapidamente que a do dólar. Dorsey tem razão, a hiperinflação global é um perigo iminente.

Chile corre o risco de se envolver nessa luta.

O Chile corre o risco de ser arrastado por este processo de destruição do estado-nação. A dissolução das instituições do estado-nação e a abolição das fronteiras significam caos, anarquia e pobreza. O Chile esteve observando passivamente esta progressão durante demasiado tempo, assumindo a falsa premissa de que o país é indefensável perante estas forças e não pode fazer nada para influir no curso dos acontecimentos. Este fatalismo, esta passividade inquestionável, colocou o Chile em grande perigo e desestabilizou as fundações do país como modelo de êxito. Enquanto há alguns anos o Chile era considerado um país exemplar e modelo na América Latina, hoje existe preocupação pelo futuro nacional e sérias dúvidas sobre se o Chile pode seguir mantendo-se no século XXI como um país politicamente estável, economicamente próspero e soberano.

Chile se encontra hoje em uma encruzilhada

O Chile se encontra hoje em uma encruzilhada: Deixará que estas forças internacionais o esmaguem, o destruam e o dominem? Ou decidirá tomar com suas próprias mãos as rédeas de seu futuro como uma nação soberana e molda-lo e defende-lo pro ativamente? O que necessita Chile para configurar seu futuro de maneira soberana?

1. Neste contexto internacional, o Chile deve formular uma política exterior baseada em sua segurança nacional, que garanta sua soberania e proteja e defenda suas instituições democráticas e constitucionais nacionais.
2. O Chile deve desenvolver um sistema monetário estável e um sistema de rotas comerciais.
3. A liberdade de expressão não deve seguir sendo restringida pelas grandes empresas tecnológicas, para que o processo democrático não esteja em perigo.
4. O Chile necessita fronteiras seguras e forças de segurança fortes.
5. O Chile deve combater e eliminar, usando de todos os meios, o terrorismo, o crime organizado, o narcotráfico e a ação de grupos subversivos do exterior.
6. O Chile deve proteger sua identidade histórica e sua cultura nacional.

Que deve fazer Chile nesse sentido?

1. Chile deve formar alianças com outros países de América Latina, Ásia e Europa que também queiram preservar o estado-nação soberano e defender a ordem internacional baseada nos estados-nação e seguir desenvolvendo tais alianças ativamente nessa crise global.
2. Chile deve ampliar decididamente sua cooperação internacional contra o terrorismo, o crime organizado e o narcotráfico.
3. Chile deve buscar a cooperação com os países exportadores de matérias primas para alcançar uma maior independência no cenário internacional e lutar por uma moeda própria e estável que garanta o poder aquisitivo da população e evite a inflação.
4. Chile deve formar alianças para assegurar e estabilizar as rotas comerciais.
5. Chile deve melhorar e reforçar seus serviços de segurança e luchar contra uma maior penetração das potencias estrangeras que querem desestabilizar a Chile.
6. Chile deve regular as organizações transnacionais como as Big Tech que manipulam e censuram a vida social e política.
7. Chile deveria controlar e gerir melhor a imigração e a concessão da cidadania para atrair pessoas com formação e dispostas a trabalhar, e negar a entrada a personas sem boas intenções.

A segurança nacional: o recurso mais importante na era da insegurança

Não são apenas as organizações criminais transnacionais e a migração descontrolada as ameaças ao estado-nação e sua estabilidade interna: A crise do sistema financeiro mundial desestabiliza estados e continentes inteiros. Se o Chile conseguir criar um oásis de liberdade sob um forte guarda-chuva de proteção nacional mediante uma nova estratégia de segurança, atrairá investimentos e capitais de todo o mundo. Suíça e Singapura se consideram refúgios seguros para os capitais não só porque possuem um forte sigilo bancário, mas também por serem capazes de defender-se de ataques. A segurança nacional não é tudo, mas sem ela tudo se transforma em nada. A segurança é um dos recursos mais importantes e uma das maiores vantagens que pode oferecer um estado no século XXI.

Modelo israelense: O Chile carece de uma estratégia de segurança nacional

O Estado de Israel tem 9 milhões de habitantes, está rodeado por um mundo de inimigos, não possui recursos naturais e mesmo assim consegue proteger suas fronteiras, combater com êxito o terrorismo e assegurar sua existência. Mesmo no período em que o presidente Barack Obama pressionou massivamente a Israel e adotou uma linha pró-árabe, Israel pode proteger seus interesses. Por que razões o Chile, com uma situação incomparavelmente melhor, não poderia fazer o mesmo? O Chile conta com forças de segurança altamente motivadas e bem formadas. O que falta é uma estratégia de segurança nacional que coordene a segurança interior e exterior, o exército e os serviços de inteligência com a diplomacia, a política de informação e de alianças.

