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‘Temos crianças suicidas, deprimidas e que tomam remédio tarja preta. Isso você pode colocar na conta do PSOL’

Boletim da Liberdade entrevistou o deputado federal Marcio Labre (PSL/RJ) em seu gabinete em Brasília e ele abre o jogo sobre o que pensa sobre o governo Bolsonaro, Wilson Witzel e outros assuntos

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Deputado Federal Marcio Labre, do PSL (Foto: Divulgação)

Muitos fatores podem ter contribuído para a eleição do deputado federal Marcio Labre (PSL/RJ) em 2018 para o seu primeiro mandato, mas certamente um dos mais importantes foi sua coragem de ter posicionamentos claros, muitas vezes fortes, e com claro viés conservador.

Assim, pouco a pouco, cresceu nas redes, obteve notoriedade com a audiência do canal Terça Livre, por onde chegou a ter um programa fixo, e elegeu-se para seu primeiro mandato com 46.934 votos e com uma campanha que custou menos de R$ 23 mil.

Carioca de Marechal Hermes e de origem no comércio, Marcio abriu o jogo em entrevista ao Boletim da Liberdade. Voltou a criticar o Movimento Brasil Livre, deu uma nota ao governo Bolsonaro, falou que, mesmo liberal no âmbito econômico, compreende que “cada caso é um caso” quando o assunto é privatizações e completou com uma dura crítica à influência do PSOL na educação. Confira:

Boletim da Liberdade: Sendo seu primeiro mandato, qual foi sua grande motivação para ser candidato ano passado?

Marcio Labre: Minha grande motivação para ser candidato foi a sensação de que [eu] não podia ficar mais apenas reclamando. Sempre fui uma pessoa muito autônoma, muito ativa e quando vejo um problema e vejo que ninguém está resolvendo, me coloco a disposição para fazer aquilo. Então senti que o ambiente político é um ambiente que dependia de mais proatividade, precisava de oxigenação.

Os players políticos que estavam até 2018 não iriam entregar à sociedade o que ela esperava. Eu achava que a gente estava num ambiente de muita angústia e reclamação, então como eu sempre me interessei em acompanhar a política, achei que era hora de me prestar a isso. Ou seja: sair do papel de comerciante e vir ao poder público para tentar fazer algo para beneficiar a população – e fazer algo que não estava sendo bem feito pelo Estado.


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Boletim da Liberdade: O senhor costuma debater as finanças dos governos anteriores. Qual é a realidade dessa área hoje?

Marcio Labre: O governo Temer ainda tentou fazer alguns ajustes na economia. Em termos de ajustes financeiros e econômicos, foi um governo bom. Mas, antes do governo Temer, os governos desastrosos que tivemos de extrema-esquerda foram governos totalmente irresponsáveis que estão dando um trabalho enorme para sanar as contas. Eram governos que não estavam preocupados com a otimização do gasto público, não tinha um compromisso com uma gestão eficiente, com economia, com conceitos mais modernos de administração como compliance. Ou seja, não davam a mínima para nada e era uma farra de gastos.

Além disso, juntando-se a essa farra de gasto irresponsável, nós tínhamos ainda o saqueamento e a tomada de assalto do Estado. Na verdade, eu costumo dizer que o PT [Partido dos Trabalhadores] foi o partido mais patrimonialista do Brasil. [Acabou] sendo o partido que mais botou em prática esse conceito de tomar o que é público para si, no âmbito privado. Foi o que eles fizeram, tomando o Estado como um objeto do partido.

Isso acabou gerando o resultado desastroso que a gente teve: uma economia sem nenhum planejamento, tudo focado apenas em produzir, populismo vigarista, dando sensação de crescimento com base no consumo. Todo mundo que conhece o mínimo de economia sabe que esses conceitos não são conceitos [que trazem] crescimento, produtividade e investimentos. Eles criaram uma ilusão na população. Enganaram. Mas como mentira dura pouco e não é para sempre, nós descobrimos e agora estamos tentando limpar essa sujeira, que ainda levará algum tempo.

Marcio Labre (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Boletim da Liberdade: Em alguns momentos você teve embates com o MBL. Qual é a sua opinião hoje sobre eles?

