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Bernardo Santoro ameniza polêmico discurso de Jair Bolsonaro no Nordeste

Ex-presidente do partido Libertários e do Instituto Liberal publicou em seu Facebook um texto onde tenta contextualizar controversas declarações de Jair Bolsonaro

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Foto: O Globo / Ana Branco
Foto: O Globo / Ana Branco

Após discursar para uma multidão que “a minoria tem que se curvar para a maioria” e que “não tem essa historinha de estado laico não”, o deputado federal Jair Bolsonaro voltou a ser alvo de críticas de muitos liberais ao longo dos últimos dias. Apesar disso, Bernardo Santoro, uma das lideranças históricas do movimento liberal, posicionou-se publicamente na última sexta (10) em defesa do parlamentar.

Em relação ao estado laico, Bernardo – que já foi presidente do partido Libertários e do Instituto Liberal – afirma que trata-se de “uma miragem” e que é “historicamente vulnerável ao marxismo cultural”. O advogado também diferencia em seu texto o conceito de estado laico e estado confessional, citando como exemplos desse último caso estados como a Argentina e Mônaco (ambos católicos), Inglaterra (anglicano) e Israel (judaico).

“Quando Jair fala em um estado cristão, ele necessariamente se refere a um estado confessional, que prega e defende valores cristãos, e não uma teocracia”, opina Bernardo, que completa: “E o Bolsonaro mesmo jamais entregaria o poder político para, digamos, a CNBB”. Segundo ele, há “má vontade com o deputado”, pois não haveria “nenhum problema em se defender um estado confessional democrático que tem em si mesmo um poder de defesa institucional ao marxismo cultural”.

Rogério Vargas, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Pastor Everaldo, Alexandre Borges e Bernardo Santoro. (Foto: Divulgação / Facebook)
Rogério Vargas, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Pastor Everaldo, Alexandre Borges e Bernardo Santoro. (Foto: Divulgação / Facebook)

A minoria que se curva à maioria

Bernardo Santoro, porém, mostrou-se mais preocupado com a declaração de Jair Bolsonaro de que “a minoria tem que se curvar para a maioria”. “Historicamente, políticos que exerceram esse tipo de retórica acabaram, ao alcançar o poder, exercendo lideranças pouco democráticas. No limite, geraram tragédias políticas e humanitárias”, observa.

Hoje professor da Mackenzie, porém, Bernardo salienta que “conhece pessoalmente o deputado” e que sabe “ele não tem nenhum problema com qualquer pessoa por suas características pessoais”. Por isso, ficaria claro que dificilmente Bolsonaro, se eleito, perseguiria qualquer tipo de minoria. “O que ele pretende, de fato, é combater […] todas as minorias politicamente organizadas que pretendem e têm tentado implementar agendas de reengenharia social para destruição dos valores cristãos”, pontua.

Santoro opina, apesar disso, “que o deputado não pode soltar declarações tão sensíveis e tão fora do padrão político nacional sem explicar exatamente o que quer dizer”. “A pena é a população do sul e sudeste tomar ojeriza dele”, observa, mas reconhece que “com esse discurso superficial e de chavões, ele atinge a classe popular, cujo pensamento político não é rebuscado […] tal como Trump fez nos Estados Unidos”.

Por fim, Bernardo Santoro diz que o que valerá a presidência da república em 2018 é a resposta sobre “como compatibilizar o discurso moderado, liberal na economia e conservador nos costumes, que o sul e sudeste exigem de um candidato de direita, com o populismo cristão reacionário que apetece a população humilde do nordeste”.

Leia aqui a íntegra do texto de Bernardo Santoro.

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