Mayday, Mayday, Mayday... - Debate Aberto - Boletim da Liberdade
PUBLICIDADE

Mayday, Mayday, Mayday…

24.04.2020 07:01

*Vinicius Santana

Que Jair Bolsonaro não é bom de contas já sabíamos, mas de lógica não estava tão claro. Com quase 30 anos como parlamentar o Presidente parece se esquecer que seus 57 milhões de votos foram para um projeto de governo e não para sua pessoa, pelo menos não totalmente.

O barco de Bolsonaro começa a afundar e os coletes salva-vidas já foram usados por Mandetta, Moro e o último está nas mãos de Paulo Guedes. Quem salvará o Presidente?

No mês de maior rompimento entre governo e apoiadores, o barco de Bolsonaro começa a afundar e os coletes salva-vidas já foram usados por Mandetta, Moro e o último está nas mãos de Paulo Guedes. Quem salvará o Presidente? Ele confia sua vida nas mãos de Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto, presos no esquema do mensalão, é o início do fim.


PUBLICIDADE


O projeto eleito era o de rompimento com o chamado “Centrão”, o de combate a corrupção, o de reformas estruturais, o de ministérios técnicos e com autonomia, o do fim da política de coalizão. O governo pegou um vírus e virou na contramão, primeiro a demissão de Mandetta, que vinha realizando um bom trabalho e com alta aprovação popular, primeiro furo no barco. Em seguida de olho na presidência da Câmara dos Deputados se afastou de Rodrigo Maia (patrocinador da reforma da previdência) e começou articular com o “Centrão”, outro furo no barco.

Ontem tomou a decisão de interferir na Polícia Federal ocasionando no pedido de demissão de Sérgio Moro, ministro mais forte do governo. O último erro está no PAC Bolsonaro, que o governo prefere chamar de Plano Marshall e que foi decidido sem a participação de Paulo Guedes, que está pronto para pular também, não há como salvar o barco.

Os 57 milhões já não são tantos assim, perdeu apoio dos liberais, perdeu apoio dos reformistas, perdeu apoio dos combatentes da corrupção e vai perder o apoio dos brasileiros. Qual a lógica que Jair Bolsonaro está seguindo? “Antes só do que mal acompanhado” com certeza não é.

*Vinicius Santana é Administrador Público pela UNESP.

Foto: reprodução/arquivo pessoal


PUBLICIDADE