Marcio Labre: [São] um bando de adolescentes que tem alguma leitura na área econômica, mas são muito limitados. O liberalismo que eles defendem no Brasil é a parte que eu diria que seria a mais periférica, que é o economicismo, pois na cabeça deles o Brasil poderia ser planificado numa planilha de Excel.

Então é muito difícil você avançar um debate aqui, ou público ou no Congresso, com questões que são muito complexas no Brasil, que envolvem costumes, diferenças e hábitos dos brasileiros que não podem ser precificadas com gráficos e percentuais.

Eles tentam dar um panorama e um horizonte para o Brasil resolver os problemas só no viés econômico e, pior ainda, pelo economicismo. Ocorre que uma série de problemas que nós temos aqui, no país, como conflitos e diferenças, não passam por questões econômicas, mas sim por questões culturais, crenças e religiosas. [Temos] uma sociedade rachada por opiniões e visões de mundo e eles não colaboram com debate nessas áreas. Acham que tudo isso pode ser precificado.

Então, considero que são ainda adolescentes e muitos jovens para entenderem, realmente, a complexidade do Brasil. E por essa razão acho a contribuição muito menor do que eles tentam vender pela força de rede que eles têm.

Então, considero que [eles, do MBL] são ainda adolescentes e muitos jovens para entenderem, realmente, a complexidade do Brasil

Boletim da Liberdade: Qual seria hoje sua nota ao atual governo e por quê?

Marcio Labre: Pelas intenções do presidente da República, nota dez, por suas intenções genuínas. Agora pelo que está conseguindo entregar, em função de uma série de obstáculos, que não dependem dele e sim de um cenário de 500 anos de um Brasil que estava nas mãos de gente errada, hoje temos que dar nota 6.


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Boletim da Liberdade: Muito se fala da privatização da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), entre tantas estatais. Qual sua opinião?

Marcio Labre: Na verdade, isso é uma das coisas que até podemos pegar o MBL, como exemplo, pois [os militantes do MBL] são extremamente dogmáticos. Como sou liberal, defendo privatização, [que] tudo deve ser privatizado, por um [objetivo de se ter um] Estado menor. Mas, quando você vai para o mundo real, cada caso é um caso.

Se imaginarmos, com uma visão estratégica, que estamos lutando contra um império da comunicação totalmente comprometido com uma narrativa globalista, que coloca o Brasil fora de um protagonismo e nos coloca como mais um país serviçal, precisaríamos de uma força contrária de comunicação.

[Esse esforço se justificaria] para retirar essa visão que as pessoas, sem perceberem, têm com opiniões já formadas com base em uma serie de narrativas construídas pelos meios de comunicação que já temos hoje.

Como sou liberal e defendo privatização, tudo deve ser privatizado, por um [objetivo de se ter um] Estado menor. Quando você vai para o mundo real, cada caso é um caso.

Esses meios servem a uma agenda que busca unificar o mundo. Isso é algo impossível [de acontecer], já que a cultura ocidental nunca vai se misturar a outras culturas. Então, nesse caso da EBC, em particular, acho que o governo poderia utilizar [a estatal] a seu favor. Em outros casos, como exemplos [as empresas públicas] que são deficitárias, ou seja, que o governo precisa arcar com o prejuízo, aí sim podemos considerar os casos e aí sim privatizar.

Boletim da Liberdade: Qual sua opinião sobre a participação de tantos liberais no governo?

Marcio Labre: Temos grupos liberais muito focados no economicismo, em precificar tudo. Acho que não tem grandes diferenças nos grupos liberais [presentes]. Porém, acho que falta mais posicionamento no campo conservador. [Se houvesse um posicionamento] na defesa de teses [conservadoras] associadas a uma visão liberal mais ampla, aí conseguimos avançar. Mas consigo compreender [o porque disso não ocorrer], pois ficamos quase 40 anos sem participar do debate público, assistindo de casa a esquerda discutir o país, então está todo mundo perdido e, até se encontrar, demora um pouco.

Boletim da Liberdade: Como o senhor avalia os 9 meses de mandato do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel?

