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Entrevista: fora do MBL, Holiday fala de ‘projeto de longo prazo’ para tratar de temas como antiaborto e LGBT

Ao Boletim da Liberdade, vereador de São Paulo pelo Patriota conversou sobre projetos futuros, avaliou o cenário político geral e dos liberais e reforçou o desejo de ir para Brasília como deputado federal
Fotos: Afonso Braga / Câmara Municipal de São Paulo
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As forças políticas estão sempre em conjunta tensão e seus movimentos de arrumação e desarrumação, por isso, são naturais. Raros, no entanto, são quando os desenlaces são cordiais e de reverência mútua, como o ocorrido nesta quinta-feira (28) entre o vereador Fernando Holiday (Patriota/SP) e o Movimento Brasil Livre.

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Em nota divulgada no início desta tarde, o MBL classificou Holiday como “um dos melhores oradores políticos do país” e tratou com naturalidade e respeito o processo de, de agora em diante, seguirem caminhos diferentes.

“Assim, nos despedimos dele confiantes do projeto MBL para 2021, mas igualmente confiantes na carreira que Fernando irá trilhar. Mesmo fora do movimento, esperamos sempre contar com sua firme presença na Câmara e onde estiver, ele que é, acima de tudo, um amigo”, diz o texto divulgado pelo movimento.

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Em entrevista exclusiva concedida ao Boletim da Liberdade também nesta quinta-feira (28), o vereador paulistano reforçou os motivos de saída, classificando-os como “justamente o desejo de querer montar um projeto de longo prazo” com ênfase na pauta antiabortista e LGBT.

Entre outras perguntas, Holiday explicou também em mais detalhes o que vem pela frente, como enxerga a direita em pautas mais socialmente sensíveis e sobre projetos políticos futuros. “Eu nunca escondi o meu desejo de ir para Brasília como deputado federal. É um sonho que eu tenho mesmo e espero um dia conseguir”, pontuou. Confira:

Boletim da Liberdade: Você está deixando o MBL menos de um mês depois de tomar posse em seu novo mandato. Quais razões pesaram para tomar a decisão agora de seguir um caminho separado?

Fernando Holiday: A razão da saída é justamente o meu desejo de querer montar um projeto de longo prazo para tratar desses temas que constam na nota: tanto uma discussão maior das causas LGBTs dentro da direita liberal, como também uma discussão antiabortista dentro dessa mesma direita. São dois temas que têm faltado principalmente para a discussão aqui dentro do Brasil.

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Boletim da Liberdade: Em entrevista à Folha e também na nota divulgada pelo MBL, falou-se no seu interesse cada vez maior de atuar pela “proteção à vida”, ou seja, na militância antiaborto, e também pela luta por “causas LGBT”, que não seriam prioritárias ao movimento. O que você poderia nos adiantar sobre esses projetos e como pretende materializar esse “afinco mais especial” para essas áreas?

Fernando Holiday: O que eu posso adiantar é o seguinte: eu pretendo me aproximar de grupos que tratam desse assunto, sob essa perspectiva liberal, e mais especificamente em relação à proteção à vida. Acho que é preciso estimular dentro do meio liberal uma discussão sobre o que te torna um indivíduo. A partir de quando você se torna um indivíduo e se existe a possibilidade de você ser um indivíduo ainda dentro do útero da sua mãe. A partir disso, acho que a gente pode desenvolver diversas discussões sobre o aborto, num aspecto mais antiabortista, e sobre a perspectiva de defesa desses indivíduos que ainda não nasceram.

Quanto à causa LGBT, a minha inspiração é uma viagem que eu fiz aos Estados Unidos no final de 2019 a convite do Departamento de Estado norte-americano para estudar como que as instituições de lá tratavam as políticas em defesa das minorias. E, lá, eu tive com os membros do Log Cabin Republicans que tratam justamente desses temas por uma perspectiva mais libertária.

Acho que é preciso estimular dentro do meio liberal uma discussão sobre o que te torna um indivíduo. A partir de quando você se torna um indivíduo e se existe a possibilidade de você ser um indivíduo ainda dentro do útero da sua mãe.

Foto: Afonso Braga

Boletim da Liberdade: Como frisado na nota do MBL, você acabou se destacando no cenário político por ter o chamado “lugar de fala” quando o assunto é a causa racial e a causa LGBT, apesar de ser não de esquerda. Falta à direita mais diversidade temática? Recentemente, por exemplo, o NOVO foi considerando o partido com menos negros sendo candidatos…

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Fernando Holiday: Acho que a direita precisa se preocupar mais com o discurso necessário para você falar com públicos específicos e que sofrem de problemas específicos. E, por mais que eu seja contrário à tese do “lugar de fala” – acho que isso é muito prejudicial ao debate público -, eu acredito que do ponto de vista de estratégia política é muito importante você ter porta vozes que se encaixam nesse perfil para que LGBTs, ou mesmo pessoas negras, se sintam mais à vontade para defender essas ideias e possam participar de grupos como esses.

