Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta terça-feira (7), estima que o Brasil poderá atrair até R$ 3,7 trilhões em investimentos e gerar mais de 230 mil empregos permanentes caso consiga expandir sua infraestrutura digital até 2035.
A pesquisa foi encomendada pela Scala Data Centers e pela Norgás e apresentada durante evento realizado na sede do Instituto Livre Mercado, em Brasília. O levantamento analisa o potencial do país para se tornar um dos principais polos globais de infraestrutura digital, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
Segundo o estudo, o cenário mais otimista considera a expansão da capacidade instalada de data centers de aproximadamente 1 gigawatt (GW) para 13,7 GW até 2035. Nesse caso, seriam criados cerca de 59,7 mil empregos diretos na operação dos empreendimentos e outros 176,5 mil empregos indiretos e induzidos, totalizando mais de 230 mil postos permanentes. Os cálculos não incluem os empregos temporários gerados durante a construção das instalações.
Os investimentos necessários para essa expansão variariam entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões. O montante inclui tanto a construção da infraestrutura física quanto a aquisição de equipamentos de tecnologia, como servidores, sistemas de armazenamento, redes e processadores voltados para aplicações de inteligência artificial.
A FGV utilizou a metodologia de Matriz Insumo-Produto para estimar os impactos econômicos dos investimentos. De acordo com o levantamento, a expansão dos data centers beneficia não apenas o setor de tecnologia, mas também áreas como construção civil, energia elétrica, telecomunicações, logística e serviços especializados.
O estudo aponta que o Brasil reúne características que podem favorecer sua inserção na disputa global por investimentos em infraestrutura digital, entre elas a predominância de fontes renováveis na matriz elétrica, a disponibilidade de energia, a posição geográfica, o tamanho do mercado interno e o crescimento da demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial.
Ao comparar o país com hubs internacionais como Virgínia, nos Estados Unidos, Singapura, Dubai, Japão, Portugal, Canadá e o chamado cluster FLAP-D — formado por Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin —, os pesquisadores concluem que o Brasil possui vantagens competitivas, mas ainda enfrenta obstáculos para atrair investimentos.
Entre os principais entraves apontados estão a elevada carga tributária sobre equipamentos tecnológicos, a necessidade de maior previsibilidade regulatória e energética e a falta de coordenação entre políticas industriais, tributárias, energéticas e de governança digital.
Como medidas para aumentar a competitividade, o estudo defende a adoção de incentivos à produção nacional de equipamentos, a consolidação de um regime jurídico estável para investimentos, o reconhecimento dos data centers como atividade estratégica para o setor elétrico e uma coordenação mais integrada entre União, estados, municípios e órgãos reguladores.
O levantamento também cita instrumentos como o Redata, os Ex-Tarifários, as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) e a proposta de redução do ICMS sobre importações em discussão no Confaz como mecanismos que podem reduzir custos e ampliar a atratividade do país para novos empreendimentos.
Para os autores, a crescente demanda mundial por capacidade de processamento de dados, somada às limitações enfrentadas por mercados já consolidados, como Estados Unidos e Europa, abre espaço para o surgimento de novos polos globais de infraestrutura digital, cenário em que o Brasil pode ocupar posição de destaque caso avance nas reformas apontadas pelo estudo.


