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Nova Esquerda?!

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Mônica Weinberg e Sofia Cerqueira entrevistaram João Campos (PSB), prefeito eleito do Recife. Ele está nas cobiçadas Páginas Amarelas da Veja, com o título nobre de jovem representante de uma nova esquerda no Brasil. Uma frase dele está usada como Manchete: “Precisamos nos unir”, numa referência à campanha raivosa que aconteceu entre ele e a prima Marília Arraes (PT), no segundo turno.

Se existe uma “Nova Esquerda”, onde ficou ou está a velha? Pode ser que as entrevistadoras tenham se encorajado a dar o título ao João Campos, em razão da idade dele, 27 anos. Mas, tudo o que elas viram – a juventude do entrevistado – é tudo o que há de novo no conceito de esquerda na entrevista.

Em “Rápido e Devagar – Duas formas de pensar”, uma obra que não canso de indicar para quem tem as relações humanas como profissão, Daniel Kahneman, Nobel de Economia disserta sobre conclusões precipitadas e é dele a frase “O que você vê é tudo o que há”.

Pode ser estupidez e teimosia, mas eu só consigo compreender os conceitos de esquerda tendo o Estado como referência. Para se ter uma “nova esquerda” é preciso que exista a defendê-la quem acredite na possibilidade de um Estado diferente daquele que temos. Um Estado que pode tudo em nome de quem, em tese, nada pode fazer por si mesmo por incapacidade ou preguiça.

Como o Estado é subjetivo, está representado por seus agentes, estes tidos por eles mesmos como seres especiais, dotados de genialidade.

O que diz João Campos sobre a esquerda? “Essa esquerda, que não é mais aquela encabeçada pelo PT, está ainda em construção e abrange um leque bem variado. Eu, pessoalmente, me defino como integrante de um centro-esquerda progressista, que quer atacar a desigualdade social e não se volta para conceitos antigos, para Karl Marx, mas olha para a frente sem radicalismos, sem o discurso da polarização.” Está entendido?

Como eu não consegui entender bem, sigo adiante na conversa. João Campos prossegue: “O que precisamos é fazer política com objetividade e conversa, muita conversa mesmo. Só assim a centro-esquerda poderá vencer as eleições em 2022 e as outras que virão”. Ou seja, conversando a gente se entende. O papo não resistiu à continuidade da conversa. As entrevistadoras perguntaram:

“O senhor acha que há alas à esquerda que não estão dispostas a conversar?” Ele, de pronto, respondeu: “Todo mundo diz que quer conversar, mas quando se senta à mesa não demonstra a flexibilidade necessária. O PT escolheu lançar candidaturas próprias nas eleições municipais, uma clara postura de quem, na prática, trata a coisa na base de “Ok, converso com você, mas desde que eu tenha tudo”. Cadê, o verdadeiro exercício do diálogo?”.

João Campos continuou a entrevista elaborando em torno do que ele chama de centro-esquerda. Quem não leu e deseja acompanhar todo o raciocínio do “jovem representante da Nova Esquerda”, a entrevista está na revista. Não vou me estender aqui, porque, seria andar em círculo.

O jovem João Campos é um prodígio, que aos 27 anos já concluiu o curso de Engenharia Civil que começou com 17 anos. Sua vida jovem está impregnada com o Estado Brasileiro. Seu pai, outro talento, começou a vida profissional como Chefe de Gabinete do avô Arraes. Com 26 anos e apoio do avô, elegeu-se deputado estadual, depois federal e, sob a luz de Arraes, elegeu-se governador, foi Ministro e candidato à Presidência da República.

A família Arraes, em Pernambuco, esteve e está o tempo todo à serviço do Estado e, portanto, remunerada por ele. O que se pode esperar de gente que vive do Estado e pelo Estado, a não ser a defesa do Estado, situação que torna confortável a localização dela na esquerda ou no centro-esquerda, um conceito que João Campos não conseguiu definir na entrevista nem fora dela. Eu assisti a todos os debates e entrevistas dele e da prima no segundo turno.

Ótimo, porque, como canta Benito: “Tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus”. O problema é que essa esquerda de longo tempo, de Arraes, de Brizola, de Ciro e de outros tantos que andam pelo poder há muitos e muitos anos, não tem resolvido os problemas do povo brasileiro. É uma esquerda perdulário, sem projeto e que, na falta do que dizer, se auto-intitula progressista. Quanto mais ouço essa turma e vejo o que ela faz, mais me torno um liberal.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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