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Uso emergencial de vacinas é aprovado no Brasil; Doria e Pazuello trocam farpas

O governador de São Paulo questionou a atitude do Ministério de Saúde de exigir as doses do estado; já o ministro atacou Doria por explorar politicamente a vacinação
Eduardo Pazuello (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Eduardo Pazuello (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A vacinação contra o coronavírus começou no Brasil neste domingo (17), depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da Coronavac, produzida em parceria com o Instituto Butantan, e da vacina da AstraZeneca, produzida em parceria com a Fiocruz. O anúncio incrementou as trocas de farpas entre autoridades do país.

O governador de São Paulo, João Doria, fez uma entrevista coletiva ao lado da enfermeira Mônica Calanzans, de 54 anos, primeira a ser vacinada com a Coronavac – que já foi aplicada em outras 99 pessoas no Hospital das Clínicas depois da autorização. Ele aproveitou a oportunidade para disparar críticas contra o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Doria ironizou a defesa do uso da cloroquina e outras posturas presidenciais. [1]

“Espero que o comportamento do Ministério da Saúde seja pela vida e que parem de recomendar e distribuir a cloroquina“, proclamou. “E daí?, disse um brasileiro. Pressa para quê, disse outro brasileiro. Toma cloroquina que passa, disse um líder do país. A vacina é uma lição para vocês, autoritários que desprezam a vida, que não têm compaixão, que desprezam a atenção, a dedicação e a necessidade de proteger os brasileiros. Vocês não fizeram isso.” [2] [3]





Doria também criticou a exigência de Pazuello de que São Paulo deveria enviar seu lote para o Ministério da Saúde. ““Era só o que faltava agora criar burocracia para a vacina dos brasileiros de São Paulo, sair de São Paulo, ir para o Ministério da Saúde para depois voltar para São Paulo. Ora, diante de um quadro em que estamos perdendo quase mil vidas todos os dias no país, quase 200 vidas em São Paulo, precisamos do senso de urgência. É isso que estamos fazendo aqui”. O governador pediu que Pazuello tenha “humildade” para reconhecer o esforço de seu estado. [4]

A visão do Ministério da Saúde

Por sua vez, Eduardo Pazuello, em coletiva simultânea à de Doria, acusou o governo de São Paulo de afrontar o pacto federativo. “Senhores governadores, não permitam objetivos político-eleitoreiros se aproveitando da vacinação em seu estado. Nosso único objetivo neste momento tem de ser o de salvar mais vidas, e não de fazer propaganda própria”, discursou. Ele prometeu que as primeiras vacinações nos diversos estados acontecerão quarta-feira (20). [5]

“A vacinação (ocorrerá) de forma igualitária e simultânea, sem deixar nenhum brasileiro para trás, sem discriminar cor da pele, credo religioso, classe social, tribos e principalmente, sem dividir o nosso país. Não podemos admitir nada contra a união do nosso povo”, enfatizou. Pazuello também fez questão de frisar que o governo federal estaria adotando uma postura mais sóbria que o governo de São Paulo ao não aproveitar politicamente a situação.





“O Ministério da Saúde tem em mãos, neste instante, as vacinas, tanto do Butantan quanto da AstraZeneca. E nós poderíamos, num ato simbólico, ou numa jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa. Mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso”, frisou, em clara alfinetada a João Doria.





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