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Ex-secretários do governo Bolsonaro criticam interferência na Petrobras

Paulo Uebel e Salim Mattar se manifestaram a respeito da intenção de substituir Roberto Castello Branco na presidência da estatal e compararam o governo Bolsonaro com o governo Dilma

Paulo Uebel, ex-secretário, disse que Guido Mantega faria o mesmo que Paulo Guedes (Foto: Fernando Frazão/Agenda Brasil)

Os influenciadores liberais que se manifestaram contra a decisão de Jair Bolsonaro de substituir o comando da Petrobras nesta sexta-feira (19) tiveram companhia de “desertores” do Ministério da Economia. Dois ex-integrantes da pasta também saíram em defesa do presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

Um deles foi o ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, advogado e ex-diretor do Instituto Millenium. Uebel fez uso de seu perfil no Twitter para lamentar o que considerou “um dia triste para o Brasil” e criticar abertamente a conduta do presidente da República e do ministro da Economia. Em sua visão, Castello Branco “será substituído por estar fazendo o trabalho certo”. [1]

Na leitura de Uebel, o atual presidente da estatal a está blindando “contra o uso político, contra o populismo”: “Ele foi fiel ao mandato que recebeu do Conselho de Administração da companhia em trabalhar para gerar valor aos acionistas, não para gerar votos para qualquer político. As empresas estatais não devem ser usadas para gerar votos. Isso viola os princípios da administração pública e contraria as boas práticas de governança”, declarou.

Uebel arrematou dizendo que o governo Bolsonaro “nunca foi tão parecido com o Governo Dilma como hoje. (…) Essa similaridade deve arrepiar qualquer cidadão de bem! Não podemos desistir do Brasil”. A respeito do ministro Paulo Guedes, com quem trabalhou, o ex-secretário afirmou que o ex-ministro do governo petista, Guido Mantega, faria neste momento “absolutamente o mesmo que Paulo Guedes está fazendo”.


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O fim do projeto liberal

Além de replicar os comentários de Uebel em seu Twitter, o conhecido apoiador de organizações liberais e ex-secretário de Desestatização Salim Mattar fez declarações ainda mais duras e decepcionadas em uma entrevista ao vivo para o canal MyNews. O empresário e ativista do liberalismo disse que o governo não tem mais qualquer projeto liberal e é agora um “governo social democrata”, preservando a postura dos anteriores. [2]

“Faltou elegância, respeito e consideração com o presidente da Petrobras”, iniciou Salim. Sobre Jair Bolsonaro, ele disse que o candidato “falava em privatizar a TV da Dilma, que é a EBC, a empresa do trem-bala da Dilma… (…) Depois que ele foi para o governo, o que aconteceu é o seguinte: em se buscando o pleito para um segundo mandato, ele se transformou completamente e continua sendo agora um governo de continuidade aos anteriores”.

Salim garantiu ainda que, no lugar de Guedes, “já que ele que indicou o Roberto Castello Branco para a Petrobras, nessa hora, na demissão do Roberto, eu sairia junto. (…) O governo do presidente Bolsonaro será igualzinho ao da Dilma, igualzinho ao do Lula, mais do mesmo. Não há inovação nenhuma neste governo. (…) O ministro Guedes perdeu efetivamente todo o seu poder junto ao governo Bolsonaro”.

Sobre o futuro, Salim Mattar disse que, nas eleições presidenciais, “nós precisamos ter um candidato que seja efetivamente liberal com L maiúsculo. Não apenas no discurso, mas que tenha conteúdo liberal. (…) Estamos precisando de um governo efetivamente liberal. Temos que buscar esse candidato no mercado. Não existe esse nome”. A resposta indica que Salim não apoiará Jair Bolsonaro em uma tentativa de reeleição.

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