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‘Precisamos eleger um presidente sem telhado de vidro’, defende Juliana Benício

Benício concorreu à Prefeitura de Niterói em 2020 pelo Partido Novo e lançou, em julho, o livro "A política e a vida real", em parceria com o jornalista André Moragas; agora, ela quer disputar o governo do RJ
Foto: Divulgação
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Em 2020, o Partido Novo apostou na engenheira Juliana Benício para concorrer à Prefeitura de Niterói, município vizinho ao Rio de Janeiro com cerca de 500 mil habitantes. A vitória não veio, Juliana ficou em quinto lugar, com 6,53% dos votos, mas gerou um boa impressão entre filiados e apoiadores da sigla.

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Para revelar um pouco mais sobre os bastidores da campanha, Juliana lançou, em julho, em coautoria com o jornalista André Moragas, o livro “A política e a vida real”, em que conta os bastidores de sua campanha, a motivação que lhe fez decidir topar a empreitada e compartilha reflexões sobre a experiência.

Nesta entrevista exclusiva concedida ao Boletim da Liberdade, ela conversa sobre política, posiciona-se sobre polarização, ideologia e o cenário nacional e fala de seu novo projeto: disputar a vaga de governadora do Rio de Janeiro pelo NOVO. Ela e o deputado federal Paulo Ganime estão na fase final do processo seletivo da sigla, no estado.

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Boletim da Liberdade: A sra. lançou, em julho, o livro “A política e a vida real”, onde conta diversas situações que vivenciou durante sua campanha à Prefeitura de Niterói (RJ) pelo Partido Novo. Frente à expectativa que tinha sobre a experiência, o que mais lhe surpreendeu na jornada?

Juliana Benício: Me surpreendi com a constatação de que as pessoas, os pagadores de impostos, não recebem os serviços que pagam. O dinheiro entra, mas muito pouco dele chega na ponta, pois se perde alimentando uma grande estrutura de aparelhamento político.

Mesmo o que sobra para o cidadão é manipulado pelos políticos, pois quase tudo virou uma troca de favores, até vaga na creche ou exame de sangue, muitas vezes, dependem de negociação em troca de apoio político. Ou seja, na prática, verificamos muitos exemplos de populismo, quando o político personifica o Estado.

Essa realidade miserável permeia toda sociedade, dos mais abastados que querem espetar um privilégio no Estado, aos que mais precisam dos serviços. Por outro lado, percebi que apesar das pessoas estarem de coração partido, com medo de acreditar em alguém novamente, elas entendem que um futuro de esperança depende da política. Elas sabem que a política é o caminho, só está difícil de acreditar nos políticos.

Boletim da Liberdade: Na obra, a sra. avaliou que a política, “se bem conduzida”, é capaz de “mediar diversos interesses, opiniões e anseios e produzir uma sociedade coesa e harmônica”. Como a sra. avalia a polarização política da sociedade?

Juliana Benício: Eu veja a política como um instrumento para a paz, mas também para guerra. Nossos últimos líderes, de Lula a Bolsonaro, chegaram ao poder atacando o opositor, criando discórdia e desmerecendo qualquer opinião contrária.

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Esse ódio ao contraditório chegou no auge com Bolsonaro. Tenho certeza que para se destacar não é necessário destruir o outro. Pelo contrário, o líder que realmente acredita em si tem humildade de aprender com as diferenças. Um líder que se destaca pelas suas qualidades e não pelos defeitos dos outros será o líder capaz de pacificar nossa sociedade.

Boletim da Liberdade: De que forma governos ideológicos, que não estejam dispostos a negociar princípios, poderiam mediar diversos interesses sem frustrar os eleitores?

Juliana Benício: Ótima pergunta. A ideologia não é burra, tampouco uma prisão. Hoje muita gente enxerga a ideologia de uma forma totalmente distorcida. Se a ideologia fosse um conjunto de regras, não precisaríamos de políticos tomando decisões, mas de engenheiros. A ideologia deve ser um norte. Em um determinado ponto, talvez, seja preciso fazer uma curva no meio do caminho, para se conciliar anseios de uma sociedade plural, mas isso não significa que você não continua andando na direção do seu propósito, tampouco que você entregou o volante. Nenhuma caminhada acontece sob uma linha reta; a existência exige adaptações.

Boletim da Liberdade: Ao narrar sua experiência de pedir recursos para empresários, a sra. traçou uma reflexão sobre o papel que o Estado acaba exercendo para “desestimular os movimentos mais virtuosos da sociedade”. Como fazer com que o empresariado torne-se menos temeroso de retaliações dos políticos?

Juliana Benício: Quando damos muito poder ao Estado de intervir na economia, acabamos dando poder a políticos de dizerem o que deve e o que não deve estar aberto, quem deve e quem não deve empreender. Os empreendedores acabam arcando com o custo de se submeterem ao temperamento do gestor público; e esse custo é muito alto, pois esses caras são gulosos e totalmente descomprometidos com o crescimento da economia. Acabam por se tornar sócios da maior parte dos negócios.

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A melhor maneira para se enfrentar isso é minimizar a capacidade do Estado de influir em segmentos de baixo e médio risco. Deixar claras as regras do jogo e deixar a justiça atuar para aqueles que não a cumprirem. Nos segmentos que exigem regulação, devido ao risco da atividade ou à tendência de concentração de mercado, a transparência é o caminho para se garantir a fiscalização pública eficaz.

