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O que o Natal, Bastiat e o Livre Mercado tem em comum?

24.12.2020 09:39

*Victoria Jardim

Final de ano é época de celebrar o Natal, que anteriormente era comemorado em festas pagãs no solstício de inverno. Posteriormente, tais comemorações foram apropriadas pela Igreja Católica para comemorar o nascimento de Jesus. Assim, o feriado de Natal tornou-se um dos mais importantes do calendário ocidental e um verdadeiro símbolo do livre mercado, afinal é tempo de se reunir para celebrar a paz, a esperança e a prosperidade.

As trocas de presentes tornaram-se uma tradição importante na festividade e o Papai Noel, uma das grandes “personalidades” do capitalismo. No entanto quero dedicar esse artigo a enaltecer outro bom velhinho – Frédéric Bastiat, defensor da liberdade, que faleceu em 1850 na véspera de Natal. Afinal, se não fossem homens como Bastiat, festas de Natal como as conhecemos, não seriam possíveis.

Este francês, que era jornalista e economista, destacava o papel do consumidor como força motriz do progresso econômico. O Natal é um exemplo dessa força – empregos são criados para atender às demandas de Natal e pequenos empreendedores formais ou informais lucram com a alta procura. O mercado funciona a todo vapor, trazendo oportunidades para os que mais necessitam.

Bastiat também condenava aquilo que chamou de “espoliação legal” – ou seja, o uso das leis por parte do governo para realizar transferências de propriedade. Um ponto interessante do espírito natalino é que ele incentiva a filantropia, ou seja, a transferência de propriedade baseada no auto interesse de ajudar o próximo, e não na coerção. Como será que seria a filantropia ao longo do ano se o cidadão médio não fosse tão assolado pela “espoliação legal” praticada pelo governo?

Por fim, voltemos à parte boa, os presentes. A abundância de opções de diferentes tipos e valores que temos hoje, só é possível graças a livre concorrência, muito bem defendida por Bastiat em seu insight – “A Petição dos Fabricantes de Velas”. O texto é uma sátira aos protecionistas, que tentam frear o progresso para protegerem seus próprios negócios. Já pensou como seria o Natal em um mundo dominado por homens assim? Provavelmente ainda estaríamos comemorando à luz de velas, como eles gostariam. Que neste final de ano, os ensinamentos do bom velhinho sirvam de lição de que a liberdade é sempre o melhor caminho.

*Victoria Jardim é engenheira e associada ao IEE