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‘Lentidão para reformas importantes me incomoda’, desabafa deputado do NOVO

Em entrevista exclusiva ao Boletim da Liberdade, deputado federal Gilson Marques (NOVO/SC) falou sobre reformas econômicas e políticas, como avalia o trabalho da Câmara e deu dica ao governo Bolsonaro

- Publicado no dia
(Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Catarinense, advogado e empreendedor, Gilson Marques foi eleito para seu primeiro mandato como deputado federal pelo Partido Novo de Santa Catarina com 27,4 mil votos. Além de críticas a leis inúteis, o mandato é marcado pela preocupação com a economia de recursos públicos. Para dar o exemplo, além de abdicar, como toda bancada, do auxílio-moradia e do apartamento funcional a que os parlamentares têm direito, optou por se mudar para Brasília devido ao alto custo que faria para o contribuinte se tivesse que voltar, semanalmente, para seu estado de origem.

Em entrevista exclusiva concedida ao repórter do Boletim da Liberdade em Brasília, Marques falou, entre outros assuntos, sobre como surgiu a carreira política para ele, deu sugestões ao governo Jair Bolsonaro e avaliou as reformas em andamento. Confira:

Boletim da Liberdade: O senhor é advogado e empreendedor. O que mais lhe motivou a buscar ser candidato a deputado federal? 

Gilson Marques: Em dezembro de 2016, quando participei de uma apresentação do Partido Novo, percebi que era um “ignorante” na política mesmo com 36 anos. A partir daí, comecei a estudar [Friedrich von] Hayek, [Ludwig von] Mises, [Milton] Friedman e comecei a ler os autores brasileiros como Leandro Narloch. Depois de já ter lido bastante, fui ler também os autores da esquerda e a acompanhar o cenário brasileiro. Acabei ficando com um problema de consciência muito grande, pensando que nunca fizemos nada. E eu, como advogado e empreendedor, não sabia nada sobre política. A partir disso, comecei a pensar em participar ativamente.

Então decidi me inscrever no processo seletivo do partido na intenção de contribuir. Paralelamente, comecei a conversar com vereadores, sugerindo pautas do que fazer e o que não fazer também. Até que um me provocou: “se você sabe fazer melhor, vai você”. E isso é algo verdadeiro: pois o nível aqui [na Câmara dos Deputados] é muito baixo. Há gente que não sabe ler, muitos outros não sabem nem interpretar. Pela questão de consciência própria, decidi, então, vir candidato. Se não for eu, quem será? E isso é cultural na sociedade: ensinamos aos nossos filhos que os políticos não prestam. Precisamos mudar isso! E, para mudar [essa mentalidade], comecei a rodar o meu estado.


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Boletim da Liberdade: Suas pautas são, principalmente, reforma fiscal e desburocratização. O Congresso vem trabalhando em alguns projetos de reformas. Acredita que elas tem sido apenas paliativas ou serão definitivas?

Gilson Marques: Precisamos fazer reformas urgentemente. O problema é que estamos em setembro e nada disso foi, de fato, implementado. Eu digo que o Brasil está em quimioterapia, diagnosticado com câncer grave, em fase terminal, e ainda em uma fase do tratamento muito longe de acabar, sem previsão de melhora. Então essas reformas são necessárias para alteramos o que está dando errado. A [reforma da] Previdência só agora esta vindo do Senado Federal com um monte de alterações. Na [reforma] tributária, o governo diz que mandará uma para aglutinar com as que estão aqui no Congresso. Mas ainda não houve nem proposta e já estamos no final de setembro. Para quem conhece a Casa, estamos num ritmo alarmante como se fosse véspera de Natal. Me incomoda essa lentidão para as reformas importantes.

Na [reforma] tributária, o governo diz que mandará uma para aglutinar com as que estão aqui no Congresso. Mas ainda não houve nem proposta e já estamos no final de setembro. Para quem conhece a Casa, estamos num ritmo alarmante como se fosse véspera de Natal. Me incomoda essa lentidão para as reformas importantes.

Por outro lado, essa pauta, de reformas importantes não é implementada pois o foco do Parlamento não é esse. Temos mais de quatro mil projetos protocolados apenas na atual legislatura. Em 2014, o IPEA fez um estudo dizendo que 47% das leis propostas são inúteis. Minha pauta é muito mais ser um goleiro de não deixar as coisas ruins passarem. Gosto muito da frase de Roberto Campos que diz que quando se chega aqui muita gente quer fazer o bem mas, na atual situação, o que mais se consegue é evitar o mal. Essa lentidão em alguns momento no legislativo chega a ser boa, pois nos finais de semana e outros dias em que não há sessão pelo menos ninguém faz nada ruim contra a população.

Boletim da Liberdade: Sobre reforma política: você tem algum posicionamento, como por exemplo o voto distrital?