Foto: Reprodução/Instagram

Boletim da Liberdade: A fim de fidelizar bases eleitorais, a política tradicional instituiu um mecanismo de troca de favores e cooptação de lideranças comunitárias. Com isso, restringe-se o voto de opinião, fundamental para candidatos independentes. Como reverter esse quadro e como foi a sua votação nos locais que a sra. mencionou que vivenciou isso?

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Juliana Benício: Para mim, esse é o maior desafio para os políticos que realmente querem mudar a política. As comunidades vivem abaixo da dignidade humana: no esgoto, com insegurança alimentar e assistência médica precária. Elas têm urgência. Não adianta falar para os moradores de comunidade pensarem no longo prazo, pois eles (sobre)vivem um dia de cada vez.

Outro ponto crítico é que existe uma cultura nas comunidades de que o político tem que fazer antes das eleições para garantir a confiança do voto. Não percebem que quem faz “antes”, ou está financiado por empresários corruptos que depois vão sangrar o estado, ou está no poder, fazendo o que é dever dele.

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A sensibilização dos mais vulneráveis é um trabalho de formiguinha, árduo e missionário. Portanto, vejo que diante desse desafio, a responsabilidade daqueles que não tem urgência é ainda maior. Quem não vive em situação de vulnerabilidade precisa se engajar na política e militar para findar o assistencialismo. Caso contrário, estará sendo omisso e conivente com a corrupção no país.

Boletim da Liberdade: O nome da sra. consta no processo seletivo do Partido Novo do Rio de Janeiro para disputar o Governo do Estado. O que lhe motivou a tentar ser candidata a governadora, frente aos grandes desafios enfrentados pelo Estado?

Juliana Benício: Primeiramente, tenho certeza da relevância da minha experiência profissional para o cargo. Trabalhei a vida toda em gestão educacional, para mim, o segmento da economia que mais se aproxima da gestão pública. A educação é um bem valoroso e ganhar produtividade e eficiência sempre implica em um trabalho profundo de negociação com os stakeholders, pois é um setor intensivo em pessoas. Qualquer avanço precisa ser pactuado com alunos, pais, professores, sindicatos, técnicos entre outros. E isso precisa ter experiência para saber fazer e conseguir realizar.

Em segundo lugar, pois acredito que seja uma candidata bastante competitiva. Se conseguir montar uma estrutura mínima sei que posso falar e tocar muita gente. Sou o avesso dos polos políticos que se instauraram e que as pessoas não aguentam mais.

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Boletim da Liberdade: Pelo menos dois grandes problemas do Rio de Janeiro ganharam manchetes nacionais: a tomada de territórios por grupos armados com poder paralelo, especialmente as milícias; e o alto nível de corrupção, bem simbolizado por um conjunto de ex-governadores presos ou processados. Como enfrentar esses dilemas – milícias e corrupção – e por que o eleitor, caso sua candidatura seja confirmada, deverá acreditar que a sra. terá soluções para eles?

Juliana Benício: A origem desses dois problemas é a mesma: bandidos ocuparem o espaço público. O Estado está sendo instrumentalizado pelo crime, e disso não temos dúvida. Por isso investigações não vão para frente, crimes não são solucionados, e os bons servidores estão desmotivados. Para revertermos isso no Estado, é precisa colocar na liderança pessoas desvinculadas do crime. Não tenho dúvida que quando pessoas íntegras começarem a tomar decisões, as ações de combate ao crime, tanto nas comunidades como no aparato público, vão começar a ter êxito.

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Elas já estão postas, só falta desarticular a rede que suporta o crime, retirando as peças-chaves que trazem disfuncionalidade ao sistema. Para seguirmos esse caminho é imperativo que a população eleja políticos ficha limpa, totalmente desvinculados do crime. Importante também refutar candidatos com campanhas milionárias que sempre trazem nos bastidores investidores corruptos e com segundas intenções. Essa relação promíscua do investimento de campanha com o futuro mandato sempre vem em detrimento de um Estado capaz de resolver os problemas do cidadão.

Boletim da Liberdade: Obrigado pela entrevista. Por fim, gostaríamos de lhe perguntar sobre o cenário nacional. O Brasil vive uma grave crise política, com hostilidades crescentes entre os poderes. Como a sra. enxerga e, especialmente, se posiciona nesse cenário e quais são as soluções possíveis?

Juliana Benício: Eu que agradeço imensamente a oportunidade de falar com seu público: pessoas que valorizam e lutam pela liberdade. Quanto ao nosso atual contexto, eu refuto veementemente a falta de educação e respeito com que o executivo federal vem se posicionando em relação ao Judiciário e ao Legislativo. Se eu tenho crítica a um poder que me controla, não adianta espernear, dizer: “bobo, chato, feio”. Espero mais de alguém que ocupe o cargo de presidência da república.

É fato que se estamos ruins com eles, muito pior seria sem eles. Mas, infelizmente, fica claro que o nosso presidente não enxerga assim. Ele sonha em trabalhar sozinho. O que é extremamente preocupante. O que torna o impeachment uma saída segura para a crise que foi instituída por ele mesmo. Como saída a esse cenário político caótico que nos encontramos, entendo que o primeiro passo para se sobreviver nesse ambiente hostil é elegermos um presidente sem telhado de vidro.

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Uma pessoa que não terá que negociar com o status quo para receber proteção por atos indevidos próprios. Essa pessoa não é o Bolsonaro, que já entrou tendo que proteger os filhos e cumprir favores com a base evangélica e com o agronegócio. Muito menos Lula, por razões óbvias. Precisamos de alguém que entre na presidência que seja de fora do sistema. Para mim esse alguém é o [João] Amoêdo.

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