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Disputa na ALERJ põe PSL contra NOVO e expõe diferenças entre MBL e ‘Acredito’

Eleição para a mesa diretora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro teve apenas uma chapa, por ter sido a única a conseguir ter 13 deputados listados; deputado do PSL criticou NOVO, mas recebeu alfinetada

- Publicado no dia
André Ceciliano (centado na principal cadeira, à esquerda) e o MBL nas galerias (Foto: Rafael Wallace/ALERJ)

A disputa pela mesa diretora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) ocorrida no último sábado (2) já foi motivo suficiente para contrastar diferentes grupos políticos em ascensão no país. Na esfera partidária, surgiu a primeira faísca entre o PSL e o NOVO locais e, na esfera dos movimentos de renovação, o MBL e o “Acredito”.

Eleito em primeiro turno com 49 votos a favor, a chapa encabeçada pelo deputado André Ceciliano (PT) foi a única se credenciar para a eleição. Devido ao regimento interno da Assembleia, a mesa diretora é eleita em conjunto. Com isso, cada chapa precisaria ter, no mínimo, 13 deputados inscritos – o que apenas uma acabou conseguindo. Ao todo, a ALERJ possui 70 deputados. [1]

A candidatura de Ceciliano, contudo, era tida como polêmica. Além de ser filiado ao Partido dos Trabalhadores, que possui apenas três deputados na Casa e ideologicamente não reflete o voto conservador do fluminense nas eleições de 2018, Ceciliano foi um dos rastreados nas investigações do Conselho de Controle de Atividade Financeiras – que ganhou notoriedade com o caso Flávio Bolsonaro.


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Segundo o Coaf, assessores parlamentares de Ceciliano chegaram a movimentar quase R$ 50 milhões. Apenas uma assessora chegou a movimentar, entre 2011 e 2017, mais de R$ 26 milhões, tendo um salário de apenas R$ 5.124. Em dinheiro vivo, nesse período, ela teria sacado R$ 980 mil – e, em 2016, ano eleitoral, realizou transações de R$ 2 milhões, situação considerada suspeita.

Chicão Bulhões esboçou candidatura própria, mas não conseguiu o mínimo de parlamentares na chapa (Foto: Reprodução/Facebook)

Candidaturas alternativas

Houve tentativas, contudo, de impedir um mandato Ceciliano na presidência da ALERJ. Uma delas veio do deputado estadual Chicão Bulhões (NOVO), que anunciou em dezembro que se lançaria candidato. Mais votado de seu partido no Rio, o parlamentar conquistou pouco mais de 26 mil votos em 2018 para seu primeiro mandato. Em janeiro, deu início ao que chamou de movimento “Converge ALERJ”, prospecto publicitário repleto de propostas. O projeto falhou.

“Lutamos até o fim para tentar formar uma chapa de 13, mas infelizmente não deu”, afirmou Bulhões, em vídeo, lamentando-se não ter havido renovação na ALERJ. [2]

Para o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), braço direito de Flávio Bolsonaro e o mais votado do Rio de Janeiro, contudo, a história não foi bem assim. Em publicação na noite de sábado (2), Amorim – que absteve-se na eleição -, criticou a postura do partido.

“O Partido Novo jogou para a plateia e sustentou uma candidatura inviável com apenas dois deputados em vez de somar conosco. Resultado: escolheu entregar a presidência da ALERJ para o PT”, afirmou Amorim. [3]


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Procurada pelo Boletim da Liberdade, a assessoria de imprensa de Bulhões não retornou ao tempo da publicação desta matéria. Amorim, por sua vez, foi alvo de uma crítica indireta de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, nesta segunda-feira (4). [9]

“Eu não sou do PSL, mas me pergunto: O que leva um deputado estadual do PSL que se elegeu graças a Jair Bolsonaro a se abster na votação da presidência da ALERJ tendo uma eleição de chapa única do PT? Qualquer um que tenha bom senso sabe a resposta. Sem novidades!”, escreveu Carlos, enigmático, nas redes sociais.

MBL nas galerias da ALERJ (Foto: Divulgação)

MBL e Acredito

Um dos principais movimentos de renovação política no país, o MBL encheu as galerias na eleição da mesa diretora e protestou contra a condução de Ceciliano à presidência da ALERJ. Sem representantes no parlamento (Bruno Lessa, do PSDB, ficou com a segunda suplência em 2018), o Movimento Brasil Livre chamou Ceciliano de “inimigo número 1 do Rio de Janeiro”, vaiou deputados que votaram no petista e seus militantes seguraram laranjas em referência às suspeitas movimentações financeiras reveladas pelo Coaf. [4][5]

Por outro lado, o deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB), co-fundador do movimento “Acredito”, posicionou-se de maneira diferente. Eleito em primeiro mandato, prometendo a renovação política e com apenas 25 anos, o deputado não titubeou e votou a favor de Ceciliano.

Internautas criticaram o voto: “Quer renovação votando no Ceciliano?”, disse um. Outro considerou uma “vergonha” o posicionamento. [6]

O “Acredito” não possui viés liberal, mas se posiciona, como o MBL, como um grupo suprapartidário de renovação política. Sem força nas redes, mas apoiado por personalidades relevantes, entre as quais Luciano Huck, não é a primeira crítica que sofre com seus políticos eleitos.

Contra o auxílio-moradia para deputados federais, a deputada federal Tábata Amaral (PDT/SP), também co-fundadora do movimento, não recusou seu apartamento funcional em Brasília. Postura diferente dos deputados do Partido Novo e de Kim Kataguiri (DEM/SP), que recusaram o benefício. [7][8]


Editado às 22h05 do dia 04/02: Ao contrário do que anteriormente informado, Renan Ferreirinha e Tabata Amaral são co-fundadores do movimento Acredito, não do “Agora!’.

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