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Carnaval: Mangueira cita Luís Gama e critica história oficial do Brasil

Desfile na segunda noite do carnaval do Rio de Janeiro contou com forte crítica social a bandeirantes, portugueses, regime militar e ícones da história brasileira como Caxias e Princesa Isabel

- Publicado no dia
Ala homenageou abolicionista Luis Gama (Foto: Fábio Tito/G1)

A apresentação da Estação Primeira de Mangueira na madrugada da segunda noite de desfiles no Sambódromo do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (5), foi marcada por uma crítica à história oficial do Brasil.

Com o enredo “História pra ninar gente grande”, a escola de samba trouxe uma severa crítica aos bandeirantes, portugueses, ao regime militar de 1964 e figuras como Duque de Caxias, o ex-presidente Floriano Peixoto e à Princesa Isabel, interpretada com as mãos sujas de sangue.


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O desfile também trouxe uma homenagem à Marielle Franco, vereadora assassinada há um ano e cujo crime ainda não foi solucionado, e uma reverência aos “negros, índios e pobres” cuja história não seria contada no país e estaria ausente dos livros oficiais.

Nesse contexto, uma ala trouxe uma homenagem ao advogado negro Luís Gama, um dos principais abolicionistas do século 19 e frequentemente mencionado por grupos liberais.

Em um dos carros alegóricos, professores foram convidados a “reescrever” a história de personagens relevantes do Brasil. Caxias foi descrito como alguém cuja missão era “calar pobres, negros e índios, garantindo a tranquilidade da casa-grande”.

“Sua estratégia era simples: para as elites, negociação; para os trabalhadores, bala de canhão. Não era paz que ele levava. Paz sem voz, é medo”, afirmou o texto exposto em um dos carros alegóricos e escrito pelo professor Tarcísio Motta, também vereador do Rio de Janeiro e filiado ao PSOL. [1]

Carro alegórico da Mangueira conteve crítica ao regime militar (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Carro alegórico questiona heroísmo de bandeirantes (Foto: Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
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