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Ninguém faz campanha sozinho: o desafio dos liberais na política

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Por Marina Zonis*

O Brasil é um país com graves desafios para a liberdade. Só mudaremos essa realidade por meio da política. Nas últimas eleições, contudo, os liberais tiveram um desempenho muito ruim. Políticos liberais não conseguiram votos suficientes para se eleger em praticamente lugar nenhum. Por quê?

Temos dados e estudos que nos fazem ser a favor do liberalismo. Temos tantos exemplos, tantas pesquisas, tantos rankings que provam que as liberdades econômicas e individuais tornam os países mais prósperos e as pessoas mais felizes. Então por que não conseguimos convencer as pessoas de que a liberdade é o caminho na hora de eleger seus representantes?

Nas últimas eleições, os candidatos liberais se depararam com uma campanha muito difícil e polarizada. Foi difícil debater problemas concretos porque os dois principais candidatos presidenciais conseguiram convencer os eleitores que derrotar o outro era absolutamente urgente para a sua sobrevivência. Nesse clima, o cidadão se sentiu compelido a escolher entre um candidato para não deixar o Brasil “cair no fascismo”, ou outro para impedir o país de “virar uma Venezuela”.

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Enquanto isso, os candidatos liberais que falaram sobre respeito ao dinheiro público, direitos do indivíduo e desburocratização não conseguiram demonstrar a mesma urgência desses problemas ou emocionar as pessoas fora da nossa própria bolha. No ano que vem, as eleições municipais serão o cenário perfeito para testar se fomos capazes, como campo político, de aprendermos alguma lição com a nossa derrota.

As dores do eleitor na esfera municipal são bastante práticas: a calçada quebrada, a qualidade do transporte, a falta de emprego, a área de lazer inutilizada por falhas de manutenção. O discurso liberal precisa se conectar com essas dores. É preciso representar as pessoas que sofrem com problemas reais.

Não basta dizer que devemos criar nossos filhos no amor à liberdade alheia, como queria Joaquim Nabuco. Precisamos ouvir, sentir e responder às dores do eleitor de forma prática. Será preciso construir soluções para a iluminação da rua escura, a má infraestrutura da escola municipal, a necessidade de um centro de zoonoses.

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O movimento liberal precisa investir na formação de líderes, assessores de campanha e, claro, candidatos, que tenham capacidade de responder a esses anseios do eleitor e mantenham o seu norte liberal. Não vai ser uma tarefa fácil. Esses candidatos precisarão lidar com concorrentes mais experientes, com sobrenomes mais conhecidos, com campanhas muito mais equipadas, com profissionais e dinheiro público. Ninguém enfrenta essa missão sozinho.

Pensando nisso, o Livres está trabalhando em um novo projeto para conectar e empoderar líderes, ensinar como funciona o sistema proporcional, trocar experiências sobre como pedir dinheiro ou construir sua narrativa de campanha, entre outras habilidades essenciais para futuros candidatos.

O movimento liberal precisa entender quem é o seu público. Quais são as suas dores? Do que eles precisam? Como conquistar sua confiança? Pode até parecer uma ideia simplória, mas não subestime o poder de se comunicar de forma eficiente com seu futuro eleitor. Aprender a conversar com quem vai votar em você pode ser o diferencial entre uma campanha bem sucedida ou não.

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Infelizmente, ainda é muito comum que candidatos façam suas propostas e discursos de campanha baseados no que eles acham que o eleitor deseja. Precisamos nos preparar para descobrir o que esse eleitor, de fato, deseja. Isso envolve fazer as perguntas certas, conversar com pessoas, aparecer nos lugares de interesse, usar as palavras certas. Criar conexões humanas.

Ser um candidato liberal em eleições municipais é muito diferente de dar uma palestra sobre liberalismo. Os valores e princípios são guias da ação, mas as ideias abstratas precisam ser traduzidas em soluções eficientes para os problemas do dia a dia da população.

Não existe uma fórmula pronta. Mas trocar experiências com outros liberais movidos pelo mesmo desafio, aprendendo com as vitórias e derrotas acumuladas ao longo do tempo, pode ajudar a tornar o caminho mais próspero. Vamos juntos?

*Marina Zonis é coordenadora de Ação Política do Livres

Aviso

As opiniões contidas nos artigos nem sempre representam as posições editoriais do Boletim da Liberdade, tampouco de seus editores.

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