Quanto custa a saúde de um político? - Letícia Arsenio - Boletim da Liberdade

Quanto custa a saúde de um político?

28.05.2019 04:12

Todo mundo sabe que a classe política tem muitos privilégios, certo? O que muita gente não sabe é como funcionam ou quais são eles (e se você quiser saber todos, faço o convite para ver o vídeo que fizemos para o EnGlobe no YouTube).

Hoje vim falar especificamente sobre os privilégios que a classe política tem na saúde.

Um deputado federal, por exemplo, se não tiver plano de saúde, pode ser reembolsado pela Câmara dos Deputados caso venha a usar serviços médicos e odontológicos de uma rede privada em praticamente qualquer lugar do mundo.

No seu trabalho, tem também um departamento médico com 82 médicos de dezessete especialidades, um tomógrafo de R$2,5 milhões e até uma UTI móvel novinha no valor de R$134 mil que realiza, em média, apenas duas viagens por semana. Esse “benefício” inclusive abarca ex-deputados também. E falando em abarcar, se o deputado adicionar os familiares como dependentes no imposto de renda, dá direito de todo mundo usar junto.

Um deputado federal, por exemplo, se não tiver plano de saúde, pode ser reembolsado pela Câmara dos Deputados caso venha a usar serviços médicos e odontológicos de uma rede privada em praticamente qualquer lugar do mundo.

Mas a família não para por aí: ela também pode se associar ao programa de assistência à saúde da Câmara dos Deputados. O plano de primeira linha custa meros R$322 e inclui convênios para hospitais como o Sírio-Libanês. Mas mesmo com todos esses “benefícios” completamente incompatíveis com a realidade brasileira, ainda tem muito político que se sente no direito de gastar ainda mais o dinheiro do pagador de impostos.

Foi o caso do ex-senador, Milton Cabral, que apesar de ter tido o seu último mandato em 1986, achou justo enviar uma conta em 2013 no valor de R$2,2 mil referente a aplicações de botox. O gasto total foi maior, mas o documento que solicitou o reembolso indicava despesas de R$5,1 mil com gastos médicos dele e da esposa. Sim, o ex-senador que não exercia um mandato parlamentar há 27 anos queria que você ajudasse a pagar o botox da mulher dele. E infelizmente ele está longe de ser o único a fazer isso.

Por mês, o Senado custa R$18 milhões só para os concursados, comissionados, aposentados e familiares, e isso sem contar os senadores, ex-senadores e seus familiares, que possuem um plano especial e exclusivo do Senado. Só em 2017, foram gastos R$1,9 milhões com 154 ex-senadores e seus cônjuges, e outros R$8,3 milhões com os senadores no exercício de mandato e seus dependentes.

Além do Senado, se considerarmos toda a estrutura e atendimento médico, a Câmara dos Deputados gasta em média R$100 milhões ao ano. Para fins de comparação, esse valor é superior ao orçamento voltado para a saúde de mais de 96% dos municípios brasileiros. Em outras palavras, das 4.792 prefeituras que prestaram contas ao Tesouro Nacional em 2016, apenas 180 delas tinham despesas mais elevadas.

É isso mesmo que você leu: só a saúde dos nossos deputados federais custam mais do que a grande maioria da saúde de uma população de uma cidade inteira. E é por essas e outras que eu digo: viver no Brasil não é para amadores. A não ser que você seja da classe política.


REFERÊNCIAS:

Garschagen, Bruno. “Direitos máximos, deveres mínimos: O festival de privilégios que assola o Brasil”. 1ª edição. Editora Record, 2018. P. 110-112.

Da Silva, Rodrigo. “Guia politicamente incorreto da política brasileira”. 1ª edição. Editora Leya, 2018. P. 112-113.