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O autoritarismo dos defensores da democracia

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*Guilherme Benezra

No dia 12 de abril, no Fórum da Liberdade, pude presenciar mais uma cena lamentável dos ditos “defensores” da democracia. Incumbidos de toda a sua sabedoria transcendental, eles vieram com placas e gritos de guerra preparados para defender seu ponto vista do lado externo do painel que ocorria naquele momento. O barulho foi tamanho que muitos participantes saíram para ver o que ocorria. A mensagem era clara, um protesto contra o ex-juiz Sérgio Moro. Segundo eles, Lula foi condenado injustamente devido à sentença “vendida” de Moro. Os manifestantes bradavam: “Juiz ladrão, porrada é a solução”.

Dois fatos me chamaram a atenção com a presença dos manifestantes. O primeiro é que certamente eles desenvolveram uma capacidade única, assim como boa parte da esquerda, de ignorar completamente todas as evidências da realidade. O juiz condenou Lula baseando-se em um processo de mais de mil páginas. As outras instâncias não só mantiveram como, em um caso, aumentaram uma das penas. Lula foi preso e foi solto somente após uma manobra política, que não o inocentou, mas sim transferiu a análise do caso para outro tribunal. Com tamanha evidência para sua condenação, somente quem opta por servir de idiota útil pode seguir defendendo o indefensável.

O segundo ponto fundamental era seu grito de guerra. “Juiz ladrão, porrada é a solução”. Será que eles não percebem a gravidade do que falam? Tal fala evidencia que eles, se obtiverem qualquer posição de poder, usarão da força física para coagir, prender e torturar adversários. Recordo-me de que no ato, inclusive, chamavam os ouvintes pacíficos de fascistas. Eis um fato curioso. Esses “estudantes” saíram do evento ilesos, bradaram palavras autoritárias e defenderam a violência física contra seus opositores sem nenhuma sanção. O que aconteceria se os liberais fossem em um evento da esquerda com o mesmo tipo de postura? Certamente as consequências não seriam tão pacíficas.

Por fim, não me agrada a leniência da maior universidade privada do RS (ou uma das maiores). Esses estudantes se transformaram nisso por causa de professores militantes. Houve alguma sanção contra os alunos? Certamente, não. Os professores que os educam dessa maneira seguem lecionando. De que serve um ambiente de ensino, que deveria ser um ambiente plural, ter alunos que se formem defendendo regimes tirânicos e sem a devida capacidade de pensar?

*Guilherme Benezra é associado do IEE.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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