Modernizar as forças de segurança e cooperar com os aliados

No século XXI, a segurança exterior e interior já não podem separar-se. O terrorismo, a delinquência organizada, o tráfico de drogas e de personas, a corrupção, a migração massiva: tudo isso se leva a cabo através das fronteiras e dos limites entre os estados; as chamadas organizações não governamentais, o terrorismo e a delinquência estão se integrando. O Hezbollah no Oriente Médio coopera com os carteis de drogas na América Latina, e os globalistas se aliam com traficantes para promover a migração ilegal. Para evitar este ataque à ordem e a segurança, o Chile deve modernizar suas forças de segurança e cooperar internacionalmente com estados afins.

Política monetária: salvaguardando valores na era da hiperinflação

A inflação global e a economia da dívida criam a base para a especulação financeira global, que joga futebol com as economias nacionais. Hoje, não só na geopolítica clássica, mas também na política monetária, há uma batalha entre os EUA e a China sobre qual será o modo de reserva do mundo no futuro, ou seja, quem tem a máquina de imprimir dinheiro mais potente. Isso ocorre às custas de dois estados que cobrem seus lucros de exportação nessas moedas, cujas próprias moedas estão atreladas a elas, cujas reservas e poupanças são investidas em papéis e títulos, e que exportam ativos reais, como matérias-primas e produtos agrícolas que sejam pagas por eles com uma taxa de inflação. A grande tarefa nos próximos dois anos será criar reservas de valores e meios de troca seguros para garantir a estabilidade da prosperidade e do comércio.

A Rússia como modelo: acumulação de reservas de ouro

Mas há uma saída para esse jogo destrutivo: os russos já se prepararam para o possível colapso do sistema financeiro mundial. Desde a crise financeira de 2007, os russos estão comprando ouro sistematicamente. As reservas de ouro da Rússia aumentaram de 400 para 2300 toneladas nesse período. A lógica por trás disso é simples: a Rússia exporta ativos reais, como petróleo e gás natural, e adquire um tesouro de ativos reais em troca, ou seja, o ouro. Se trata de um modelo para que o Chile cubra os benefícios de suas exportações e se proteja da inflação e da especulação mundial. No sistema financeiro mundial, o Chile deve ser jogador e não a bola.

Alternativas ao dólar e ao yuan: moedas baseadas em metais preciosos

À medida que o sistema mundial de papel sem fundo do mundo implode, os ativos reais se tornarão cada vez mais importantes. O Chile, como maior produtor mundial de cobre, ocupa uma posição de destaque. Se o Chile emitisse uma moeda lastreada em sua produção de cobre, logo seria mais demanda do que o franco suíço em tempos de inflação. Se o Chile se colocasse de acordo com outros países mineradores, como África do Sul, Austrália, México e Indonésia, para emitir uma moeda global lastreada em um portfólio de metais preciosos, poderia ganhar a competição monetária internacional como alternativa ao dólar americano e ao yuan chinês.

Liberdade de expressão e acesso à informação

A digitalização, os meios de comunicação e o acesso à informação concernem tanto ao âmbito da segurança nacional quanto ao do desenvolvimento econômico. A democracia atual também se vê ameaçada pelos feitos de um pequeno número de multimilionários do setor tecnológico, que se arrogam o poder de decidir qual informação é permitida de ser comunicada aos cidadãos através das redes sociais e plataformas de busca e quais informações nelas se censuram. Isso permite manipular eleições e a opinião pública. Sem liberdade de expressão e livre acesso à informação, a democracia e a sociedade libre não conseguem funcionar. A sociedade não deve permitir que se imponha uma agenda originada de maneira externa e artificialmente e com isso desestabilizando e manipulando o processo de formação de opinião. Portanto, temos que garantir o livre acesso à informação sem censura e a libre comunicação. O estado-nação deve garantir o libre acesso às redes, a transparência e a competência no âmbito da digitalização e evitar a censura.

