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MBL pode ser ‘o ponto que segura a democracia brasileira’, diz Luciano Ayan ao Boletim

O analista político e consultor de TI dividiu a reação da direita em três categorias e o MBL representaria a ala que pode ter o maior papel para a democracia brasileira
Luciano Ayan é analista político e dono do site "Ceticismo Político" (Foto: Reprodução/YouTube)

Luciano Ayan é analista político e dono do site “Ceticismo Político” (Foto: Reprodução/YouTube)

Um dos principais críticos das manifestações convocadas em apoio ao governo Jair Bolsonaro, o analista político e consultor de TI Carlos Augusto Afonso, mais conhecido como Luciano Ayan, notabilizou-se por sua luta contra a censura quando foi envolvido em ataques da imprensa contra o Movimento Brasil Livre (MBL). Ele conversou com o Boletim para esclarecer a sua perspectiva para as possíveis consequências dos atos deste domingo (26).

Para ele, as manifestações pró-governo movimentam três posições diferentes dentro da direita. “Um desses setores é claramente um “chavismo de direita”. Escorado nas milícias virtuais, tem utilizado de formas diversas de intimidação contra outros direitistas na Internet” e “age como se quisesse uma ruptura e esmagamento do Congresso”.

Haveria ainda um setor “bastante vago” favorável às manifestações, que defende as reformas e “adota um perfil democrático”, mas “compra a narrativa anti-Congresso” e tem alto risco de ser “engolido” pelo primeiro. O Movimento Brasil Livre representaria uma terceira posição, “que sofreu ataques incessantes e desleais por parte da extrema direita por ter apontado o golpismo nas manifestações e dito que não vai participar”, recusando subserviência ao Executivo e se alinhando mais ao Congresso em defesa das reformas.





“É um contraponto importante para a democracia”, definiu Ayan sobre a posição do MBL. “Uma razão para isso é que a diluição do poder aumenta a chance para a democracia”. O risco para ele seria que, com os dois setores considerados democráticos confusos e desarticulados, “o setor extremista e autoritário está bem organizado e cada vez mais brutal nos linchamentos virtuais, que chegaram a causar a deserção de pessoas como Lobão, Janaína Paschoal e Danilo Gentilli nesta semana”.

O cenário ideal e o maior perigo

Luciano Ayan acredita que os ataques do grupo que chama de “chavista de direita” se intensificarão e que é preciso contrabalançar esse quadro com “um equilíbrio de forças nessas guerras internas na base (e ainda considerando outros setores, como militares, lavajatistas, evangélicos, etc.), mas como a extrema direita está agredindo demais – e recebendo revides de menos -, isso está impondo a Jair Bolsonaro a chance de tentar uma ruptura em estilo chavista”.





Para quem considerar a afirmação exagerada, Ayan pondera que “após um determinado número de vítimas de ataques fica difícil gerenciar os riscos de retaliações. A tendência natural do ser humano é “queimar arquivo”, então pode ser necessário tentar a ruptura, o que não significa que vai dar certo. É que a falta de reação da direita democrática está acabando com as opções do presidente, que talvez tenha que tentar satisfazer os extremistas, que lutam sem parar pelo poder”.

De todos os setores dessa base aliada do governo, os liberais e os evangélicos estariam na pior situação. Os primeiros, para Ayan, “capitularam por completo”. Aqueles que compõem a base por sua atuação ou afinidade com a Operação Lava Jato, os lavajatistas, “estão tranquilos e confortáveis”. Já a briga entre militares e olavistas “deve voltar em breve” e, com isso, “os militares podem reagir ao autoritarismo olavista”, bem como a classe política, “representando a Câmara dos Deputados”.

Se o MBL se mantiver em uma posição democrática favorável ao Congresso, Ayan acredita que ele “pode ser o ponto que segura a democracia brasileira. Quanto à direita pró-Bolsonaro democrática, sem as militâncias virtuais ao seu lado e com seu discurso facilmente instrumentalizado pela ala autoritária, por enquanto, não parece “convincente como forma de manter a democracia” para Ayan. O MBL seria sua grande esperança. Se o movimento defender a liberdade e independência entre os poderes e polarizar com os extremistas, “há uma ótima chance de que a democracia se mantenha e, principalmente por isso, que as reformas possam acontecer”.









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