Em entrevista, Bolsonaro não deixa claro se quer ou não privatizar a Petrobras

Polêmico e controverso, o parlamentar já circula pelo país anunciando intenção em ser candidato a presidente em 2018 e obtém simpatia de parcela dos liberais e conservadores

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Foto: Reprodução / Câmara
Foto: Reprodução / Câmara

O youtuber Arthur do Val, dono do canal Mamãe Falei, publicou na última terça-feira (21) uma entrevista feita nos corredores do Congresso com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Em uma conversa informal, entre brincadeiras e assuntos sérios, o parlamentar explicou seus posicionamentos relacionados a determinados temas econômicos, como a importância do nióbio e a necessidade de privatizações.

Para endossar a importância estratégica de se proteger o mineral, o deputado explicou no vídeo supostas utilizações do recurso, mas negou o interesse em criar uma estatal para exploração. “Com o nióbio, é possível fazer chassis de automóveis como se fossem air-bags, pois é mais resistente e é maleável. […] A China acabou de fazer um gasoduto de 9 mil quilômetros [de Nióbio]. Na mesma bitola, você consegue botar mais que o dobro de gás dentro dele”, exemplificou, entusiasmado. Para exploração, o parlamentar disse acreditar que o ideal seria o modelo de partilha, desde que “com empresários brasileiros”.

Arthur do Val também questionou o deputado sobre a privatização da Petrobras. Embora tenha concordado em relação à importância de se reduzir o tamanho do Estado, Jair Bolsonaro não deixou claro se é ou não favorável à privatização da estatal, salientando que antes desse debate seria preciso recuperar a empresa e que não se pode “sair entregando”. Em determinado momento, porém, afirmou que “aceita discutir” o assunto, mas se mostrou crítico à “forma” pela qual já se fez privatização no Brasil, reclamando do modo pelo qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria privatizado a Vale.

Família Bolsonaro e Liberalismo

Ao longo dos últimos anos, o deputado federal Jair Bolsonaro cresceu significativamente em popularidade, sobretudo na internet. Sua fanpage conta com 3,9 milhões de curtidas, número, por exemplo, acima do já obtido pelo presidente Michel Temer ou pela ex-presidente Dilma Rousseff.

O crescimento da popularidade, porém, não se restringe à rede, muito menos ao pai (Jair). Além de ter sido o deputado federal mais votado no estado do Rio de Janeiro, seus filhos Flavio e Carlos Bolsonaro (ambos também do Rio) costumam ficar entre os mais votados nos pleitos locais.

Mas se, de um lado, o crescimento do capital político da família Bolsonaro gerou um movimento pela sua candidatura à presidência da república (desejo que Jair Bolsonaro não esconde), por outro fez aumentar a atenção do público sobre posicionamentos em temas dos quais pouco falava. Nesse sentido, criou-se a expectativa de que o parlamentar e seus filhos pudessem adotar no campo econômico um posicionamento mais liberal. Essa percepção foi reforçada com a proximidade do grupo político com o professor Bernardo Santoro, ex-presidente do tradicional Instituto Liberal.

Mas até esse lado econômico ainda gera debates entre liberais. Recentes casos aumentam a controvérsia sobre até que ponto a família Bolsonaro efetivamente abraçará o ideário liberal. O deputado estadual Flavio Bolsonaro, por exemplo, votou recentemente contra a privatização de uma estatal do Rio de Janeiro em meio à grande crise do estado e foi criticado por formadores de opinião. O deputado Jair Bolsonaro, por sua vez, se absteve na recente votação que liberou a terceirização das atividades-fim – projeto endossado pela maior parte dos liberais -, mas Eduardo Bolsonaro (seu filho, deputado federal por São Paulo) foi favorável.

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