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Jean Wyllys diz que abandonará política e o mandato e que ficará fora do Brasil

Um dos primeiros deputados assumidamente gays do Brasil concedeu entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo’, afirmou que não pretende reassumir mandato e desabafou sobre ameaças

- Publicado no dia
Jean Wyllys (Foto: Reprodução / Diário Online)

O deputado federal e ex-BBB Jean Wyllys (PSOL/RJ), reeleito em 2018 para mais um mandato de deputado federal, anunciou nesta quinta-feira (24) em entrevista à Folha de S. Paulo que abandonará a política, inclusive seu novo mandato. A principal motivação é o grau de animosidade que a política tomou, levando, supostamente, a ameaças à sua integridade física. [1]

“Quando rolou a execução da Marielle, tive noção da gravidade. Além dessas ameaças de morte que vêm desses grupos de sicários, de assassinos de aluguel ligados a milícias, havia uma outra possibilidade: o atentado praticado por pessoas fanáticas religiosas que acreditavam na difamação sistemática que foi feita contra mim”, disse o deputado.

Wyllys afirmou que foi vítima de xingamentos, empurrões e de “uma campanha baseada em fake news”. “A principal fake news me envolvia – o Kit Gay. Foi uma fake news produzida em 2011 e atribuída a mim”, afirmou Wyllys, sem citar Bolsonaro.


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“No dia em que ocorreu o eclipse lunar, eu não podia descer porque eu estava ameaçado. Só podia descer com a escolta, e a escolta não estava lá. Uma coisa simples, um fenômeno no céu que eu não podia ver. Nesse dia, tive uma crise de choro e falei: ‘Eu vou largar tudo’. Não posso estar no meu país e não poder descer para ver um eclipse lunar sem ser insultado por pessoas que acham que sou pedófilo, que quero homossexualizar crianças”, desabafou ao repórter.

O parlamentar não revelou onde está nesse momento e disse não ter escolhido seu destino final. Contudo, afirmou que não pretende voltar ao Brasil tão cedo. Quer fazer um doutorado e, “quando estiver refeito, achar que é a hora”, voltar ao país. “Não necessariamente para essa representação política parlamentar, para a defesa da causa”, afirmou.

Segundo Wyllys, o PSOL “reconhece que são graves as ameaças” contra ele, lamenta sua saída mas apoia a decisão.

“Para o futuro dessa causa, eu preciso estar vivo. Eu não quero ser mártir. Eu quero viver. Acho que essa violência política que se instalou no nosso país vai passar. Pode ser que no futuro eu retome isso, mas eu nem penso em retomar porque há tantas maneiras de lutar por essa causa que não passam pelo espaço da institucionalidade”, concluiu.

Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.

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