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Students for Liberty Brasil quer alcançar 200 mil espectadores em documentário sobre favelas no Brasil

Em entrevista exclusiva concedida ao Boletim da Liberdade, o diretor de produções audiovisuais da entidade, Bernardo Vidigal, falou sobre a importância de difundir o conceito de propriedade privada nas comunidades
Foto: Divulgação
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A rede estudantil liberal Students for Liberty Brasil ganhou, em junho, uma competição internacional promovida pela Atlas Network, entidade que apoia lideranças e organizações liberais em todo o mundo. No centro da vitória, um projeto: produzir um documentário e conscientizar dezenas de milhares de moradores de favelas no Brasil sobre a importância de obterem o título de propriedade de suas casas.

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Em entrevista exclusiva concedida ao BOLETIM DA LIBERDADE, o diretor de produção audiovisual do SFL Brasil, Bernardo Vidigal, explicou a iniciativa – que já captou mais de R$ 250 mil e quer alcançar 200 mil espectadores ao redor do mundo.

“Ter uma propriedade […] revoluciona a vida de uma pessoa. Fica mais fácil de você conseguir um emprego, ou pedir um empréstimo, que te permite empreender; e ter segurança sobre sua moradia, te permite pensar a longo prazo e investir nela. Mas fundamentalmente o aspecto mais importante é que ter propriedade te permite construir e transmitir riqueza, tirando famílias de um ciclo de pobreza”, explicou.

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Ainda segundo Vidigal, a ideia é exibir o filme para pelo menos 10.000 pessoas em 100 eventos presenciais em comunidades no Brasil.

Confira a entrevista:

Boletim da Liberdade: O sr., representando o Students for Liberty Brasil, venceu a competição Think Tank Shark Tank 2021 com um projeto sobre propriedades privadas em comunidades brasileiras. Como foi o processo da premiação e contra organizações de quais países o sr. disputou?

Bernardo Vidigal: O Shark Tank Think Tank é uma competição do Latin America Liberty Forum da Atlas Network. Ele funciona mais ou menos como o programa de TV, mas neste, o pessoal da Atlas ajuda a gente a desenvolver o pitch, que deve ter no máximo cinco minutos, e nós o apresentamos, em espanhol, para os juízes da competição. Os outros competidores foram Ana Lilia Moreno, com a apresentação do projeto sobre reforma energética no México, e Fatima Masse, com a apresentação de um projeto para incentivar o empreendedorismo formal para mulheres no México

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Boletim da Liberdade: Como surgiu a ideia de desenvolver um projeto ligado a propriedades privadas em comunidades?

Bernardo Vidigal: Sempre foi um desejo nosso fazer algo nesse sentido. Educar, desenvolver e empoderar jovens liberais é a missão do SFL, mas temos a ambição de ter uma base diversa de voluntários, então sempre vimos como algo fundamental encontrar um projeto que traduza o liberalismo para a realidade das pessoas que mais precisam dele. A partir dessa ideia inicial, começamos a pensar qual aspecto do liberalismo seria elementar ao ponto de se aplicar as necessidades mais básicas da vida humana e identificamos a propriedade privada.

Boletim da Liberdade: O projeto consiste tanto na produção de um documentário quanto em eventos presenciais. Quanto custará ao todo o projeto e o quantas pessoas seria possível alcançar?

Bernardo Vidigal: Nós já asseguramos US$ 50.000,00 até agora e pretendemos encontrar outros US$ 7.000,00, totalizando em reais um orçamento de cerca de R$280.000,00. Cerca de metade desse orçamento será destinado ao documentário, e a outra metade aos eventos. O documentário será lançado em inglês no Learn Liberty para trazer atenção internacional a esse problema; e em português nos eventos nas favelas, para educar o público sobre seus direitos de propriedade.

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Com o documentário, pretendendo alcançar 200.000 espectadores ao redor do mundo; e com os cerca de 100 eventos pelo Brasil, pretendemos alcançar presencialmente 10.000 pessoas, recrutando pelo menos 2.000 voluntários (pelos eventos e pelo documentário).

