O MBL tem medo das manifestações contra Bolsonaro? - Tribuna | Boletim da Liberdade

O MBL tem medo das manifestações contra Bolsonaro?

27.06.2021 06:38

*Rubinho Nunes

O economista Pedro Menezes, na última sexta-feira (19), levantou um questionamento em seu perfil no Twitter acerca das manifestações de esquerda contra o governo Bolsonaro: seria segura a presença do MBL e de outras figuras do centro e da direita nestes atos? As respostas desta publicação mostraram a verdadeira face da esquerda extremista.

Diversos usuários e “influenciadores” de esquerda passaram a atacar o Movimento, muitos em tom de ameaça, insinuando que o MBL não deveria sair às ruas para preservar a integridade física de seus membros. O próprio Jean Wyllys, ex-deputado federal que fugiu de mim na CPI de crimes cibernéticos em 2015 e, mais recentemente, fugiu para a Europa graças a supostas perseguições, hipocritamente insinuou que o Movimento Brasil Livre atuava com “covardia” ao não aderir às manifestações lulistas disfarçadas de “Fora Bolsonaro”.

Mas, afinal, por que o MBL se recusa a comparecer a estes protestos, mesmo mantendo uma postura firme favorável ao impeachment do presidente da República? A razão é a mesma que levou à minha expulsão do Patriota há algumas semanas: não fazemos fileira com bandido.

Os atos promovidos pelos esquerdistas, na realidade, pedem Lula na Presidência e não defendem o impeachment de Jair Bolsonaro com veemência – até porque, um eventual afastamento do atual presidente não seria politicamente positivo para o Partido dos Trabalhadores, que, aliás, sempre rotulou a medida político-jurídica como “golpe”. Para Lula ganhar as eleições de 2022, ele necessariamente precisa concorrer contra Jair Bolsonaro no segundo turno. Praticamente qualquer outro candidato levaria a disputa contra Lula, devido à alta rejeição do petista.

Desde 2019, o MBL já fazia ferrenha oposição ao governo Bolsonaro. Em 2020, protocolei junto ao deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), pedido de impeachment do presidente, atuando coragem e de forma bem diferente dos petistas, que entendiam por conveniente “deixar Bolsonaro sangrar”. Mas quem sangrou, no final, foi o Brasil. Jamais faremos aliança com o PT, PSOL, PCdoB ou quasiquer micro-organizações de esquerda, continuaremos independentes e, quando for a hora certa, iremos às ruas para defender nossas pautas com liberdade e coerência.

Mas, afinal, qual é a hora certa de tomar as ruas com atos que repudiem tanto Lula quanto Bolsonaro? A resposta vem impregnada de responsabilidade: quando a população brasileira tiver atingido o nível de imunização por vacinas suficiente para tanto, é claro! Afinal, não podemos ser hipócritas: criticamos a constante promoção de aglomerações por parte do presidente, não podemos fazer igual. Precisamos manter a coerência, para garantir a legitimidade das nossas reivindicações e não expor os brasileiros a risco. Aqui, vale lembrar da máxima: “as palavras convencem, mas o exemplo arrasta”.

Voltando à pergunta de Menezes, respondo que a única segurança que queremos é contra o vírus para nossos apoiadores e, mais ainda, para todos os cidadãos do Brasil. Sairemos às ruas somente quando tivermos a pandemia controlada e a população amplamente vacinada; se não for assim, estaremos incorrendo, inevitavelmente, em contradição, já que uma das pautas dos protestos é, justamente, criticar as políticas, posições e atos destrutivos de Jair Bolsonaro e seus asseclas contra a saúde pública.

Não há que se falar em “medo” dos esquerdistas: não tivemos medo de promover manifestações contra o PT, que tinha uma militância ainda mais violenta que o bolsonarismo, e não é agora que iremos evitar. Extrema esquerda e extrema direita nos querem longe das ruas, pois entendem o que isso significa: somos o movimento que organizou as duas maiores manifestações da história do país.

No entanto, uma parte da esquerda faz tais ataques como forma de provocar, com o intuito de nos fazer sair antes da hora, pois entenderam que atingiram um teto de comparecimento nos protestos, tanto online como presencial. Os números das interações deste 19 de junho foram menores do que os de 29 de maio, como aponta o especialista de mídias sociais, Fábio Malini. Se o centro e a direita não entrarem na briga, dificilmente haverá volume suficiente para assustar o Congresso.

Aos queridos esquerdistas, posso dizer que em breve nos verão chamando o povo para marchar não apenas contra o governo genocida de Jair Bolsonaro, mas contra o retorno da corrupção desenfreada, crise econômica e populismo do Partido dos Trabalhadores.

*Rubinho Nunes (PSL) é Vereador em São Paulo. 

Foto: Reprodução/Facebook