Por que ainda defendemos ditaduras – Colunas – Boletim da Liberdade

Por que ainda defendemos ditaduras

05.08.2021 07:28

Mateus Ferronatto*

Você provavelmente já deve ter ouvido de algum conhecido a frase “Até que Cuba não é tão ruim, a saúde deles é melhor”, ou “Precisamos da ditadura para colocar ordem”, frases que muitas vezes vêm de pessoas instruídas e que tiveram algum mérito ao longo de suas vidas. Então por que, depois de termos vivido ditaduras cruéis e regimes que mataram milhares de pessoas, ainda falamos, mesmo que informalmente, frases como essas? A verdade é que não existe uma resposta certa, e sim uma série de fatos que levam as pessoas a chegar a tais conclusões. 

Muitos de nós, desde os primórdios de nossa educação, somos ensinados que o capitalismo e a burguesia foram os vilões da história moderna, trazendo diversos pontos negativos do sistema que vivemos atualmente. Por outro lado, não fomos ensinados como o sistema que vivemos proporcionou o padrão de vida que as sociedades modernas usufruem. Atualmente, um cidadão pertencente às classes sociais mais baixas tem acesso a itens que um século atrás nem os mais ricos tinham. Essas conquistas foram possíveis graças ao sistema capitalista, que, por mais imperfeito que seja, é o que mais se adequa à natureza imperfeita dos seres humanos. 

Nos dias de hoje, partidos que se denominam socialistas se apropriam de temas que não condizem com suas ideologias fundamentais, utilizando causas como o casamento gay, ou a liberação da maconha, para atrair pessoas das classes mais baixas da população, e principalmente jovens, que não se sentem representados pelo sistema atual. Uma grande fábula, criada para fortalecer ideais que já foram comprovadamente malsucedidos. Líderes aclamados da esquerda como Che Guevara perseguiam e assassinavam homossexuais brutalmente. Nos anos 1970, homossexuais foram proibidos de ocupar cargos públicos em Cuba, algo que constou no código penal cubano até 1979. Já o regime de Stalin condenou mais de 50 mil homossexuais a trabalho forçado. A respeito de a legalização ser a bandeira de milhares de militantes de esquerda, em países comunistas como Cuba o tráfico de drogas é punível com pena de morte. 

Tiranias se aproveitam historicamente de momentos em que a sociedade se encontra mais vulnerável, intitulando-se como a única opção viável. Isso ocorreu em diversos capítulos na história, e continua ocorrendo até os dias de hoje, aproveitando-se de momentos de instabilidades econômicas e sociais para instaurar suas ideologias como uma opção ao capitalismo “opressor”. 

Por mais encantadoras e utópicas que as políticas de esquerda pareçam ser, elas já foram comprovadamente fracassadas ao longo das últimas décadas. Porém, como seres humanos, temos uma memória muito curta, e infelizmente bastam algumas promessas fantasiosas em momentos instáveis de nossas sociedades para nos iludirmos. Da mesma forma que a esquerda faz parte da vida dos jovens, os liberais precisam estar presentes abrangendo temas com os quais esse público se identifique. A juventude precisa se sentir representada e acolhida pelos liberais para não se iludir pelos ideais utópicos e encantadores dos socialistas.  Dessa forma estaremos reagindo para quem sabe nunca mais escutarmos frases como essas.

*Associado do Instituto de Estudos Empresariais


Foto: Museo Che Guevara (Centro de Estudios Che Guevara en La Habana, Cuba).