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Quem decidiu por Minas, e onde

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Na terça (28) à noite, a cúpula nacional do PL comunicou que aderiria à candidatura de Marcelo Aro. O presidente estadual do União Brasil, Rodrigo de Castro, informou o desligamento do governo a contragosto, declarando-se voto vencido em seu próprio partido. No PL mineiro, Flávio Roscoe e Vittorio Medioli foram atropelados. E o Republicanos anunciou o fim do projeto eleitoral de Cleitinho Azevedo, mesmo o senador insistindo na pré-candidatura. Quatro decisões sobre Minas em setenta e duas horas. Nenhuma tomada em Minas.

Ao anunciar a saída de Aro, depois de quatro anos à frente da Casa Civil e da Secretaria de Governo, Mateus Simões foi incisivo dizendo que o ex-secretário passou quatro anos “parasitando” o governo para nutrir um projeto pessoal. Mas na fala do governador tem algo mais interessante sobre os bastidores: foram negociar em Brasília, como se aqui não houvesse político capaz de tomar essa decisão.

Chamam a isso reorganização da direita mineira, uma única chapa da direita. Parece-me que é só uma coreografia para surfar na polarização, o centrão nunca foi uma posição no espectro ideológico, é um mecanismo. Consiste em transferir a decisão local para a cúpula nacional em troca de estrutura, e ajustar a bandeira depois, conforme a direção da onda. Foi de esquerda quando havia o que ganhar à esquerda e é de direita hoje pela mesma razão. É um mecanismo constante que muda de rótulo quando convém.

Maquiavel distinguia armas próprias, mercenárias e auxiliares: as últimas são as que se pede emprestado a outro senhor, e quem depende delas “fica inteiramente dependente da fortuna”. As armas que deixaram o governo mineiro esta semana pertenciam a senhores de Brasília. Simões — que na pesquisa mais recente marca 10% (MG-06475/2026 — chegou a julho com nove partidos e perto de 60% do tempo de propaganda no rádio e na televisão; resta-lhe a fração do PSD, 8,24%.

Nesta sucessão, todos cobraram. Um pagou.

Claro que podemos dizer que quem monta um governo com nove partidos e centenas de cargos comissionados escolheu as armas alugadas de olhos abertos, e Simões foi peça central desse desenho. A coerência é uma virtude rara que dificilmente se manifesta em sua forma mais pura; pelo contrário, ela costuma emergir justamente quando agir de maneira incoerente traria menos custos. Chegado o vencimento, ele pagou a fatura em vez de repassá-la. É heroico, é raro e na política a palavra é uma das coisas mais importantes que se pode ter.

O ditado popular diz que mais vale quem está nas trincheiras contigo, e quem continua com Mateus? Quem pagou preço por uma posição e quem apenas cobrou por uma? Na composição que se forma em torno de Aro, o PL já oficializou Domingos Sávio ao Senado, e a outra vaga foi acenada a Euclydes Pettersen em troca do veto a Cleitinho. Ambos votaram, em 2021, pela manutenção da prisão de Daniel Silveira, a decisão monocrática que soltou os demônios do STF. Do outro lado, uma vaga pode ser reivindicada pelo Novo, que exige de seus postulantes compromisso com o impeachment de ministros do Supremo — entre os nomes citados, o de Marco Antônio Costa, que organizou os atos pelo impeachment de Moraes em 2024, quando ainda não era candidato a coisa alguma. Ainda há a vaga de Carlos Viana que presidiu a CPMI do INSS derrotando o candidato do governo por 17 a 14. 

Os dois lados podem parecer o mesmo rótulo, mas apenas um deles quando olha por dentro está preenchido com valores liberais e conservadores, cheio de estadistas. Em outubro, os mineiros escolherão entre nomes negociados em Brasília, sem aclamação popular, sem valores reais.

Yuri Quadros é diretor do Instituto Aliança, fellow do Amplifica e conselheiro da Rede Liberdade.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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