Chile como centro de inovação e ciência

O Chile não pode ser um baluarte em tempos de caos e anarquia e inflação mundial, sem que seja também um celeiro de ideias e de progresso científico e tecnológico. Muitas universidades ocidentais sofrem os danos da censura do politicamente correto e a cultura da cancelação. As condiciones de trabalho dos pesquisadores estão se deteriorando nesse ambiente tóxico. O Chile deve elaborar uma estratégia para se tornar um espaço científico que atraia as melhores mentes. Nesse sentido, devemos nos tornar famosos pela garantia de liberdade de expressão e consequente liberdade científica, e pelas boas condições de trabalho para os pesquisadores e cientistas jovens. As ideias desenvolvidas em nosso país deveriam ajudar a mudar o mundo de amanhã. Ao invés de doutrinar a nossos jovens com ideologias de esquerda nas escolas e universidades, como ocorre hoje em dia inclusive nas universidades de elite dos Estados Unidos e Europa, deveríamos despertar a curiosidade dos jovens pela ciência, engenheira e as inovações técnica.

Política comercial: livre comércio sem restrição da soberania nacional

O Chile precisa de uma política comercial nacional que se concentre no verdadeiro livre-comércio, sem restringir a soberania nacional. Os acordos comerciais habituais da atualidade estão vinculados a regulamentações que dificultam o comércio e a competição, em vez de promovê-los. Vincular o livre intercâmbio de bens e serviços com as condições de proteção climática, à regulamentação do mercado de trabalho ou inclusive às estipulações ideológicas do âmbito da política de gênero tem tão pouco a ver com uma ordem econômica livre quanto os tribunais de arbitragem que operam mais além jurisdição nacional.

Comércio, soberania nacional e competição econômica

A economia mundial precisa fundamentalmente de um comércio sem tarifas. Não se trata apenas de competição entre empresas, mas também entre as economias nacionais. Cada estado-nação têm direito à sua própria política regulatória. A política do mercado de trabalho, a política ambiental, a política energética e a política jurídica pertencem ao âmbito da soberania nacional. São os parlamentos nacionais eleitos os que devem decidir, não as organizações transnacionais não eleitas por ninguém. Assim, enquanto os globalistas buscam acordos comerciais que restrinjam a soberania nacional, por exemplo, tornando obrigatória a adesão ao Acordo do Clima de Paris, o Chile deveria advogar em princípio por um comércio livre de tarifas sem invadir a soberania nacional, respeitando as necessidades de segurança nacional.

A política comercial e de segurança nacional devem estar coordenadas

A política comercial deve levar em conta que os estados utilizam os subsídios e a manipulação da moeda para aplicar políticas comerciais injustas com o fim de ampliar seu poder e prejudicar a outros países. Também deve levar em conta que o abastecimento estratégico básico da nação com alimentos, atendimento médico e para equipar as Forças Armadas, assim como a manutenção da estabilidade social e da ordem pública, devem ser garantidos inclusive em situações de crises graves. Para isso, os especialistas em segurança nacional também deveriam participar nas conversas comerciais. A estratégia para o comércio internacional deve incluir também uma estratégia para crises graves, como guerras, bloqueios de rotas comerciais e crises sanitárias. A política comercial deve fazer parte da estratégia integrada de segurança nacional.

Estratégia de comunicação internacional: criar confiança como um país do êxito

O país necessita uma visão de si mesmo e do mundo para o século XXI. A esquerda e os globalistas tem uma visão, por essa razão conseguem atualmente estar na ofensiva. Chile necessita renovar sua visão e promovê-la ativamente no mundo. Chile necessita uma estratégia de comunicação internacional para guiar a suas embaixadas, missões no estrangeiro e amigos no mundo. A reputação de Chile como país próspero e seguro se danificou nos últimos anos. Que Chile logre reparar esta reputação e fortalecer sua identidade nacional no país e sua imagem nacional no exterior depende de que recuperemos a confiança. A confiança e a confiabilidade são a base do êxito na política internacional do século XXI.

Chile e o futuro de América Latina: destruído como a Venezuela o rico como a Suíça

Hoje, o Chile se encontra em um momento divisor de águas, em que se decidirá se o país se converterá em uma segunda Venezuela, na Suíça da América Latina ou uma nova Hong Kong do Pacífico. Agora se decidirá se o futuro de América Latina se escreverá em Havana o em Santiago do Chile. O Chile possui tudo que necessita para forjar ativamente não apenas o seu próprio futuro, mas também o da América Latina, e ser um ator importante em política internacional. O país conta com pessoas de grande talento, uma sólida economia de mercado, valiosas matérias primas e recursos naturais, e um acesso direto à região do Pacífico. O que falta é valor e uma visão para o século XXI que garanta a segurança nacional e uma política exterior proativa baseada no estado-nação.

Foto: Martin Bernetti/AFP