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Cineastas decidem boicotar festival por ter dado espaço a ‘filmes de direita’

Ato comprova o boicote que já vinha sendo denunciado há tempos pelo diretor de 'O Jardim das Aflições', Josias Teófilo; Roberto Freire, ex-PCB e atual ministro da cultura, criticou a atitude "fixada na vulgata stalinista"
Parte dos financiadores do filme receberá um cartaz autografado por Olavo de Carvalho. (Foto: Matheus Bazzo / Divulgação)
Josias Teófilo (de costas), Roxane Carvalho e Olavo de Carvalho. (Foto: Divulgação)
Josias Teófilo (de costas),
Roxane Carvalho e Olavo de Carvalho. (Foto: Divulgação)
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Um grupo de cineastas decidiu retirar seus filmes da programação do festival de cinema “Cine PE”, cujo início está previsto para a próxima terça-feira (23). O motivo do boicote é a simples presença de obras que teriam um discurso alinhado à “direita” – uma referência ao documentário O Jardim das Aflições, sobre Olavo de Carvalho, e ao longa-metragem Real – O Plano por Trás da História, sobre a implantação do plano Real.

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Arthur Leite, diretor do curta-metragem Abissal, segundo o jornal Folha de S. Paulo, foi um dos que endossaram o boicote: “Não imaginei que a seleção do festival fosse dar espaço a filmes claramente alinhados a uma direita extremista”. Outros filmes que adotaram o boicote foram os curtas-metragens: “A Menina Só”, “Baunilha”, “Iluminadas”, “Não me Prometa Nada” e “Vênus-Filó, a Fadinha Lésbica”.

Um movimento de boicote dentro do cinema nacional já vinha sendo denunciado pelo diretor de O Jardim das Aflições, Josias Teófilo. Em entrevista exclusiva concedida a este Boletim em abril, Teófilo declarou que “existia uma proibição tácita de fazer um filme sobre Olavo de Carvalho”. Segundo ele,  “qualquer um que fizesse um projeto desse tipo seria boicotado, excluído e marginalizado do meio cinematográfico nacional”.

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+ Assista ao filme de Real – O Plano por Trás da História

+ “A originalidade de ‘O Jardim das Aflições’ é tratar de filosofia seriamente”, diz Josias Teófilo, diretor do filme sobre Olavo

Roberto Freire (PPS), ministro da cultura, também se manifestou sobre o caso. Ele criticou o movimento dos cineastas e, de acordo com o jornal Diário de Pernambuco, teria declarado que trata-se de um “ato profundamente equivocado”, alinhado à uma esquerda que “nunca leu” e “fixada na vulgata stalinista”. Em 1989, Roberto Freire foi candidato à presidente da república pelo Partido Comunista Brasileiro.

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