Gilson Marques: É melhor o voto distrital misto. Mas, como disse, essa não é uma pauta prioritária. Inclusive, acredito que há outras coisas para resolver, antes, numa reforma desse tema. Esta semana foi até aprovada uma reforma política bem pequena, apenas com o que interessava para alguns. Acredito que as coisas devem ser claras, entendidas e cumpridas pela população e os candidatos. Hoje, por exemplo, a visão é muito bairrista parecendo que os deputados são de uma cidade, normalmente a capital dos estados, quando os deputados na verdade deveriam defender o estado por inteiro.

O que mais sou contra é o financiamento público de campanha e nunca chegaremos a uma conclusão, então, sobre qual seria o valor [para isso]. Porque eu fui eleito com 184 mil reais com dinheiro privado. Outros candidatos, com 2 milhões de reais, públicos, não foram eleitos. Não é uma lei e um burocrata de Brasília que vai mudar a realidade do país. O Brasil é o país com maior números de leis e que a maioria não serve para nada.

Deputado Federal Gilson Marques (Foto: GK Noronha/Gabinete Gilson Marques)

Boletim da Liberdade:  Quais medidas o atual governo precisa adotar para o Brasil se recuperar desta década perdida que estamos terminando?

Gilson Marques: Soluções sempre são bem difíceis, mas [o governo] precisa melhorar um pouco ainda na comunicação, ou no método que se comunicam. Se melhorar essa parte e a educação da informação, inclusive com o Congresso e o Judiciário, acredito que vamos melhorar um pouco. Pois a solução econômica, por exemplo, está sendo bem aplicada. Assim como o Ministério da Justiça, com o pacote anticrime. Além de entenderem que não se consegue nada sozinho…

Boletim da Liberdade: Se pudesse dar uma dica ao Presidente da República que viria a resolver muitos problemas no Brasil, qual seria?

Gilson Marques: Deixar o ministro Paulo Guedes trabalhar! Não é algo pejorativo pois o próprio presidente Bolsonaro diz que não entende nada de economia e talvez isso seja algo muito bom, esse auto-reconhecimento, pois ele contratou um fenômeno para o Ministério da Economia e não faz sentido eu contratar alguém e discordar ou fazer outra coisa.

Boletim da Liberdade: Suas expectativas sobre o trabalho no Congresso tem sido superadas ou ainda espera mais na produtividade geral do legislativo?

Gilson Marques: Aqui costumamos trabalhar muito pelos outros deputados também. Na sessão da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania] desta semana [19/09], tínhamos apenas dois deputados presentes, pois muitos costumam marcar presença e vão embora. Analisamos item a item da pauta e lemos tudo o que foi necessário. Nós dois tivemos que aprovar leis que valem para o Brasil inteiro e ainda dizem que “uma andorinha não faz verão”. Faz sim. A voz é muita efetiva. E mais: 80% dos projetos são definidos nas comissões, ou seja, não vão ao Plenário. A produção pessoal é muito boa. Comemoramos muito mais quando projetos ruins não são aprovados, que são inúmeros, como por exemplo obrigando que lojas de calçados só vendam um pé de sapato. Por isso, muitas vezes, quando o legislativo não trabalha deixa de fazer mal para muita gente. Se o Congresso não tivesse trabalhado ontem [18/09], teria vindo um boleto a menos para você, do Fundo Eleitoral. E a questão é que o boleto já estaria pago, mesmo rejeitando a proposta.


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Boletim da Liberdade: Como você vê o Brasil daqui a 10 anos?

Gilson Marques: Uma pessoa que é empreendedora no Brasil não gera riqueza como poderia com esse emaranhado de leis e impostos. Então, se conseguirmos melhorar esse ambiente, vamos crescer muito! Desde pessoas que vendem nas ruas, muitas vezes legalmente, aí a Prefeitura vai lá e multa por alguma razão. Então o Estado vai e tenta mostrar como o Bolsa Família é bom, pois ajuda, em vez de incentivar a andar com as próprias pernas. Então temos que desonerar a folha, os tributos, para ajudar as pessoas a terem emprego. E isso ao menos no planejamento no Ministério da Economia tem caminhado bem. Se assim continuar, daqui a 10 anos estaremos galopantes!

Temos que desonerar a folha, os tributos, para ajudar as pessoas a terem emprego. E isso ao menos no planejamento no Ministério da Economia tem caminhado bem. Se assim continuar, daqui a 10 anos estaremos galopantes!

Boletim da Liberdade: Para terminar, qual livro de cabeceira recomenda para nossos leitores?

Gilson Marques: Anatomia do Estado do Murray Rothbard, que pode ser lido em até 3 horas. É um livro de iniciação e assustará os leitores, mostrando com firmeza o que o Estado é, e o que o Estado não é. Então a partir desse livro, quem lê pode abrir a mente para próximas leituras.

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