Marcio Labre: [Trata-se de] um governo que tem uma preocupação em reduzir a criminalidade do varejo. Dá pra perceber que ele está comprometido com isso e a sua política de segurança nesse sentido está funcionando. Está jogando força e confiança para os setores da segurança, dando autonomia para eles poderem fazer aquilo que eles vinham defendendo como melhor caminho para combater. O resultado está aparecendo.

Mas ainda é um governo muito preocupado com a embalagem e a vitrine, em vez de fazer realmente modificações estruturantes principalmente nas questões envolvendo as finanças do estado. Afinal, é um estado [RJ] insolvente, que tem uma divida bruta de 120 bilhões de reais. É como se fosse um estado que está no cheque especial há 30 anos, pagando juros e, [quando] teria condições de sair do cheque especial, entra e sai governo e só enfeitam e fazem pequenas mudanças.

Por conta do regime de recuperação fiscal que o Rio vem passando, o estado não consegue apontar pro horizonte como um lugar interessante pra investimento. O investidor faz avaliação de todas as variáveis e não deixa de levar em conta esse passivo que o estado tem. Isso acaba gerando dificuldade de atração de investimentos e, depois desses 9 meses, eles ainda não apresentaram nenhuma nova alternativa para essa situação de endividamento. Ficam rezando, fazendo mandinga, esperando melhorar o preço do petróleo para aumentar os royalties e fechar no azul.


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Boletim da Liberdade: Como o senhor vê o Brasil daqui a 10 anos?

Marcio Labre: Apesar de tudo que estamos passando hoje, vejo o Brasil em outro patamar econômico. Tenho certeza que vamos entrar agora num círculo de crescimento virtuoso, num país com pleno emprego e em reforma da educação. Isso se explica porque caminho que vinha trilhando até aqui era um caminho de emburrecimento e um caminho, diria eu, de atrofia intelectual da população.

O modelo pedagógico que nós temos hoje é desastroso, um modelo para criar neuróticos. Mas espero que nesses 10 anos consigamos expurgar a narrativa de partidos como o PSOL, PT e PCdoB de dentro das escolas pois essa gente é nociva, tóxica e o que eles promovem para as crianças é tudo que há de pior.

Temos crianças suicidas, deprimidas e temos uma epidemia de crianças tendo que tomar remédios de tarja preta. Isso você pode colocar na conta do PSOL, que é o partido que ocupou as escolas e universidades. As áreas de humanas estão completamente destruídas e precisamos conseguir mudar isso em 10 anos, pois a pauta econômica vai andar. E tem professor que conversamos que parecem ser piores que analfabetos, por incrível que pareça.

Temos crianças suicidas, deprimidas e temos uma epidemia de crianças tendo que tomar remédios de tarja preta. Isso você pode colocar na conta do PSOL, que é o partido que ocupou as escolas e universidades.

Boletim da Liberdade: Na sua opinião, quais medidas o governo federal deveria tomar para se recuperar da década perdida?

Marcio Labre: Exatamente o que está fazendo. Ou seja: ampliando a capacidade de infraestrutura do país, pois sem isso não há condição de atrair mercados para o país, dado que não tem como escoar, pois não temos estradas, ferrovias etc. Então, se o Brasil quiser entrar no mercado mundial e fazer negócios, precisamos ser eficientes e ter infraestrutura. Isso já está sendo feito pelo Ministro [da Infraestrutura], Tarcísio [Freitas].

O outro aspecto é melhorar o Brasil para ser competitivo nos produtos e serviços que o mundo consome, que seria a Revolução 4.0. O Brasil está muito atrás [nesse ponto], apesar de estar muito avançado no agronegócio.

Talvez [isso ocorra] pelo know-how em produção em escala de produtos agrícolas. Mas, na área tecnológica e industrial, nós regredimos terrivelmente e pra gente poder voltar a um patamar melhor, vamos precisar ter melhor formação de profissionais e fazer esses investimentos na área da infraestrutura.

Boletim da Liberdade: Para terminar qual livro de cabeceira recomenda para nossos leitores?

Marcio Labre: Miséria e Moral do Theodore Dalrymple, um livro que recomendo.

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