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Novo presidente da Fundação Palmares deseja o fim do movimento negro

Fundação destinada a preservar manifestações culturais afro-brasileiras será presidida por militante de Bolsonaro que rejeita as bandeiras do movimento

- Publicado no dia
Jornalista Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares (Foto: Reprodução/Facebook)

As redes sociais foram tomadas por manifestações de indignação de personalidades ligadas à militância cultural e ao chamado movimento negro nesta quarta-feira (27). O motivo foi a nomeação do jornalista Sérgio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares.

A namorada de Sérgio divulgou em suas redes sociais uma mensagem do jornalista, que afirmou estar bloqueado e não poder se comunicar diretamente: “Assumir o cargo será uma grande honra e ao mesmo tempo um desafio! Grandes e necessárias mudanças serão implementadas na Fundação Palmares. Sou grato a Deus por essa oportunidade”.

Camargo afirmou ainda que sua atuação “será norteada pelos valores e princípios que elegeram e conduzem o governo Bolsonaro“. O centro da polêmica, porém, vai além dessa declaração: o jornalista já fez outras afirmações que estão sendo recuperadas pela imprensa e escandalizando os críticos.

Uma dessas afirmações, feita ainda nesta terça-feira (26), foi a de que “pretos que vendem a alma para o esquerdismo e tornam-se escravos ideológicos” merecem “desprezo”. No mesmo dia, ele afirmou que há racismo no Brasil, “mas é circunstancial, não estrutural como afirma a esquerda – em toda parte, o tempo todo, até quando dormimos”.

No último dia 22, Camargo disse também que “a esquerda é para a raça negra o mesmo que o parasita para seu hospedeiro” e “livrar-se da esquerda é vital para o seu futuro”. Outras afirmações ressaltadas são a de que “não há salvação” para o movimento negro, que “precisa ser extinto”. Sobre Zumbi dos Palmares, que dá nome à fundação que o jornalista passará a presidir, Camargo considera que é um “falso herói dos negros”. Ele também já fez diversas investidas em seu comentário contra artistas e personalidades, como Thaís Araújo e Lázaro Ramos, geralmente identificados com o movimento negro. [1]

Entre as vozes que condenaram a nomeação, está a de Eric Balbino de Abreu, ex-integrante do Movimento Brasil Livre, que disse que Camargo é “um capitão do mato” porque “dizer que não existe racismo é o fim”. Para ele, trata-se de uma “aberração” que “é compatível com um governo que nomeia um inimigo da preservação ambiental para o ministério do Meio Ambiente”.

O que é a Fundação Palmares

Vinculada ao Ministério da Cultura, a Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública que existe desde 1988, mesmo ano de estabelecimento da Constituição Federal em vigência, com a missão de reforçar a cidadania, identidade e memória dos segmentos étnicos dos grupos formadores da sociedade brasileira e preservar as manifestações afro-brasileiras.

A lei que a instituiu diz que ela deve “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”. A ideia é desdobramento do artigo 215 da Constituição, que diz que o estado “garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, e de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”.

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