Quem é populista? – Colunas – Boletim da Liberdade
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Quem é populista?

02.05.2022 02:19

Aproveitei as pesquisas que alguns candidatos pediram para fazer, nas campanhas em 2020, e solicitei que os moderadores (qualitativas) colocassem uma questão nas rodas de entrevistas: “o que você entende por populista?”

Nenhum entrevistado deu resposta diferente. Todos disseram, com pouca variação no modo de colocar, que político populista é: “quem trabalha para o povo…quem quer agradar o povo…quem faz favores para o povo”. Nas rodas com um pouco mais de formação intelectual surgiu a frase: “populistas são os políticos que trocam o voto pelos favores que fazem”. Uma moça na mesma roda concluiu para provocar: “para que o político trabalha a não ser para ter voto? Então, todos são populistas.” É verdade que o objetivo do político em campanha é conquistar o voto.

Depois, os moderadores colocaram outra questão: “Qual o contrário de populista?” A resposta foi, sem alguém que contrariasse: “elitista”. Estava feito o contraponto: candidatos do povo e candidatos da elite.

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Portanto, um candidato que diz combater o populismo corre o risco de, na interpretação de muita gente, andar a defender uma política para a elite. E, por mais que isso possa parecer ignorância, faz sentido, conforme se lê no livro “Política Urbana no Brasil”, de Michael Conniff, que fala sobre a ascensão do populismo no Rio de Janeiro, em especial, no período do médico Pedro Ernesto, que, quase por unanimidade, foi um ótimo prefeito do Rio de Janeiro, de 1931 a 1936. E pouca gente admite ter sido ele um populista. E foi.

Na introdução, Conniff esclarece: “O populismo foi uma política inovadora no início do século XX que tentou corrigir abusos do governo elitista e acomodar as rápidas urbanização e industrialização. Englobava todas as classes, era urbano, eleitoral, reformista, “popular”, não-autoritário e de liderança carismática”.

Para acusar os adversários de populistas, um candidato deve deixar claro o conceito que usa. Explicar muito bem o que quer dizer. A tarefa se torna mais fácil, para os candidatos que tenham perfil popular e se torna estupidamente difícil, para aqueles com imagem de gente rica, de gente da elite.

Ora, são populistas os candidatos que pedem os aplausos da população e os votos dos eleitores, só pelo fato de cumprirem com a obrigação de garantir-lhes os direitos que conquistaram como cidadãos. O populista é aquele político que age por caridade, quando deveria atuar por obrigação. Ele presta favores, quando deveria assegurar direitos. A autoridade do populista é derivada de qualidades pessoais. Getúlio Vargas era visto como um populista? Sem dúvida, mas Juscelino também.

A comunicação na política é delicada, exige estratégia, porque muitas vezes, o que o político transmite é diferente daquilo que quis transmitir. Essa é a razão dos desastres provocados pelos termos “Malta de desocupados”, traduzido como “grupo de marmiteiros”; “leviana”, como “prostituta”; “vagabundos”, sendo referência a todos os aposentados.

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O Brasil é um país múltiplo. Somos várias nações numa só, onde mais de 140 milhões de eleitores estão entre mais de 200 milhões de habitantes. Quem deseja ser presidente de um país assim, deve ter cuidado com o que diz, bem mais do que com o que faz, porque as pessoas perdoam o que é feito, mas não o que é dito.

Boa semana para vocês.