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No alvo da grande mídia, Luciano Ayan fala ao Boletim em entrevista exclusiva sobre censura, ‘fake news’ e narrativas

Analista político desenvolveu um método de guerra política e atribui ao sucesso do funcionamento uma das razões pelas quais foi “censurado”; em entrevista, dono do site ‘Ceticismo Político’ abre o jogo sobre polêmicas

- Publicado no dia
Reportagem do jornal ‘O Globo’ destaca matérias do MBL e do site ‘Ceticismo Político’ (Foto: Reprodução)

O analista político Luciano Ayan ganhou ainda mais notoriedade nos últimos dias após um centro de estudos ligados à UFES acusar seu site, Ceticismo Político, como disseminador de fake news. O estudo foi usado pelo jornal O Globo para uma verdadeira cruzada contra Ayan, a quem acusou de “usar nome falso”, e principalmente o Movimento Brasil Livre, cuja acusação recaiu de ser “o maior replicador de notícias falsas” sobre a vereadora Marielle Franco. Ambos negam.

Em entrevista exclusiva ao Boletim da Liberdade, Luciano Ayan comentou a polêmica e explicou porque decidiu revelar sua real identidade: Carlos Afonso. Ele também reforçou sua versão dos fatos, garantindo que apenas repercutiu uma notícia da Folha de S. Paulo, dando a conhecer a seus leitores as declarações de uma desembargadora do Rio de Janeiro sobre o assunto, sem necessariamente endossá-las. E explicou qual será sua posição em relação ao Facebook, que desativou suas contas.

Boletim: Por que grandes veículos de comunicação, especialmente o jornal O Globo, decidiram associar você e o MBL a notícias falsas?

Luciano Ayan: Basicamente, é a mesma tática já utilizada nos EUA, em que organizações como CNN e NY Times passaram a acusar o Breitbart de fake news. Porém, as organizações da grande mídia produzem notícias falsas o tempo todo. O caso das organizações Globo é emblemático. Tivemos o Ricardo Noblat dizendo que Temer renunciaria. Era mentira. Tivemos Lauro Jardim dizendo que [Jair] Bolsonaro falou que iria “metralhar a Rocinha”. Novamente, era mentira. São mentiras sistemáticas, e não apenas enganos.

É claro que eles precisam acusar meios independentes de fazer o que eles fazem. É técnica manjada. Para combater o truque, é preciso meter o dedo na ferida da grande mídia a cada vez que ela publicar uma notícia falsa. Por exemplo, para arrumar o pretexto de acusação, o jornal O Globo teve que publicar várias mentiras sobre mim. Uma delas foi dizer que eu “repercuti uma notícia falsa”, mas meu site repercutiu uma notícia verdadeira (feita por Mônica Bergamo) e nessa notícia verdadeira havia declarações de uma desembargadora que não foram provadas (tanto que ela recuou).

Portanto, dizer “desembargadora disse (x)” é repercutir uma notícia verdadeira. Claro que o jornalista sabe disso, mas atua para uma organização que publica notícias falsas sistematicamente. A atuação do Globo contra mim é baseada em notícias falsas. Eles tentam atingir o MBL por tabela, pois o movimento tem sido uma pedra no sapato do establishment.

A atuação do jornal O Globo contra mim é baseada em notícias falsas. Eles tentam atingir o MBL por tabela, pois o movimento tem sido uma pedra no sapato do establishment.

Boletim: Você chamou a mídia que buscou essa associação de ‘Pró-PSOL’. No passado, O Globo, porém, era associado à direita por ter apoiado o regime militar em 1964, reafirmado esse posicionamento na década de 1980 e, segundo dizem, Roberto Marinho foi durante um tempo um dos patrocinadores do Instituto Liberal do Rio de Janeiro, pioneiro na década de 1980. A Globo mudou de posicionamento? Caso sim, por quê?

Luciano Ayan: Não vejo como uma mudança de posicionamento, uma vez que a Globo mantém o padrão de ficar do lado de quem tem o poder, principalmente de forma autoritária. É bom checar o histórico de recebimento de verbas de anúncios oriundas de empresas estatais para a Globo.

Jornal ‘O Globo ‘dedicou na última quinta-feira (22) grande parte de sua manchete digital ao MBL (Foto: Reprodução)

Boletim: Sua página e perfil no Facebook foram desativados, supostamente, por você não ter utilizado um nome real. Você pretende solicitar à rede social o resgate das páginas por ter agora revelado a real identidade?

Luciano Ayan: É claro que é apenas uma desculpa esfarrapada do Facebook dizer que o motivo foi não ter utilizado o nome real. O problema, para esta narrativa, é que há vários outros perfis na mesma situação, sem a mesma sanção. O que ocorre é que fui censurado. Pelo nível de censura (e pelas informações recebidas), seria inútil tentar retornar ao Facebook.

