Diário da quarentena: pessimismo - Laura Ferraz - Boletim da Liberdade
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Diário da quarentena: pessimismo

04.07.2020 12:15

Estava decidida a escrever sobre a Assembleia Jovem da ONU; evento em que representei o Brasil e reúne jovens lideranças do mundo todo para discutir os 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Pessoas com diferentes credos, raças e condições socioeconômicas, conversando sobre o futuro do planeta em Nova York. Entretanto, mudei de ideia ao notar que estou regurgitando o cenário atual de forma constante.

Pensava que seria fácil escrever uma vez por semana durante o isolamento. Pensei errado. Não sabia que a política do nosso país passaria a me dar tanto asco quanto agora. Estou anojada. Não me compreendam mal, pois sempre fui o tipo de pessoa que acreditava na mudança e repetia a frase “Se não formos nós, serão eles”. Bem, já não tenho mais paciência para a polarização que vivemos. Não há espaço para ignorância e preocupações vazias na minha vida. A única coisa que sinto é vergonha e uma falta de esperança para com a nossa nação. É óbvio que ainda acredito que a livre iniciativa e liberdade são a base de tudo. O Brasil ainda pode muito, mas não sei quanto ao brasileiro. Nosso orgulho em sermos malandros está matando nosso povo.


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Defensores do governo vão às ruas pedir a abertura da economia e o retorno normal às atividades para que a economia não pare, mas nas fotos o que vi foi um bando de irresponsáveis sem máscara. Como vocês dizem defender autonomia ao indivíduo se não há responsabilidade pessoal para com o próprio corpo? Com que cara um defensor da liberdade vai defender que o Brasileiro possui maturidade para decidir seu próprio caminho se não conseguem respeitar um espaço mínimo de distância e usar um utensílio de proteção pessoal?

Grande parte deste grupo é oriundo de famílias abastadas e está no seu confortável lar, julgando o que é certo ou errado aos pais e mães de família que já não sabem mais o que fazer para sustentar sua casa.

Quanto aos passadores de pano do desgoverno petista, só querem detonar o governo atual e não se preocupam com o futuro de quem realmente é pobre e precisa trabalhar. Grande parte deste grupo é oriundo de famílias abastadas e está no seu confortável lar, julgando o que é certo ou errado aos pais e mães de família que já não sabem mais o que fazer para sustentar sua casa. Em resumo, não consigo me enquadrar nos dois grupos anteriores, o que parece ter me jogado automaticamente para o grupo odiado por ambos: os isentões.

A quarentena parece ter atingido seu objetivo em minha vida: aflorou ainda mais características que não admiro na personalidade de qualquer pessoa: impaciência, comodismo, displicência e desregramento. Mudanças aconteceram no meu modo de pensar e agir, assim como nas relações pessoais. Não vejo mais sentido em discussões inúteis ou tentativas de fiscalização da vida alheia. Voltarei a sentir prazer em defender algo no futuro? Provável que sim; no momento, defendo que as pessoas façam o que lhes dê prazer, mesmo que essa palavra possa apavorar puritanos e cegar aos libidinosos. Aos que tremem ao ler ONU, saibam que a próxima coluna já está pronta e é sobre a maior experiência da minha vida.

“Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens” Ayn Rand.

Foto: Alan Santos/PR


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