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Renan Santos diz que MBL errou ao polarizar o debate público

Ele adiantou que o congresso nacional do MBL em 2019 será um encontro de elementos de esquerda e direita para debater a reforma política

- Publicado no dia
Renan Santos, coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (Foto: Reprodução)

O coordenador nacional do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, concedeu entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (28), sobre os rumos adotados pelo movimento. Para ele, o MBL errou ao investir no discurso da polarização e precisa fazer um mea culpa.

Renan iniciou a entrevista afirmando que o MBL ressaltou demais a liberdade econômica, esquecendo-se da dimensão política do liberalismo. “Tanto que a ideia de democracia é questionada. Tivemos um déficit de atuação nesse ponto”, pontuou.

Para ele, o grupo que pedia a intervenção militar se tornou “mainstream” na direita, o que prova que algo “não está funcionando”. “Trabalhamos a ideia de espetacularização da política, e isso funcionou para a gente enfrentar os inimigos. Mas começou a funcionar para todo mundo, inclusive para pessoas que não têm as mesmas concepções que as nossas”, disse, responsabilizando o próprio MBL por não levar a sério os setores de direita que investiam em um discurso de “antipolítica”.

Especificando, Renan considerou que o MBL deveria ter simplificado menos a linguagem política. “A gente polarizou, e era fácil e gostoso polarizar”, sentenciou, argumentando que a ideia de infalibilidade do presidente Jair Bolsonaro decorre em parte do discurso polarizado que o MBL ajudou a viabilizar.


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Exemplos de exageros e a visão para o futuro

O ativista mencionou algumas situações em que considera que houve exageros do MBL. Uma delas foi um vídeo gravado por ele mesmo contra a candidatura de Luciano Huck à presidência, que terminou não se concretizando. “Passou dois ou três dias, falei: por que eu fiz esse vídeo? Desnecessariamente agressivo”, avaliou.

Renan considerou também que o MBL errou ao apoiar candidaturas majoritárias, como a do tucano João Doria ou a de Jair Bolsonaro no segundo turno. “Mas também não havia o que fazer. Se o PT chegasse ao poder, a gente teria guerra civil. A classe média e o centro-sul não iriam aceitar o resultado”, amenizou, acrescentando que continua vendo o PT como um mal maior que Bolsonaro.

Ele também considera que o envolvimento do MBL na pressão contra a exposição do Queermuseu foi exagerado. Abordando as metas para o futuro, Renan adiantou que o MBL pretende sair “um pouco do debate do dia a dia” e “estudar como construir uma nova linguagem política”.

Ele ponderou que o MBL não investirá em manifestações de rua constantes, se concentrará nos problemas municipais para “levar o liberalismo para pessoas mais pobres” e juntará “elementos de esquerda e de direita” em seu próximo congresso para discutir um projeto de reforma política.

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