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Carlos Bolsonaro e Santos Cruz estão cada vez mais próximos, diz general

General falou de doutrinação ideológica nas escolas, trabalho para presos, cultura indígena, Amazônia, Olavo de Carvalho e diversos outros assuntos

- Publicado no dia
General Augusto Heleno (Foto: Reprodução / Diário do Nordeste)

O general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, concedeu entrevista ao vivo nesta quarta-feira (22) ao programa Central Globo News. A entrevista abordou diversos aspectos do governo, da relação com o Congresso às suas tensões internas. Confira as principais questões abordadas pelo ministro:

Democracia e liberdade de expressão: O general Heleno reafirmou o compromisso do presidente Jair Bolsonaro e de seu governo com o respeito à democracia. “Toda vez que tem oportunidade, o presidente defende a democracia e o equilíbrio entre os poderes”, afirmou. Já ao final da entrevista, Heleno garantiu que a liberdade de expressão “é fundamental”, mas, na formação dos jornalistas, deve haver uma preocupação especial com a busca por “honestidade intelectual”.

Manifestações do próximo dia 26 de maio: “Ele (Bolsonaro) se convenceu de que, como presidente da República, não deveria incentivar, nem desautorizar, muito menos participar dessas manifestações”, explicou Heleno. No entanto, o ministro acredita que as manifestações não são antidemocráticas ou contra as instituições, mas a favor de “uma governabilidade sem concessões” na base do “toma-lá-dá-cá”. Ainda segundo ele, “o passado condena” o Congresso, que por longo tempo teria atuado dessa forma. Perguntado sobre quem tem oferecido propostas indecorosas ao presidente, Heleno respondeu que, mesmo sabendo de algo, não poderia dizer: “vou em cana no dia seguinte”.

Dificuldades e inexperiências do governo: Heleno disse que “as coisas têm sido muito mais desfeitas do que feitas” no governo, pois “cada lugar que a gente mete o dedo, tem coisa errada”. Ao mesmo tempo, ele alegou que a insegurança dos parlamentares estreantes, diante da grande renovação do Congresso, dificultou a que até agora se assentasse uma “base de governo”. Questionado se Bolsonaro respeita o Congresso, Heleno disse que seus 28 anos como parlamentar não permitiriam outra conclusão e garantiu ter convicção de que os estranhamentos serão ajustados.


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Ala militar, Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro: “Não existe “ala militar” no governo”, asseverou, dizendo que a amizade não torna os militares uma força única dentro da coalizão governamental. “Houve algumas influências desagradáveis das declarações do senhor Olavo de Carvalho, mas não demos importância”, disse Heleno, afirmando ainda que prefere não pensar nas ideias do filósofo e que “extremismos não têm bom resultado em lugar nenhum”. Para ele, o governo precisa promover a união para o enfrentamento dos desafios emergenciais e “brigas e picuinhas são perda de energia”. Asseverou ainda que, dentro do setor de comunicação, a aproximação de Carlos Bolsonaro com o ministro Santos Cruz, general que chefia a Secretaria de Governo, “é cada vez maior”.

Previdência e recuperação econômica: O ministro enfatizou que a Previdência é a reforma mais urgente e que o governo precisa de sua aprovação para promover o desenvolvimento econômico e ter recursos para trabalhar. Ressaltou que “a voz das ruas” já é mais favorável à Nova Previdência proposta por Paulo Guedes, mas que a “pressão popular é fundamental na democracia”. Também elogiou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para ele “muito inteligente e perspicaz”.

Decreto de armas e segurança: O general Heleno elogiou o fato de o governo estar disposto a mudar de ideia e explicou que houve um abrandamento ao restringir armas que poderiam ser excessivas. Questionado sobre a mobilização de alguns governadores contra o decreto de expansão do acesso à posse de armas, ele comentou que, nos gráficos que mostram o posicionamento dos governadores, “avermelhou de um lado só do país e isso não pode ser mera coincidência”. Ele disse ainda que a área de segurança também precisa de que o governo tenha mais recursos para promover certas melhorias e revelou que há a tendência de o governo investir em elaborar projetos para levar os presidiários a trabalhar na cadeia.

Educação: Heleno considera o ministério mais difícil de administrar e “a pasta mais contaminada de todas”, tendo que lidar com o problema da doutrinação ideológica no ensino. “As ideologias têm que conviver”, disse, rechaçando a ideia de substituir uma orientação ideológica por outra de forma autoritária. Ele também negou a existência de cortes de verba, dizendo que houve um contingenciamento, que foi mal explicado pelo governo. “O analfabetismo funcional é flagrante” no Brasil, sentenciou, usando um exemplo bastante politicamente incorreto: as caixas de supermercado que não conseguiriam fazer contas.

Relações Internacionais: O ministro elogiou as aproximações com Estados Unidos e Israel, que, em seu ponto de vista, foram inteiramente estratégicas e motivadas pela busca de recursos tecnológicos. “Não é ideologicamente; se fosse ideologia, teríamos nos afastado da China, que é uma grande parceira”, garantiu.

Meio ambiente e indígenas: O general Heleno dedicou um tempo significativo a elogiar as políticas da área de meio-ambiente do governo Bolsonaro. Ele disse que a Amazônia é objeto de cobiça de interesses estrangeiros, especialmente de ONGs que obedecem a órgãos governamentais de outros países, e sentenciou que ela “não é patrimônio da humanidade, é patrimônio do Brasil”. Disse ainda que os índios são tratados “como objeto” pela FUNAI e que, em sua maioria, “são brasileiros e querem ser cidadãos”: “manter a cultura indígena intocada e preservada é uma utopia e o índio não quer isso”.

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