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O que a agenda oficial de Lula indica sobre sua estratégia política?

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Por Talles Pauletti, Diretor de Relações Governamentais do Ranking dos Políticos

O segundo ano do mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se inicia, e é o momento propício para uma análise das suas atividades oficiais, comparando-as com as do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dados compilados pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) oferecem uma perspectiva interessante sobre as prioridades de suas agendas no primeiro ano de gestão.

De acordo com a pesquisa, as divergências nas agendas de Lula e Bolsonaro são notáveis. Bolsonaro, em 2019, direcionou um volume substancial de suas atividades para encontros com líderes evangélicos e empresariais. Em contrapartida, Lula deu destaque a compromissos com forças sindicais e reuniões com líderes mundiais. A diferença é notável: 2.171 registros na agenda de Bolsonaro contra 1.532 de Lula, representando uma diferença de 639 atividades.

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É essencial ressaltar que esses números não abrangem eventos fora das agendas oficiais. Além disso, nota-se uma diferença na transparência: enquanto Bolsonaro indicava o horário de início e término de suas agendas, Lula limita-se a informar apenas o horário de início. Essa discrepância pode influenciar a percepção pública da disponibilidade e dedicação do presidente às suas funções.

Ao assumir o cargo, Lula enfatizou a necessidade de priorizar a agenda externa brasileira, argumentando que ela estava desgastada e carecia de uma abordagem mais alinhada ao multilateralismo nas relações internacionais. O resultado foi uma intensa atividade diplomática, com Lula visitando 27 países em seu primeiro ano de mandato, uma abordagem notavelmente diferente de seus antecessores. Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ficou mais responsável por ações internas em visitas aos estados.

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As divergências nas prioridades de agendas entre Bolsonaro e Lula não devem ser encaradas como uma competição para determinar qual abordagem é superior. Pelo contrário, refletem as diferentes ênfases dadas ao cenário interno e externo pelos dois líderes. Bolsonaro, com foco nas questões nacionais, empresariais e, em alguma medida, religiosas, e Lula, concentrando esforços em revitalizar a imagem do Brasil no cenário global e questões sindicais.

Faz sentido estratégico para Lula. Busca retomar sua narrativa e biografia por meio de aparições internacionais, e internamente está mais presente em eventos de grupos que compõem sua base política mais fiel. Neste segundo ano de mandato de Lula, os olhos da sociedade estão atentos às nuances de sua agenda oficial. O desafio é manter esse equilíbrio e garantir que as atividades presidenciais estejam alinhadas com as demandas e expectativas da sociedade brasileira, tanto em casa quanto no cenário internacional.

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Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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