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Conservadores e gravata borboleta: uma polêmica relação?

A gravata borboleta foi mote de dois artigos publicados esta semana sobre conservadorismo: um do cientista político Bruno Garschagen e outro do sociólogo Thiago Cortês

- Publicado no dia
(Foto: Reprodução / Fluindo Moda)

O debate político acerca do conservadorismo teve na última semana uma protagonista inusitada: a gravata borboleta. Vilã, heroína ou simplesmente um acessório estético sem importância? Seja como for, o objeto esteve no centro de dois artigos.

Um deles, “Conservadores-de-gravatinha-borboleta desprezam o conservadorismo populacho”, foi escrito pelo sociólogo Thiago Cortês em seu blog pessoal e publicado no último dia 5. Para Cortês, e não seria difícil deduzir isso do título, “os conservadores-de-gravatinha-borboleta” estão, “com suas expressões de nojinho”, defendendo “uma espécie de entreguismo acadêmico sofisticado sobre as eleições de 2018”. Thiago pontuou ainda que esses conservadores “não se reconhecem e desprezam o conservadorismo não-sofisticado, que não foi gestado em encontros de clubes conservadores que mais parecem reuniões do Rotary Clube”. [1]

Em seu texto ácido, Cortês está usando a gravata como símbolo para atacar o que considera um afastamento pedante de certos pensadores conservadores brasileiros do que seria um “conservadorismo popular”, mobilizado politicamente em torno da candidatura de Jair Bolsonaro. Para esses pensadores, “o conservadorismo deve ser britânico, anglicano, fleumático, fumar charuto e usar gravatinha-borboleta” e “esse negócio de populacho empurrando a pauta conservadora soa como uma heresia”. Eles viveriam “de um conservadorismo acadêmico insosso que raramente vaza para além dos seus clubinhos elitistas” e por isso “estão horrorizados com este ‘conservadorismo do populacho’ que jamais passou por eles e deles não tem nenhuma contribuição”.


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Por outro lado…

Bruno Garschagen, autor de “Pare de acreditar no governo – Por que os brasileiros amam o estado e não confiam nos políticos”, escreveu o outro artigo em seu espaço na Gazeta do Povo. Com o título “A revolta contra a gravata borboleta”, publicado nesta segunda (08), Bruno lembrou figuras, como o estadista britânico Winston Churchill, que ostentavam a peça de vestuário e procura rebater críticas de leitores que fizeram acusações e dirigiram impropérios contra ele depois de sua entrevista para o Estadão alegando que a direita política tinha pouca probabilidade de obter uma vitória expressiva já nas eleições de 2018. [2] [3]

Ele sustentou que as vestes “transmitem dignidade, grandeza, valores, seriedade” e “a roupa que vestimos mostra o respeito que temos por nós mesmos e pelos outros – dado que é um símbolo de certas virtudes materializado na maneira como nos apresentamos em privado e publicamente”. Para os críticos, no entanto, a gravata seria a “prova cabal” da sua ignorância, curiosa revolta que ele diz sentir desde que começou a usar a peça, inspirado por Churchill e pelo professor português João Carlos Espada.

A atitude de contestar o uso da gravata e acusar conservadores como Bruno de estarem desconectados da realidade cultural brasileira é vista por ele como produto de um “anti-intelectualismo estúpido e estéril” e “uma reação um tanto esquisita contra (não riam) vestuário, gravatas, charutos, cachimbos e que tais” levada a efeito por “fiscais dos objetos alheios” que ridicularizariam Churchill se estivessem em sua época. “Denunciar a natureza daquilo que ruminam e dos atos que os desqualificam é uma das maneiras de dissociá-los do conservadorismo e evitar que com eles sejamos vinculados”, concluiu.

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