Boletim da Liberdade: Quais impactos socioeconômicos o sr. considera que podem surgir diante da difusão dos títulos de propriedade privada para moradores de comunidade?

Bernardo Vidigal: Ter uma propriedade nesse caso, revoluciona a vida de uma pessoa. Fica mais fácil de você conseguir um emprego, ou pedir um empréstimo, que te permite empreender; e ter segurança sobre sua moradia, te permite pensar a longo prazo e investir nela. Mas fundamentalmente o aspecto mais importante é que ter propriedade te permite construir e transmitir riqueza, tirando famílias de um ciclo de pobreza.

Boletim da Liberdade: O sr. acredita que, de alguma forma, essa formalização também não pode vir associada ao aumento do custo de vida nesses locais? Caso sim, como evitar danos sociais?

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Bernardo Vidigal: Claro que há um trade-off aqui. Viver na informalidade te permite evitar diversos custos. Mas nós acreditamos que a proteção social e oportunidades dadas pela propriedade vai elevar a riqueza de toda a comunidade e compensar qualquer custo que venha a ser elevado.

Boletim da Liberdade: Muitas favelas, ou comunidades, vivem dominadas pelo poder paralelo – sejam por facções do narcotráfico, sejam por milícias. Na avaliação do sr., os títulos de propriedade podem influenciar de alguma forma o domínio do poder paralelo?

Bernardo Vidigal: Quando você introduz o conceito de propriedade na vida das pessoas, você dá poder ao indivíduo, para ele empreender, para ele construir riqueza e, fundamentalmente, para ele se proteger. Nenhuma dessas mudanças acontece de uma hora pra outra, mas, com o tempo, você vai desconstruindo esses poderes.

Boletim da Liberdade: Levando em consideração esse contexto de violência, sob quais condições e perspectivas o Students for Liberty pretende organizar eventos nessas localidades?

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Bernardo Vidigal: Fundamentalmente, as favelas são comunidades. Por isso consideramos tão importante o aspecto de contar histórias de moradores de favelas no nosso documentário e encontrar pessoas desses locais para serem nossos voluntários. Uma coisa é uma pessoa de fora da favela tentar te convencer sobre a importância de regularizar sua terra; outra é você mostrar para um membro da comunidade histórias de pessoas como elas, convencer essa pessoa a espalhar as ideias da liberdade e ajudar esse indivíduo a realizar esses eventos.

Nós vamos dar apoio, treinamento, conteúdo e financiamento, mas quem vai fazer o evento é quem conhece aquela comunidade. Nós não podemos fingir que conhecemos a realidade de cada favela, mas nós podemos fazer o que nós fazemos de melhor: educar, desenvolver e empoderar jovens para que eles alcancem mudança dentro de suas comunidades.

Boletim da Liberdade: Moradores de comunidade, por serem de baixa renda, frequentemente dependem de auxílios assistenciais do governo. O sr. acredita que isso pode ser um barreira para a difusão de ideias liberais para eles?

Bernardo Vidigal: Talvez, mas se tem um tipo de pessoa que entende a disfuncionalidade do poder estatal, é o morador de um lugar onde o poder público não só lhe abandonou, como criou um muro de burocracias que te prende ali. De qualquer forma, via de regra a pessoa que recebe auxílio não recebe porque gosta, e quer ela mesma gerar meios para sair daquela situação e melhorar cada vez mais sua posição financeira.

Boletim da Liberdade: Obrigado pela entrevista. Há alguma previsão sobre quando o documentário deve ficar pronto? E há maneiras de se ajudar na realização do projeto?  

Bernardo Vidigal: O documentário deve ficar pronto no final do ano, justamente quando devemos começar a realizar os eventos. A melhor forma de ajudar é se inscrever no canal do Learn Liberty, participar dos programas do Students For Liberty Brasil, ou doar para a organização.

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