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Governo diz em telegrama à ONU que não houve golpe militar em 1964

O Itamaraty enviou um telegrama confidencial, confirmado por integrantes do governo, ressalvando que defende a liberdade de expressão e de pensamento
Jair Bolsonaro (Wilson Dias / Agência Brasil)
Jair Bolsonaro (Wilson Dias / Agência Brasil)
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Depois de o governo Bolsonaro se manifestar contrário à afirmação de que o que aconteceu em março de 1964 foi um golpe e o ministro Ricardo Vélez afirmar que os livros didáticos deveriam mudar, um novo capítulo da tentativa de mudar a forma como a História é vista e contada aconteceu nesta quinta-feira (4). O governo enviou aviso à Organização das Nações Unidas dando conta de que não houve golpe naquele ano. [1]

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Em telegrama, o governo afirmou, além de negar o golpe, que os 21 anos de regime militar foram necessários “para afastar a crescente ameaça de uma tomada comunista do Brasil e garantir a preservação das instituições nacionais, no contexto da Guerra Fria”. As décadas de 60 e 70 teriam sido “um período de intensa mobilização de organizações terroristas de esquerda no Brasil e em toda a América Latina” e a ação militar teria o apoio da “maioria da população”.

O documento a que a BBC teve acesso, confirmado por membros do governo, era confidencial e foi enviado pelo Itamaraty a Fabian Salvioli, relator especial da ONU sobre Promoção da Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição. Ele havia feito duras críticas às propostas de comemoração do 31 de março, que rotulou de “imorais e inadmissíveis”, bem como “tentativas de revisar a história e justificar ou relevar graves violações de direitos humanos do passado”.

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Apesar da posição assumida no telegrama, o governo afirma defender “o direito à liberdade de expressão e de pensamento e saúda o debate público sobre os eventos ocorridos no período 1964-1985 no Brasil”.

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