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Candidato à presidência argentina promete expulsar embaixada de Israel

Manchetes em páginas de orientação judaica denunciaram a ascensão de uma candidatura de inspirações nazistas na Argentina; o Boletim investigou

- Publicado no dia
Alejandro Biondini (Foto: Radio Jal)

Manchetes em sites e páginas, especialmente de origem judaica, ressaltaram nos últimos dias a candidatura presidencial de um neonazista para as eleições de outubro na Argentina. Um antissemita, inspirado nas ideias de Adolf Hitler, estaria pleiteando a vaga hoje ocupada por Maurício Macri. Qual a verdade nessa história? O Boletim investigou.

Quem é Alejandro Biondini

Legalizado em 2014, o partido conhecido como “Bandera Vecinal”, autodeclarado “partido do nacionalismo argentino”, conseguiu em 2015 somente 0,1% dos votos para seu pré-candidato a chefe de governo em Buenos Aires, Ramiro Vasena, o que foi insuficiente para avançar para as eleições gerais. Porém, no mesmo ano, a legenda obteve reconhecimento da Justiça para competir nas primárias do distrito. [1]

O homem responsável por tudo isso é Alejandro Biondini, de 63 anos. Ele foi, em 1981, secretário-geral da Juventude Peronista da capital e declarou sua identificação com o ditador populista Juan Domingos Perón, que se notabilizou por abrigar nazistas refugiados da derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.


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Na década de 90, Biondini comandou o Partido Nuevo Triunfo, que nunca foi legalmente reconhecido por ser acusado de antissemitismo e afinidade com o nazismo. Na década seguinte, Biondini negava as acusações: em agosto de 2007, ele escreveu que é uma falácia confundir a condenação ao “sionismo”com “um ataque à “comunidade judaica””. [2]

Uma simples consulta à Internet mostra, no entanto, que Biondini, que conseguiu nas eleições legislativas em 2017 apenas 0,32% dos votos, cerca de 28.448, aparece em imagens fazendo saudação semelhante à nazista e cercado de símbolos que se assemelham aos ícones da Alemanha de Hitler, como a famosa suástica hitlerista. Questionado, ele sempre responde: “são símbolos milenares”.

A expulsão das embaixadas como promessa de campanha

Hoje, à frente de uma nova força política, a Frente Patriótica, lançada oficialmente em 24 de maio – uma fusão do Bandera Vecinal e do Gente de Acción que superou os 11 mil filiados -, Biondini e seus apoiadores já não exibem mais a estética caricaturesca do nacional-socialismo. Em suas redes sociais, ele celebra a vitória de partidos nacionalistas mundo afora, como o Front Nacional de Marine Le Pen, na França. No entanto, declarações radicais e avessas ao Estado de Israel continuam sendo feitas.

Em fevereiro, Biondini publicou em sua página no Twitter que se define “como claro defensor do Estado Palestino”: “repudio o sionismo colonialista e genocida. Reafirmo: quando for presidente, expulsarei embaixadores britânicos e israelenses”, afirmou taxativamente. A referência aos britânicos é consequência da aversão nacionalista à derrota na histórica Guerra das Malvinas, em que os argentinos enfrentaram a Grã-Bretanha pela soberania do arquipélago.

Tempos depois, no lançamento de sua campanha, ele exclamou: “aqui é Argentina, aqui não é Israel”. Em 1991, Biondini disse em entrevista ao jornalista Mariano Grondona na televisão que reivindicava Adolf Hitler, demonstrando simpatia pelo revisionismo histórico do período e pelo questionamento do Holocausto. Três anos mais tarde, ele esteve em manifestações na Argentina que clamavam por “morte aos traidores, covardes e judeus”. [3]

Os princípios do partido

Em seu discurso de lançamento como candidato, Biondini definiu o nacionalismo como “o patriotismo militante, o nacionalismo cultural, a soberania política, a independência econômica e a justiça social”. Discursou também a favor de considerar a prática do aborto um grave “crime de estado”.

A Frente Patriota se define como uma “aliança de partidos nacionalistas para as eleições de 2019 baseada na defesa da soberania, da vida, da família e da justiça social”. Também sustenta em seu Twitter, em publicação do último dia 13, a ideia de um país “livre da usura e do colonialismo”, uma economia “a serviço dos trabalhadores e da justiça social”, a defesa “da vida e da família”, de uma “Argentina para os argentinos, sem imigração ilegal, nem abusos de corporações estrangeiras”, o “império da lei” – com “prisão perpétua efetiva para delitos aberrantes” e o serviço militar obrigatório. [4]

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