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‘Os traficantes usam as comunidades como escudo humano’, explica Roberto Motta, assessor de Witzel

Em entrevista ao Boletim da Liberdade, Roberto Motta – ex-secretário e atual assessor especial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel – avalia a operação da ponte Rio-Niterói e as críticas à segurança pública

- Publicado no dia
Roberto Motta e Wilson Witzel (Foto: Divulgação)

Em decorrência do sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói na última terça-feira (20), a política de segurança do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), entrou em pauta. Para além da avaliação da operação, que gerou elogios e críticas, influenciadores e formadores de opinião, especialmente de esquerda, destacaram o número de baixas das operações policiais do Rio de Janeiro ao longo do ano.

Para entender esse assunto, o Boletim da Liberdade conversou com Roberto Motta, atualmente assessor especial do governador Witzel. O relacionamento entre ambos foi estreitado na campanha eleitoral de 2018 quando Motta, que já era uma personalidade de viés liberal no cenário carioca e ativista em segurança pública, foi candidato a deputado federal pelo PSC, ficando na segunda suplência. Com a eleição de Witzel, Motta participou da transição do governo e, após a posse, assumiu a Secretaria de Segurança com a missão de extingui-la – a pasta foi desmembrada em Secretaria de Polícia Militar e Secretaria de Polícia Civil.

Boletim da Liberdade: Qual é a sua avaliação sobre a operação da polícia na Ponte Rio-Niterói?

Roberto Motta: A operação na ponte foi um sucesso absoluto. Ela foi planejada com cuidado, a polícia agiu no momento certo, preservou as vidas dos reféns e neutralizou o sequestrador de acordo com as melhores práticas policiais. O sucesso fica ainda mais evidente quando você compara o resultado de outras operações, com o do ônibus 174 – que foi um desastre – ou daquele sequestro que aconteceu em São Paulo, em que uma moça chamada Eloá foi tomada como refém e ela acabou morrendo. Então, basta comparar o caso da ponte com esses dois casos para se ter uma noção do sucesso que foi a operação da ponte.


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Boletim da Liberdade: Algumas lideranças e personalidades políticas alinhadas à esquerda criticaram a comemoração do governador. Qual é a avaliação que você faz do episódio?

Governador Wilson Witzel celebrou de modo entusiasmado o fim da operação que resultou na morte do sequestrador (Foto: Reprodução/Sputnik)

Roberto Motta: A esquerda do Brasil, há muito tempo, casou a sua ideologia com a bandidolatria. Faz parte do credo da esquerda defender o criminoso como uma vítima da sociedade, um revolucionário em busca da justiça social. Eles não abrem mão dessa posição. Não importa o que você faça, eles vão sempre encontrar o ângulo para demonizar a polícia, glorificar o crime, endeusar o bandido. Isso é parte do modus operandis da esquerda. Se o governador não tivesse feito o gesto de comemoração que ele fez – aliás, muito justo, e eu provavelmente no lugar dele teria feito um gesto mais enfático ainda, porque aquilo foi uma descarga de adrenalina – a esquerda estaria criticando o pouso do helicóptero, ou o fato de ter sido seis tiros, ou sabe-se lá o que. Porque a esquerda sempre acha alguma coisa.

Se o governador não tivesse feito o gesto de comemoração que ele fez, a esquerda estaria criticando o pouso do helicóptero, ou o fato de ter sido seis tiros, ou sabe-se lá o que. Porque a esquerda sempre acha alguma coisa.

A esquerda brasileira há muito tempo deixou ter os melhores interesses da sociedade como meta. Agora, a meta da esquerda é apenas o poder. É como Saul Allinski dizia: a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder. Quantas horas o governador não passou com uma tensão gigantesca, com a possibilidade de acontecer um desastre ali? Quando a operação foi bem sucedida ele teve o gesto mais natural do mundo de comemorar.

Foto: Gabriel Menegale / Boletim da Liberdade

Boletim da Liberdade: O governador Wilson Witzel tem sido criticado também pelas operações policiais em favelas que estaria deixando muitas baixas, inclusive inocentes. O que isso tem de verdade, mentira e qual é a política de segurança do governador?

Roberto Motta: Eu escrevi um artigo que foi o mais compartilhado que eu já tive no Facebook, com quase 11 mil compartilhamentos, em que expliquei que as operações de distribuições de drogas [pelos traficantes] se localizam nas favelas não porque os traficantes são pobres coitados e não tiveram oportunidade. Mas porque eles usam as comunidades como escudo humano. É por isso que acontecem as baixas de inocentes, vítimas fatais entre a população civil. Isso é do interesse do traficante e faz parte da estratégia deles usar as comunidades como escudo humano. É impossível você combater o crime organizado no Rio de Janeiro, é impossível combater o tráfico de drogas, sem que se faça ações nas comunidades.

A falta de entendimento dessa questão crucial faz com que às vezes a opinião pública seja manipulada pela turma da esquerda. No Rio de Janeiro, existe um ecossistema maldito que se reproduz já há muitas décadas que envolve políticos de esquerda, políticos corruptos, ONGs, “ativistas comunitários” e operadores do direito dentro e fora do Estado que se unem na defesa do indefensável. Faz parte dessa defesa do indefensável dizer que as polícias não podem fazer operações nas favelas porque isso provoca baixas. Mas é justamente essa a estratégia dos narcoterroristas: estabelecer as operações de drogas dentro das favelas para que as baixas da população civil provoquem a indignação da sociedade e a polícia deixe de operar. Essa foi a estratégia iniciada por Brizola há 30 anos. O ataque à criminalidade no Rio de Janeiro, e no Brasil inteiro, passa pelo ataque ao narcoterrorismo. E, no Rio de Janeiro, o narcoterrorismo está enfiado nas comunidades e conta com o apoio desse ecossistema.

As operações de distribuições de drogas [pelos traficantes] se localizam nas favelas não porque os traficantes são pobres coitados e não tiveram oportunidade. Mas porque eles usam as comunidades como escudo humano. É por isso que acontecem as baixas de inocentes, vítimas fatais entre a população civil.

Quanto à questão que você chama de vítimas inocentes, isso depende do interlocutor. Em muitos casos que são publicados na mídia, as pessoas que são vitimadas nesses confrontos são pessoas com inúmeras passagens pela polícia. Portanto, é preciso examinar com muito cuidado toda vez que vemos uma manchete quando diz que ‘um jovem inocente trabalhador foi vitimado por um disparo de arma de fogo em confronto com a polícia’ e o pobre coitado era apenas um ‘jovem sonhador que procurava uma oportunidade’. Então, com uma simples busca na internet, você vai ver esse jovem sonhador portando armas pesadas.

Cabe observar ainda a grande quantidade de pessoas que se classificam como liberais falando besteira sobre segurança pública. Pessoas que não perdem a oportunidade de dar uma lacrada às custas da verdade, da justiça e da segurança de todos nós. Ocupam espaços importantes na mídia: no rádio, nos jornais, televisão, na internet, para dizer besteira. Pessoas que até podem entender alguma coisa de economia, ter alguma formação em liberalismo, mas de segurança pública não entendem nada. Nunca se deram ao trabalho de fazerem o dever de casa, mas estão ocupando espaços importantes em segurança pública para dizerem besteira. Me revolta profundamente essas pessoas: é uma posição de pseudo isenção que prejudica profundamente a sociedade brasileira, o país, especialmente nesse momento que a gente está vivendo.

Complexo do Alemão: um dos maiores conjuntos de favelas da América Latina e, até outro dia, QG do Comando Vermelho – principal organização criminosa do Rio de Janeiro. (Foto: Notícias ao Minuto)
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