O que eu posso adiantar é o seguinte: eu pretendo me aproximar de grupos que tratam desse assunto [antiborto e LGBT], sob essa perspectiva liberal, e mais especificamente em relação à proteção à vida.

Boletim da Liberdade: Nas redes sociais, você se manifestou favorável à candidatura de Marcel van Hattem (NOVO/RS) à presidência da Câmara dos Deputados, pontuando que, se fosse deputado federal, votaria nele. Por outro lado, chegou a repercutir publicações favoráveis ao impeachment. Na sua avaliação, já há motivos jurídicos para embasar um impeachment do presidente?

Fernando Holiday: Eu entendo que muitas das ações do presidente em relação à pandemia já justificariam aí uma abertura do processo. Principalmente na tentativa de intervir nos estados por conta da compra das seringas ou da compra da cloroquina sem a comprovação científica de sua eficácia contra a covid… e diversas outras ações nesse sentido. Por mais que eu acredite que aí estão, sim, crimes de responsabilidade, eu acredito que um motivo mais forte e contundente seria [denunciar] que ele utilizou a ABIN para defender o seu filho, Flávio Bolsonaro. Mas, para esse crime especificamente, ainda faltam provas. Por isso, estrategicamente, ainda seria melhor aguardar o esclarecimento desses possíveis crimes.

Boletim da Liberdade: Você iniciou a política cedo, mas já está no segundo mandato. Quais são as suas ambições na política? Pretende, por exemplo, ser candidato em 2022 a algum outro cargo? Caso sim, qual e por quê?

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Fernando Holiday: Eu nunca escondi o meu desejo de ir para Brasília como deputado federal. É um sonho que eu tenho mesmo e espero um dia conseguir. Não sei se será em 2022, mas vou trabalhar para isso. Mas depende de diversos fatores. Depende de disponibilidade de legenda, depende do meu público defender essa minha ida, querer que realmente eu esteja presente em Brasília agora, nesse momento, e depende de uma série de fatores que não me dão a possibilidade de dizer agora, com certeza, se eu serei ou não candidato.

Eu pretendo justamente me tornar deputado federal porque com esses temas com os quais eu pretendo trabalhar mais, tanto as pautas antiabortistas quanto as causas LGBTs, me dão um maior leque para legislar estando dentro do Congresso. Estando na Câmara Municipal, eu fico muito restrito, porque a competência de um município, a competência de um vereador, ela não se estende tanto para essas áreas.

Fotos: Afonso Braga / Câmara Municipal de São Paulo

Boletim da Liberdade: Fora do MBL, quais outros grupos você encontra identificação? Recentemente, vimos você repercutindo publicações de João Amoêdo, por exemplo. Tem se aproximado dele ou do NOVO?

Fernando Holiday: Eu acredito que tanto o MBL, quanto o Vem Pra Rua ou o NOVO, têm um ponto de convergência ali fundamental na defesa de algumas pautas, especialmente agora, nesse momento. São três grupos com os quais eu me identifico de alguma forma. Mas não tem nenhuma aproximação específica com o NOVO a não ser aquela que eu sempre tive, de trabalho em conjunto na Câmara Municipal, com a bancada que eles têm tido.

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Eu nunca escondi o meu desejo de ir para Brasília como deputado federal. É um sonho que eu tenho mesmo e espero um dia conseguir. Não sei se será em 2022, mas vou trabalhar para isso.

Boletim da Liberdade: Há, para muitas pessoas, a percepção que 2020 foi um ano ruim para a liberdade, inclusive para o movimento liberal. Qual é a sua avaliação sobre o assunto e os principais desafios que enxerga para os liberais na política?

Fernando Holiday: Eu acredito que 2020 foi um ano desafiador. Primeiro, para o debate público dos liberais, de uma forma geral, porque a impressão que ficou é que nós precisamos muito mais do Estado do que o liberalismo prega – o que não necessariamente é verdade, porque grande parte dos liberais, ou a imensa maioria, defende um Estado presente nas áreas essenciais, e uma delas é a saúde. Pelo menos esse é o meu caso. Mas a percepção do público mudou em relação ao papel do Estado muito por conta disso e você teve um arrefecimento das pautas liberais, privatização, as reformas necessárias, que se esperavam do governo federal e não vieram. Acho que tudo isso em conjunto foi muito prejudicial para o meio liberal como um todo.

Boletim da Liberdade: Como você enxerga o cenário político-eleitoral para 2022 tanto a nível estadual (em São Paulo) quanto a nível nacional? Já haveria alguns nomes que você consideraria apoiar ou que te chamam atenção pelas movimentações?

Fernando Holiday: Acredito que é muito difícil prever o que vai acontecer em 2022. Existe uma direita racional aí, que talvez possa se unir em torno de um nome na presidência da República. Uma direita que seria mais lavajatista, seria com ela que eu mais me identifico principalmente por conta do combate à corrupção. Mas eu não vejo um nome despontando entre esses grupos. E nem falando na disputa geral, além da direita, também não vejo na esquerda nomes disputando. Acho que vai ser uma disputa intensa, apertada, e com certeza histórica.

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