Nossa essência é empoderar a próxima geração de líderes da liberdade, diz Fernando Henrique, do SFLB

Diretor executivo do Students for Liberty Brasil explica, em entrevista exclusiva para este Boletim, as propostas, os valores e o método de trabalho da organização estudantil em defesa da liberdade

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Fernando Henrique Miranda, diretor-executivo do SFLB. (Foto: Reprodução / Facebook)
Fernando Henrique Miranda, diretor executivo do SFLB. (Foto: Reprodução / Facebook)

Rede internacional dedicada a estimular o florescimento de novas gerações de defensores das ideias liberais e libertárias dentro das juventudes, o Students for Liberty realiza conferências internacionais periodicamente e tem braços em várias nações. No Brasil, um país com tanta carência de uma visão mais empreendedora e liberal, os desafios são grandes, mas a representação local, sob a direção executiva de Fernando Henrique Miranda, está disposta a encarar todos eles.

Em entrevista exclusiva a este Boletim, ele traça um diagnóstico do que encontrou quando assumiu a tarefa, do horizonte que se desenha e do método de trabalho adotado pelo Students for Liberty Brasil.

Boletim da Liberdade: Como se pode entender o papel e o escopo de ações do Students for Liberty e que vinculação ele tem com instituições e movimentos internacionais e nacionais, como os demais think tanks e grupos de divulgação do ideário liberal que já existem pelo país?

Fernando Henrique Miranda: Nós nos orgulhamos de fazer parte de um movimento internacional em defesa da liberdade. O Students For Liberty é uma organização ativa em mais de 110 países, com 43 funcionários, 1.700 ativistas treinados, e 100.000 estudantes impactados. Isso nos dá uma força incrível!

Conseguimos contatos e parcerias com organizações dentro e fora do Brasil. Há pouco tempo, eu e os cinco coordenadores regionais do Students For Liberty Brasil (SFLB) fomos convidados e participamos do I Encontro da Rede Liberdade, que congregou boa parte do movimento liberal brasileiro institucionalizado.

Nós acreditamos que a liberdade e a cooperação voluntária privada são o caminho para qualquer sociedade se tornar próspera. Nada mais justo que isso se estender às nossas ações.

Boletim da Liberdade:  Como funciona o programa de cadastro de coordenadores do SFLB, como está essa distribuição de responsáveis nacionalmente e de que atividades eles estão encarregados?

Fernando Henrique Miranda: O Programa de Coordenadores do Students For Liberty Brasil é o “arroz com feijão” da organização. Nosso modelo é bem simples: nós educamos, desenvolvemos e empoderamos jovens para serem líderes pela liberdade.

Em meio aos estudantes universitários brasileiros, encontramos estudantes liberais, os “isentões” e os contrários às ideias da liberdade. Nós tentamos apresentar as ideais da liberdade aos contrários, educar os “isentões” e trazer os liberais para a nossa comunidade.

Para isso, existe o Programa de Coordenadores e ele é organizado por turmas. Logo, antes do início de uma turma, abrimos uma seleção e candidatos podem se aplicar para entrar no programa. Todos os candidatos são entrevistados para sabermos mais sobre eles e ao final recebem a notícia dizendo se eles foram aceitos ou não.

Nós acreditamos que a liberdade e a cooperação voluntária privada são o caminho para qualquer sociedade se tornar próspera

Uma vez dentro do programa, os líderes se tornam Coordenadores Locais, serão treinados e receberão mentoria para seus projetos. Os líderes que mais se destacarem em um estado poderão se candidatar para se tornarem Coordenadores Estaduais (um para cada estado do Brasil) e passarão a ser responsáveis por liderar todos os Coordenadores Locais de seu estado.

Os melhores Coordenadores Estaduais de uma região brasileira poderão se candidatar para se tornarem Coordenadores Regionais. Esses 5 coordenadores são a elite do programa e representam o que nós esperamos de jovens líderes. Eles são os líderes de uma região e responsáveis por fomentar o ativismo de centenas de jovens.

Boletim da Liberdade: Quais são os principais desafios da sua gestão no SFLB? Que tipo de experiências de atividades anteriores você pretende implementar neste cargo de comando?

Fernando Henrique Miranda: Eu acredito que o maior desafio inicialmente é manter o crescimento que a instituição vem experimentando nos últimos anos e ao mesmo tempo criar mecanismos de gestão que garantam um futuro estável. Preciso criar maneiras de profissionalizar ainda mais o SFLB.

Apesar de ter experiência de mercado, é um trabalho completamente novo, com novos desafios, não se comparando a nada que fiz antes. Além disso, também quero que nossos coordenadores locais sejam líderes de fato e não apenas números para que os vendamos aos patrocinadores. Para isso, a ideia a partir de agora – em parceria internacional com o próprio SFL – é servir como plataforma para que nossos coordenadores façam suas ideias saírem do papel. Um dos casos  bem sucedidos de projeto estudantil, que foi idealizado e colocado em prática por um dos líderes de nossa organização, é o Liderança nas Escolas. Este projeto  reúne, hoje, 20.000 crianças por ano para falar sobre empreendedorismo e liberdade nas escolas. Portanto, o objetivo aqui é dar a oportunidade para que outros coordenadores desenvolvam suas atividades sob nosso guarda-chuva, de forma a que possamos oferecer todo o apoio e mentoria necessários, assim como o Liderança nas Escolas fez há um ano e meio.

Organização está vinculada ao Students for Liberty internacional. Acima, conferência internacional da entidade. (Foto: Divulgação / Students for Liberty)
Organização está vinculada ao Students for Liberty internacional. Acima, conferência internacional da entidade. (Foto: Divulgação / Students for Liberty)

Boletim da Liberdade: Qual a percepção da diretoria do SFLB acerca da importância das mídias sociais e do meio virtual para o sucesso da difusão da mensagem liberal e libertária? De que maneira a instituição pretende explorar esse recurso?

Fernando Henrique Miranda: Eu acredito que o movimento liberal e o próprio SFLB só atingiram o tamanho que têm hoje graças às mídias sociais. Não tínhamos espaço para divulgar nosso ideal antes disso e acredito que a Internet vai continuar sendo o principal motor do libertarianismo no Brasil.

Nosso trabalho nas redes sociais está baseado em dar visibilidade aos grupos participantes da nossa rede e falar de assuntos que afetam o cotidiano das pessoas, introduzindo, assim, ideias de um futuro mais livre.

Boletim da Liberdade:  Para onde o SFLB caminha hoje e que projetos estariam concebendo para os próximos meses?

Fernando Henrique Miranda: Queremos resgatar a essência do SFL que é “empoderar a próxima geração de líderes da liberdade”. Estamos caminhando para fazer isso de forma mais efetiva. Queremos, cada vez mais, fazer com que os coordenadores locais tenham projetos próprios.

Nem todas as nossas lideranças vão ser políticos ou atuar no meio liberal, por isso, consideramos importante formar líderes em suas respectivas áreas, de modo que eles sejam bem-sucedidos em qualquer coisa que se propuserem a fazer.

Várias de nossas lideranças têm buscado um eixo mais empreendedor e nós  temos que identificar como apoiá-los. Também estamos nos aproximando de alguns projetos que nasceram de coordenadores que hoje estão afastados. Nosso objetivo é dar protagonismo para as ações efetivas e bem feitas.

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