Crítica de Joel Pinheiro ao MBL abre debate sobre relação com a imprensa

Ataques do colunista da Folha de São Paulo ao movimento deixaram no ar a pergunta: qual a relação que se deve ter com a imprensa tradicional?

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Joel Pinheiro (Foto: Reprodução / Ceticismo Político)
Joel Pinheiro (Foto: Reprodução / Ceticismo Político)

O ecossistema pró-liberdade tem lidado há tempos com o dilema do relacionamento com a imprensa tradicional. Ao conquistar espaço e dar origem a novos veículos de comunicação, sobretudo no âmbito virtual, como o Spotniks e este Boletim, os think tanks, influenciadores e movimentos populares despertaram a discussão sobre a melhor maneira de se relacionar com os grandes veículos e jornalistas tradicionais, muitas vezes acusados de parcialidade e distorção dos fatos em prol de certas agendas. Um comentário do colunista liberal da Folha de São Paulo, Joel Pinheiro da Fonseca, abriu novo capítulo nessa polêmica e fomentou grande discussão.

Tudo começou com um post feito por Joel afirmando que a “rejeição que a ‘nova direita’ tem pela mídia é um negócio lamentável. Uma reação burra – e que se orgulha de ostentar a burrice como se fosse algum tipo de superioridade moral”. Segundo ele, por exemplo, o Twitter do portal Reaçonaria teria “mentido abertamente na tentativa de denegrir uma matéria da Folha“, atitude que ele afirma ter censurado. O cerne da questão, porém, foi o MBL.

“Vejo que o MBL se negou a oferecer qualquer fonte dos seus fatos, porque fazer ‘fact checking’ é censura. E publicam carta toda orgulhosa ‘bisnagando’ o grupo de jornalistas que – crime dos crimes – tentava apurar a verdade. É de dar vergonha. Isso é pura indigência mental”, ele disse, asseverando que bastaria “corrigir o discurso” oferecendo a fonte das afirmações.

Joel estava se referindo ao fato de que uma entidade chamada Agência Pública, que tem por membros jornalistas como Leonardo Sakamoto, Eliane Brum e o ex-assessor de Lula, Ricardo Kotscho, havia enviado um e-mail ao Movimento Brasil Livre solicitando as fontes para uma série de informações que seriam “checadas” pelo órgão para uma posterior publicação do resultado. O MBL respondeu alegando não reconhecer a legitimidade e a honestidade “de uma ONG bancada com dinheiro do globalista George Soros” e que a Agência Pública “é um coletivo de esquerda coalhado de militantes petistas travestidos de jornalistas tentando levar à frente uma ridícula aura de isenção”.  Acompanhando a mensagem, havia a imagem da réplica de um pênis, com uma faixa em que se lê “imprensa” e o comando “Check this!” (“Chequem isso!”).

Agência Pública e Sakamoto (Foto: Reprodução / Mais Premiados)
Agência Pública e Sakamoto (Foto: Reprodução / Mais Premiados)

Luciano Ayan e a troca de farpas 

A resposta do MBL, para Joel, é uma demonstração de que “os sites e movimentos de direita não estão a dever em nada à pior e mais suja blogagem pró-PT (DCM, 247, Mídia Ninja, etc.) no quesito honestidade intelectual”, com a única vantagem de não serem “financiados por dinheiro público”. O blogueiro Luciano Henrique Ayan, do popular Ceticismo Político, reagiu aos comentários de Joel, em artigo intitulado “Joel Pinheiro faz papelão perante a direita ao pedir para que o MBL se rebaixe a censores”.

 

Vejo que o MBL se negou a oferecer qualquer fonte dos seus fatos, porque fazer ‘fact checking’ é censura. (…) Isso é pura indigência mental.

(Joel Pinheiro)

Em seu texto, Ayan diz que não se deve pregar a “‘confiança’ em inimigos”, isto é, levá-los a sério enquanto jornalistas, pois “usarão essa confiança depositada para destruir a direita”. Ayan tem convicção de que a resposta do MBL “foi mais do que acertada, pois retirou qualquer legitimidade da agência de censura como ‘validadora de fatos'”. Ridicularizando a ideia de que os “fact checkers” estão apenas querendo “apurar a verdade”, Ayan sustentou que governos totalitários podem perfeitamente implementar mecanismos de checagem “de histórico de famílias, buscando dados detalhados, acima do normal”. Nesse caso, supondo-se que o alvo da checagem faça parte de um dos grupos perseguidos pelo regime, Ayan pergunta: “vale a pena se abrir feito uma flor para as checagens dos totalitários ou denunciar o esquema enquanto for possível?”.

“Dar legitimidade a censores que usam fact checking de forma seletiva para mascarar a censura” seria um erro estratégico, segundo Ayan, e as informações que eles diziam procurar podiam ser facilmente encontradas em uma pesquisa via Google, “pois todas eram informações de domínio público”. O editor do blog O Reacionário, ligado ao MBL, Eric Balbinus de Abreu, fez coro com Ayan ao afirmar que a ideia de Joel pressuporia “acreditar que Sakamoto e Agência Pública fazem jornalismo sério”, que “o sujeito do Havana Connection está mesmo interessado em fatos”, que “os fanáticos seguidores de carniceiros militam pelo totalitarismo por verdadeiramente acreditarem em igualdade e justiça social”.

Joel se manifestou mais uma vez, em vídeo. Disse que a postura do MBL é indefensável e que é extremismo recorrer a “teorias de conspiração” para simplesmente fugir a responder o que foi perguntado. Confira na íntegra:

A troca de farpas deixa no ar a discussão. Independentemente de a imprensa ser ideologicamente enviesada ou não, qual o tipo de tratamento que ela deve merecer de liberais, conservadores, sociais liberais, da “nova direita” ou de como quer que se denominem os grupos do recente ecossistema pró-liberdade formado no Brasil?

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