Boletim: Seu trabalho tem grande repercussão. Você se arrepende de ter adotado um pseudônimo? Teme represálias?

Luciano Ayan: Não me arrependo de ter usado pseudônimo, pois o trabalho foi iniciado em um período mais perigoso da história política nacional.  Em relação às represálias, elas têm acontecido principalmente de dois anos para cá, mas vieram principalmente de algumas figuras da direita. Aliás, grande parte da atuação para que eu fosse censurado no Facebook veio dessas pessoas de direita (pouco representativas da direita como um todo, mas estridentes). Curiosamente, as maiores ameaças eram coisas como “vou revelar sua identidade pro repórter”. Esse tipo de ameaça perde validade a partir de agora.


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Boletim: Na nota oficial publicada em ‘Ceticismo Político’ neste sábado (24), você disse que desenvolveu um “método político que funciona que é uma beleza”. Resumidamente, o que é esse método e como tem sido utilizado?

Luciano Ayan: Em essência, eu adaptei os princípios dos autores David Horowitz e Saul Alinsky à nossa realidade atual e contexto tecnológico, elaborei checklists e incluí um aspecto ainda mais forte relacionado ao controle de frame. Pode-se dizer que o método é um conjunto de princípios com checklists para sua aplicação. Outro método adicional envolve a criação de bases de conhecimento para as rotinas do oponente de acordo com divisões (por exemplo, causa), o que torna refutações muito mais rápidas. Se o seu adversário só tem narrativas (normalmente fraudulentas), ter bases de refutação ágeis é um diferencial.

Podemos dizer que o motivo para eu ter sido censurado foi o uso de um desses recursos, que defino como “narrar a narrativa”. Em resumo, significa expor a narrativa de seu oponente em sua estrutura e motivação em vez de tratar ingenuamente as coisas como se fossem parte de um “debate”. A extrema esquerda jamais entra para debater contra você, mas para elaborar narrativas. Uma vez que isso aconteça, o indivíduo já entra no jogo perdendo caso decida tratar tudo como um argumento (dando mais respeitabilidade ao discurso oponente do que ele tem). Mas se você trata tudo como narrativa, a coisa já se complica, pois imediatamente o adversário fica na condição de quem está contando histórias para um objetivo. Em seguida, basta apresentar as contradições e falhas na narrativa.

A extrema esquerda jamais entra para debater contra você, mas para elaborar narrativas. Uma vez que isso aconteça, o indivíduo já entra no jogo perdendo caso decida tratar tudo como um argumento  (dando mais respeitabilidade ao discurso oponente do que ele tem).

Uma prova de que funciona é o comportamento transtornado da mídia pró-PSOL diante do termo “quebra de narrativa”. Outra dica é usar adequadamente a rotulagem. Por exemplo, o PSOL apoia Nicolas Maduro. Não deve ser chamado de esquerda, mas de extrema esquerda. Observe como eles ficam irritados quando os rotulamos adequadamente (aliás, autores como David Horowitz e Bernie Goldberg explicam isso muito bem). Vários setores da direita já utilizam alguns aspectos desses métodos, especialmente movimentos políticos.

Boletim: Como você enxerga o quadro eleitoral de 2018? Quem, politicamente, tem jogado melhor para as eleições presidenciais e quem você acha que vai ganhar? 

Luciano Ayan: Não gosto muito de fazer prognósticos neste momento, pois o jogo está muito aberto. Claro que as duas candidaturas de nicho (Lula e Bolsonaro) estão bem posicionadas, mas eu ainda vejo muitas chances para alguém que buscar mais uma opção de centro (centro-esquerda ou centro-direita). Isso mesmo se levarmos em conta que esse seria um bom tempo para uma candidatura de direita, mas ainda há muito isolamento. Prefiro não fazer apostas sobre possíveis vitoriosos antes de ver os nomes colocados à mesa.


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Boletim: Foi no fim do governo Lula e, sobretudo, no governo Dilma, ambos de esquerda, que o movimento liberal renasceu. Provavelmente muito mais forte do que antes. Por outro lado, há quem diga que foi durante o governo FHC que o movimento liberal no Brasil murchou. Com a eventual ascensão de um governo de direita ou centro-direita em 2018, o movimento liberal pode murchar novamente? Caso sim, como evitar isso?

Luciano Ayan: O risco existe, mas as oportunidades também são muitas. O movimento liberal brasileiro evoluiu muito em termos de produção intelectual, mas ainda precisa melhorar bastante em termos de disputar as narrativas contra a extrema esquerda e outras formas de pensamento estatista.  Este é o grande desafio: ver a política de forma mais pragmática.

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O movimento liberal brasileiro evoluiu muito em termos de produção intelectual, mas ainda precisa melhorar bastante em termos de disputar as narrativas contra a extrema esquerda e outras formas de pensamento estatista.  

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