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Dilemas direitistas

17.11.2021 08:32

O pleito eleitoral de 2022 começa a bater na porta de políticos, pretensos candidatos e partidos. Muitas das escolhas que serão feitas até abril, data final para filiação partidária, irão ditar os rumos do pleito eleitoral, impactando diretamente o crescimento das vertentes do pensamento político.

Se enquanto no campo socialista assiste-se uma possível derrota para o PSOL, que após a saída de Marcelo Freixo para o PSB corre riscos de não atingir a cláusula de desempenho, além da redução de força política no PT nos grandes centros do país, no campo conservador e liberal também há diversos dilemas a serem resolvidos.

Na área mais liberal do espectro mais situado à direita, as polêmicas dentro do NOVO sobretudo na figura de seu fundador João Amoêdo geraram desgaste, principalmente após sua participação em manifestações contra o Presidente Jair Bolsonaro em conjunto com membros do PDT e do PCdoB. Após seu nome ser rechaçado pela legenda para uma candidatura presidencial, o nome de Luiz Felipe D’Avila passou a ser levantado.



Embora o cientista político tenha bons predicados técnicos, sua figura é ligada ao PSDB, onde chegou a lançar pré-candidatura ao Governo de São Paulo em 2018, além de ser um dos coordenadores do plano de governo de Geraldo Alckmin na última eleição presidencial, fazendo com que o NOVO venha em um processo de distanciamento de pautas liberais para seguir um caminho social-democrata.

Tal processo espanta os eleitores mais liberais que não se identificam com uma visão mais socializante. Já em 2020, o NOVO foi uma das legendas que não teria atingido a cláusula de barreira, fazendo com que o sinal de alerta fique ligado para 2022, obrigando a legenda a rever estratégias como o não-lançamento de candidaturas em vários estados e municípios, coligações partidárias e nominatas legislativas com poucos candidatos.

No campo mais conservador, também há seus dilemas. A decisão partidária de Jair Bolsonaro, desde 2019 sem filiação partidária impacta diretamente na organização eleitoral para o pleito. Embora tenha chegado a anunciar a filiação ao PL, o Presidente da República anunciou durante a sua viagem aos Emirados Árabes que as negociações estavam congeladas, impedindo a realização do ato já agendado para 22 de novembro.

Em 2020, a falta de uma legenda que reunisse a liderança e os predicados de Bolsonaro em conjunto com a falta de identidade partidária, características eleitorais diferentes de uma eleição municipal para uma eleição nacional e um aumento no número de candidatos fizeram com que diversos conservadores não atingissem vitórias eleitorais.

Para fins de exemplo, candidatos com este tipo de plataforma espalhados por legendas como Republicanos, PSD, Podemos, Patriota, PSL, PMN, PRTB, PP, PL PSC, DEM e DC atingiram somados mais de 300.000 votos nas eleições para Vereador no Rio de Janeiro; tal número teria eleito 7 parlamentares, assim como alcançaram Republicanos, PSOL e DEM.

Outro ponto a se discutir no âmbito conservador é a dificuldade de saída de bolhas, sobretudo nas redes sociais. Embora não se negue a importância da internet no processo eleitoral atual e na difusão das ideias pró-liberdade, a falta de trabalhos de base como eventos e grupos de estudo fazem com que a dependência da internet fique excessiva e realizando as famosas “pregações para convertidos”, sobretudo em um cenário onde o próprio judiciário vem encerrando canais de comunicação e desmonetizando canais sobre política. Ainda que se tenha um eleitorado conservador a ser disputado sobretudo após o racha do PSL, tais dilemas causam dificuldades para 2022.

Liberais e conservadores precisam saber um projeto claro para que possam vencer eleições legislativas e possam aumentar ainda mais a tramitação de uma agenda virtuosa que promova a recuperação do país. Mas na política, planejamento é fundamental para alcançar voos cada vez mais altos.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil