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Agenda 2030 e suas Implicações nas Relações Internacionais

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Por Gabriel Grilli*

A Agenda 2030 vem se tornando um tema comum em debates à medida que sua divulgação alcança uma quantidade cada vez maior de pessoas, principalmente na academia, mas o que é esta agenda e por que causa tanto desconforto? O texto tem como intenção esclarecer a estrutura e os ideais deste projeto, além de expor suas implicações e possíveis desdobramentos. Este é um artigo escrito por um líder da União Juventude e Liberdade e traz uma opinião sobre a Agenda 2030, reafirmando o compromisso com a veracidade das informações e o respeito aos Direitos Humanos.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ou ODS, foram uma série de designações idealizadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas como parte da Resolução 70/1 e ratificadas em 25 de setembro de 2015. Aderida por 193 países, a então denominada Agenda 2030 visa orientar o desenvolvimento de seus adeptos através do cumprimento dos ODS,17 objetivos incluindo 169 metas, até o aniversário da Agenda, em 2030. Não só Estados como também inúmeras multinacionais declararam apoio e compromisso para com o cumprimentos dos ODS, as metas são assuntos frequentes em eventos como o Fórum Econômico Mundial.

Os objetivos englobam os mais variados assuntos, desde mudanças climáticas à igualdade de gênero. São elas:
Erradicação da Pobreza
Erradicação da Fome
Saúde de Qualidade
Educação de Qualidade
Igualdade de Gênero
Água Limpa e Saneamento
Energias Renováveis
Empregos Dignos e Crescimento Econômico
Inovação e Infraestrutura
Redução de Desigualdades
Cidades e Comunidades Sustentáveis
Consumo Responsável
Combate às Mudanças Climáticas
Vida debaixo da água
Vida Sobre a Terra
Paz e Justiça
Parcerias pelas Metas

É irônico que se proponha as mesmas metas a serem para países como Bélgica e Inglaterra, ao passo que colocam na mesma balança a República Democrática do Congo ou a Nigéria. Não é justo cobrar que populações que sequer tem acesso a água potável ou energia elétrica façam “consumo consciente” de plástico ou andem de bicicletas para não afetarem a camada de ozônio. A liberdade econômica somada ao livre uso de seus recursos naturais foram fatores determinantes no desenvolvimento de grandes potências atuais, cobrar que economias emergentes façam diferente é no mínimo insanidade. Mas a discussão é mais profunda, é muito pior que insanidade.

A França ativamente patrocina guerras civis, genocídios e trabalho escravo em 14 países africanos através da cunhagem do Franco CFA, moeda colonial que continuou em curso mesmo após suas respectivas independências. Após uma série de acordos, estas nações passaram a destinar 50% de suas receitas para as reservas francesas em uma espécie de taxa de cunhagem, em troca disso elas teriam uma moeda de câmbio fixo em relação ao euro e de fácil conversibilidade, mas esta segunda parte do acordo nunca foi honrada. Desde então estes países tiveram histórias repletas de guerra, fome e terror generalizado, suas economias se baseiam na extração de recursos naturais valiosos, como urânio, metais precioso e cacau, porém não tem nem mesmo a chance de desenvolver um parque industrial para o processamento destes recursos, que são enviados ainda e como matéria prima para a os países europeus, para a China e os Estados Unidos, e claro, devolvendo 50% de cada centavo diretamente para a França.

Não é só na África que potências mundiais se beneficiam de tudo aquilo que se vangloriam por abominar. Marcas americanas como Nike, Adidas, Microsoft, Apple, Amazon, Zara e GAP são beneficiadas pela perseguição do povo Uigur na China. A minoria étnica muçulmana é um grupo marginalizado, são transferidos da fronteira com o Quirguistão ao sudeste chinês, onde são cadastrados por empresas que prestam serviço de mão de obra terceirizada e trabalham em péssimas condições e muitas vezes nem remunerada.

As hipocrisias não se limitam a relações externas, a proteção de grupos específicos em detrimento dos direitos de outros cidadãos é uma realidade incontestável no mundo todo. Seja na perseguição de grupos marginalizados, como imigrantes ou minorias em geral, ou mesmo no atentado às liberdades individuais de todos na tentativa de proteger os mesmos. Na Alemanha, quando ciganos e turcos são vítimas de encarceramento em massa e violência policial enquanto ativistas ambientais bloqueiam vias e vandalizam propriedades e nada acontece ou na França, onde mulheres muçulmanas estão sendo proibidas de usarem seus hijabs, pois “seriam vítimas de intolerância religiosa” se o fizessem.

Os conflitos de interesse se expandem também para o meio corporativo, metas que abarcam aspectos de mídia, meio ambiente ou saúde têm tendências a beneficiar setores ou mesmo empresas específicas. Grandes conglomerados de mídia como ComCast, Disney e Netflix, assim como Facebook e Google, protagonizam a divulgação e disseminação dos ideais da Agenda 2030, seja de formas explícitas, como nos jornais e redes sociais, ou implícitas, como nos conteúdos infantis. Petroleiras financiam ativistas climáticos nos países de suas concorrentes e nações desenvolvidas financiam ONGs ambientalistas em países em desenvolvimento, freando o desenvolvimento da agricultura, da indústria e da extração de recursos naturais.

A sabotagem de nações em ascensão nada mais é que o mais moderno dos métodos coloniais, transformá-los em meras fontes de recursos naturais e mão de obra barata é o golpe do século. Países como Brasil, Ìndia, Bangladesh, Nigéria e Indonésia são exemplos perfeitos do famoso “tudo certo para dar errado”, populações jovens, abundância em recursos naturais, posição geográfica estratégica, são o alvo perfeito. Por que a Noruega não doa 1 bilhão para o Chade ao invés do Brasil, que é a décima maior economia do mundo? Por que os Estados Unidos não preferem invadir e pacificar o Butão ao Iraque? Por que nenhum país se posiciona sobre o massacre que a Arábia Saudita protagoniza no Iêmen ou das guerras civis patrocinadas pela França na África? A verdade é que isso não importa, as vidas não importam, a liberdade muito menos, o que vale é o branding.

E o pior ainda está por vir, como se não bastasse explorar e usurpar até a última gota de cada vida que não os parece digna de prosperar, levam também os talentos, em 2022 as etnias indianas concentraram a maior renda nos Estados Unidos, receberam 4 vezes mais que o segundo lugar, pois em um país com 2 bilhões de pessoas os gênios não são tão escassos assim, mas não são bem aproveitados. Em 2021, 130 mil brasileiros emigraram, e os principais destinos foram Portugal, EUA e Inglaterra. A Agenda 2030 serve aos interesses de comerciais de grandes corporações e estratégicos de Estados poderosos, porque são eles os idealizadores delas.

*Gabriel Grilli é estudante de economia e administração no IBMEC Brasília. Atua como vice-líder estadual e no fundraising da UJL, além de coordenador do SFL.

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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