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Ayn Rand e o egoísmo racional: uma filosofia para a vida

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Em uma de suas frases mais célebres, Ayn Rand considera o indivíduo como a menor minoria da Terra, deixando evidente o enaltecimento do indivíduo frente às demais correntes filosóficas e doutrinárias que pregam justamente o oposto, ainda que de maneira velada. Mas o que a sua defesa constante do individualismo tem a nos ensinar? E por que suas obras são tão pouco difundidas na educação de países que ainda vivem às sombras do paternalismo estatal? 

Ayn Rand nasceu na Rússia no ano de 1905, presenciando a queda da família Romanov e a consequente chegada dos bolcheviques ao poder em outubro de 1917, com a posterior criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) no ano de 1922, o que acabou por edificar a ideologia comunista no período da Guerra Fria. 

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Em decorrência de sua experiência com a realidade soviética, Rand se mudou para os Estados Unidos no ano de 1926, iniciando sua carreira como roteirista e escritora, tendo, inclusive, obras lançadas em Hollywood e na Broadway. Um de seus mais renomados romances, “A Revolta de Atlas”, foi considerado o segundo livro mais influente nos Estados Unidos depois da Bíblia.

Mesmo com o seu vasto acervo de obras e com todos esses marcos importantes, a filosofia defendida por Rand continua enfrentando obstáculos para ganhar a devida notoriedade no mundo filosófico e acadêmico. O motivo se concentra majoritariamente no teor de sua filosofia, a qual se destaca das demais ao colocar o indivíduo como o centro de todos os problemas, e também das soluções dentro de uma sociedade. 

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Ora, é evidente, após sua breve apresentação biográfica, que Rand foi uma grande defensora das liberdades individuais e do capitalismo laissez faire, negando todo o tipo de coletivismo que possa ser instaurado no seio de sociedades humanas. 

Tal posicionamento é totalmente visível em suas obras, onde Rand explana sobre o “Objetivismo”, que abrange o conceito do “egoísmo racional” , veemente defendido pela filósofa. Para entendermos a ética objetivista, primeiro somos apresentados para um novo conceito de egoísmo, uma vez que o significado popular da palavra faz referência a atitudes maldosas, negativas, em nada altruístas. Entretanto, Rand lança um novo olhar sobre o termo, visto que para ela, a preocupação com os nossos próprios interesses é a essência de uma existência moral, sendo que o homem “egoísta” deve se colocar sempre no lugar de beneficiário de seus próprios atos morais, e não o contrário, como ocorre em sociedades e comunidades altruístas, onde o indivíduo é praticamente impelido a renunciar o seu bem em prol de terceiros, pois apenas assim seria considerado “moral”.

Seguindo a lógica altruísta, onde o único critério moral a ser considerado é o beneficiário da ação, um industrial que produz sua fortuna e um gangster que rouba um banco seriam considerados igualmente imorais, visto que ambos procuravam satisfazer os seus próprios interesses. Por sua vez, um ditador seria considerado o dono da moralidade, desde que as suas ações, ou “atrocidades” cometidas, como se refere Rand, tivessem a intenção de beneficiar “o povo”, e não a ele mesmo.

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Visto isso, agora é possível compreender a “Ética Objetivista”, a qual sustenta que o indivíduo deve ser sempre o beneficiário de sua ação. Moralidade, ou ética, se definem, nas palavras da filósofa, como sendo um código de valores que orientam as escolhas e as ações do homem. A ética, como ciência, seria responsável pela descoberta e definição de tal código. 

A partir do momento em que o indivíduo se coloca como o principal beneficiário de suas ações e passa a seguir um “código de valores” racionais, não vivendo apenas atrás de seus caprichos subjetivos, ele passa a ser um fim em si mesmo, e não um meio para os fins de terceiros.Nesta lógica, os interesses dos seres “egoístas racionais” não se chocariam dentro de uma sociedade, uma vez que “não há conflito de interesses entre homens que não desejam o imerecido”. 

Ao trazer sua filosofia para o mundo concreto, Rand passa a citar o sistema de livre mercado, onde tais indivíduos, motivados por uma ética objetivista, se tratariam como comerciantes, trocando entre si valores. O referido comportamento é perceptível dentro do sistema capitalista, onde o princípio da troca gere todos os relacionamentos humanos, sendo eles pessoais, sociais e até mesmo espirituais. Tal realidade seria a ideal para a formação de uma sociedade justa, livre, pacífica, próspera e racional. 

O individualismo como regra, e não como exceção, construído por indivíduos incentivados a buscarem a sua própria felicidade, seus próprios anseios, de maneira racional e com a preocupação de não prejudicarem a si mesmos e a terceiros é quase que uma verdadeira utopia no contexto social atual. 

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Fica óbvio a grande intenção por trás de se educar uma sociedade pela lógica oposta à defendida por Ayn Rand, visto que a preferência pelo individualismo traz consigo, como consequência, todos os conceitos supra explanados, formando uma sociedade de indivíduos motivados pela busca de sua independência, de seus valores éticos, e da troca desses valores com terceiros que estejam no mesmo caminho, sem qualquer tipo de imposição a sacrifícios. Uma sociedade pautada no “egoísmo” defendido por Rand prioriza a troca voluntária, a reciprocidade entre os sujeitos, a separação entre Estado (burocracia imposta) e a economia (liberdade para a troca de valores). 

Tal ideal está longe da realidade atual, onde governos e demais autoridades insistem em propagar a ideia de que seu principal interesse não é a vida do homem, do indivíduo em si, mas a vida do coletivo, da “sociedade”, anulando completamente a individualidade de cada ser humano, seus anseios, vontades e capacidade de desenvolver-se racionalmente buscando a sua própria realização. Como bem colocado por Rand, não é a imoralidade dos homens que é responsável pelo colapso que agora ameaça destruir o mundo civilizado, mas o tipo de moralidade que os homens têm sido incitados a praticar. 

*Por Laura Lima, formada em Direito pela PUCPR, pós-graduanda em Direito Público Aplicado, Diretora de mobilização e eventos do LOLA Brasil.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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