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Bolsonaro participa de manifestação em quartel e é criticado por personalidades da política

O presidente da República encorajou o ato, dizendo que seus organizadores acreditam no Brasil, e garantiu que não pretende fazer negociações porque é hora do “povo no poder”

- Publicado no dia
(Foto: Evaristo Sá/AFP)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, marcou presença neste domingo (19) em manifestação, em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. Diversas personalidades do meio da política criticaram o gesto do mandatário. [1]

Na manifestação, havia cartazes, faixas e gritos pedindo intervenção militar e a reedição do Ato Institucional Número 5, que iniciou o período mais restritivo do regime militar, a partir de 1968. O protesto reunia dezenas de pessoas e o presidente as saudou com uma declaração de apoio, dizendo que estava ali porque acreditava nos manifestantes e que eles lá estavam por acreditar no país.

“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”, bradou Bolsonaro.


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As reações

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), ligado ao Movimento Brasil Livre, comentou: “Presidente que participa de manifestação em prol de golpe militar não é conservador, mas revolucionário. O MBL repudia a postura autoritária e antirrepublicana de Jair Bolsonaro, que se demonstra pequeno demais para o cargo que ocupa”.

Já o deputado estadual Arthur do Val (Patriota-SP) atacou o que considera incoerências no discurso de Bolsonaro e sua militância. “Quem dizia defender PM, desrespeita policiais. Quem defendia manifestações pacificas, agride na rua. Quem votou, pedindo AI-5. Quem se dizia liberal e “colocou o Guedes na economia”, endossando intervenção militar”, resumiu. Do Val disse ainda que a conivência de Bolsonaro com a manifestação é uma “traição”.

O ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, ponderou que “É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever”. Seu colega Gilmar Mendes afirmou que “Invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”. [2] [3] 

Por outro lado, o filósofo e jornalista Olavo de Carvalho afirmou que Jair Bolsonaro não foi eleito para ser apenas “o presidente escolhido e amado pelo povo”, mas “é o líder natural e predestinado da revolução brasileira”, com a missão de “quebrar o estamento burocrático e colocar de uma vez o povo no poder”.

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