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Bolsonaro cogita filiar-se ao PSL, prega o fim do Livres e é chamado de vigarista

O deputado federal e pré-candidato à presidência da república Jair Bolsonaro afirmou em entrevista à 'Gazeta do Povo' estar "90% fechado com o PSL"; partido desmente e Ostermann chama deputado de vigarista
O deputado federal e pré-candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro. Isolado e ainda sem partido. (Foto: VEJA)
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O deputado federal Jair Bolsonaro declarou para o site do jornal Gazeta do Povo [1] na noite desta quarta-feira (20) que “estaria namorando o PSL” e que o presidente da legenda, Luciano Bivar, teria se comprometido a dar “51% das ações” da legenda a ele. A declaração, porém, além de ter sido desmentida na página do PSL/Livres, irritou o cientista político Fabio Ostermann, ex-diretor do Instituto Liberal e uma das principais lideranças da renovação do partido.

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“Bolsonaro se mostra um belo vigarista cujos métodos se assemelham cada vez mais aos daqueles que ele diz combater”, afirmou, complementando que o pré-candidato à presidência “utilizou-se de uma reunião concedida cordialmente pelo nosso presidente [Luciano Bivar] para criar um factóide (que estaria vindo pra o PSL) e se alavancar nas suas barganhas obscuras com as mais diversas legendas”. [2]

De acordo com o que foi publicado em diversos veículos de comunicação e repercutido no Boletim nesta quarta-feira, Bolsonaro estaria negociando com partidos que pudessem abrigá-lo na disputa pelas eleições em 2018. Além do PSL, haveria conversas com o PR. O motivo, porém, dessa procura, não estava claro – até a entrevista concedida por Jair à Gazeta.

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Mudanças de plano

Ao jornalista Evandro Éboli, o parlamentar teria afirmado que “chegou num limite” com o PEN/Patriota devido a uma disputa de poder com o presidente da legenda, Adilson Barroso. Ainda segundo a matéria, Bolsonaro teria antecipado estar “90% fechado com o PSL” e que a legenda “vai mudar seu regimento”, referindo-se à corrente Livres.

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“Tem uma ala, o ‘Livres’, que vai deixar de existir e não terá mais espaços no partido”, teria dito o pré-candidato à presidência da república, pregando o fim da corrente liberal que tem renovado o PSL desde 2015 e que conta com a liderança de Sergio Bivar, filho de Luciano – com quem Bolsonaro alega ter negociado o partido.

Ex-presidente do Sport Club, de Recife, Luciano Bivar é também presidente nacional do PSL (Foto: GloboEsporte.com)

Minutos após a matéria, porém, o PSL/Livres tratou de publicar uma nota de esclarecimento nas redes sociais. Ali, o partido afirmou que “não procedem as notícias que o deputado federal possa se filiar ao PSL” e que “em função das evidentes e conhecidas divergências de pensamento, o projeto político de Jair Bolsonaro é absolutamente incompatível com os ideais do Livres e o profundo processo de renovação política com o qual o PSL está comprometido”.

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De quem é o blefe?

Se lideranças do Livres garantem não haver qualquer aproximação com Jair Bolsonaro, restaria a pergunta: quem está blefando?

De um lado, está Luciano Bivar, fundador e presidente da legenda. Ele não é considerado um quadro da corrente de renovação e, em tese, teria poder para dar fim ao projeto do Livres de assumir o partido. Não seria a primeira vez que iria contra os interesses da corrente de renovação.

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Em agosto, Bivar, que havia acabado de assumir uma cadeira de deputado federal como suplente, votou à favor da permanência do presidente Michel Temer na segunda denúncia enviada pela Procuradoria Geral da República à Câmara. Na ocasião, o voto contrariou o interesse do Livres [3], que pregou “respeito pelos quadros do PSL”, mas “lamentou os votos” contra a continuidade das investigações.

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Ao Boletim da Liberdade, o diretor de comunicação do PSL/Livres, Mano Ferreira, afirmou que a nota que desmentiu a vinda de Bolsonaro foi publicada com o consentimento de Luciano Bivar. E criticou a atitude da Gazeta do Povo de publicar a versão de Bolsonaro como fato sem sequer ouvir o partido.

Duas fontes ouvidas pelo Boletim da Liberdade, no entanto, que preferem não se identificar, afirmam que a situação não é tão clara. O risco do insucesso político do Livres pode, sim, estar afetando o futuro do projeto no partido. Com o surgimento da cláusula de barreira, aprovada em outubro, a pressão sobre resultados teria crescido consideravelmente.

O amor acabou: lançamento do Patriota, marca que o PEN aceitou se transformar para acolher Bolsonaro em 2018. No detalhe, Jair Bolsonaro (à esquerda) e Adilson Barroso (à direita). (Foto: Divulgação)

Por outro lado, elas não negam que a hipótese de Ostermann esteja certa. Na prática, Jair Bolsonaro – desesperado pelos recursos do fundo partidário para financiar suas viagens pelo Brasil – também estaria tentando barganhar com o PEN/Patriota e outras legendas que possam abrigá-lo. Segundo colocado nas pesquisas eleitorais há um ano do pleito, Bolsonaro considera-se um “passe” para qualquer partido que queira vencer a cláusula de barreira e está em busca de uma legenda que esteja disposta a pagar o preço de investir em sua pré-campanha e dar-lhe legenda em 2018 para disputar ao Planalto.

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Para Fabio Ostermann, “Bolsonaro está desesperado”. “Pelo visto, as coisas no PEN andam complicadas. O homem que passou 27 anos na Câmara sem aprovar um projeto […] está aprendendo que não existem atalhos na política e que não se constrói um partido do dia pra noite, como ele almeja(va) fazer com o tal do Patriota”, concluiu em seu desabafo no Facebook.

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Como comentou Rodrigo Zierth, filiado ao NOVO, na nota de esclarecimento do PSL/Livres, esse desafio será um momento decisivo para o PSL. “Vejo que agora é o teste final para o PSL. Irá o PSL honrar o compromisso de renovação com o Livres, ou vai sucumbir à tentação de adotar o Bolsonaro, e de quebra levar um presidenciável forte?” Até a publicação desta matéria, 44 pessoas haviam curtido essa reflexão.

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